À espera de hóspedes – Rede hoteleira na Capital pode aumentar 53% até a Copa de 2014

Mas ampliação depende de investimentos em turismo para ser sustentável

Até a abertura da Copa do Mundo de 2014, Porto Alegre poderá ter um salto de 53% na capacidade hoteleira. Se todos os novos hotéis em estudo por empreendedores se concretizarem, a Capital vai pular dos atuais 13 mil leitos disponíveis para 20 mil lugares, aponta levantamento inédito do Sindicato dos Hotéis e Restaurantes da Capital (Sindpoa). A notícia é boa para os turistas somando à estrutura da Região Metropolitana e de cidades distantes até 150 quilômetros (veja quadro abaixo), a Capital atenderia com folgas à demanda da Fifa, de 45 mil leitos. Mas pode ser um tiro no pé do próprio setor, caso a expansão não seja acompanhada do crescimento do turismo, alerta o vice-presidente do Sindpoa, Ricardo Ritter.

– Para isso, é fundamental ter na cidade um centro de convenções de grande porte, para atrair eventos importantes – diz Ritter.

Um grupo de trabalho formado na Federasul contratou uma consultoria para avaliar as condições necessárias para um centro de convenções com capacidade para até 10 mil pessoas. Os resultados devem sair ainda em dezembro e embasar um plano de negócios para atrair investidores. Centros de eventos da Fiergs e da PUCRS, os de maior porte atualmente, costumam estar com a agenda lotada, segundo Ritter, que também preside o Convention Bureau da Capital. Ou seja, demanda parece haver.

O secretário de Turismo de Porto Alegre, Luiz Fernando Moraes, concorda com a necessidade de um centro de convenções maior para colocar Porto Alegre na disputa por grandes eventos. Um processo semelhante ocorreu em Salvador e em Lisboa, cidades que viraram polos do turismo de negócios depois de investir em estruturas de grande porte para congressos e feiras.

– Mas um investimento desse porte precisa ser feito em conjunto com a iniciativa privada. A prefeitura não tem recursos para bancar sozinha – ressalta Moraes.

No início da década, a construção acelerada de hotéis sem aumento equivalente do turismo derrubou a taxa média de ocupação abaixou de 50% – o número mágico do setor no quesito é 70%. Na opinião do empreendedor Alberto Isdra, cujo grupo está construindo quatro novos hotéis na Capital, o crescimento da economia pode impedir que isso se repita. O empresário concorda que é preciso investir na atração de turistas, mas lembra que o mercado deverá aquecer naturalmente, no embalo do aumento da classe C.

– Os aviões estão lotados, o pessoal quer viajar. É a chance de Porto Alegre recuperar a importância que já teve no Brasil e foi perdendo para outras capitais, como Salvador e Belo Horizonte – avalia Isdra.

Novo Mercure, próximo ao Aeroporto, em foto de Gerson Ibias

Zero Hora

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Categorias:COPA 2014, hotelaria, TURISMO

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4 respostas

  1. O Complexo do Beira Rio, o cais Mauá e o Pontal do Estaleiro devem sair para que esse acrescimo ao número de hotéis se torne sustentável. Se não melhorarem nossos atrativos turisticos (COMEÇANDO PELA ORLA), esses novos hotéis terão uma ocupação muito baixa.

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  2. A reportagem esqueceu de, pelo menos, outros dois hotéis: o do Complexo Beira-Rio e o do projeto Cais Mauá.

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  3. Parece que o belíssimo prédio do Centro Clínico da Ulbra, perto da rodoviária, está (estará) a venda. Poderia ser adaptado para ser um hotel.

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  4. Se não houvesse a vila dos papeleiros naquela região próxima à rodoviária, seria interessante aproveitar aqueles prédios antigos atualmente virados numa “cracolândia” que poderiam ser restaurados e adaptados para funcionarem como hotel. Em algumas cidades européias já foram feitos empreendimentos semelhantes, onde prédios antigos foram modernizados preservando as fachadas originais e transformados em hotéis. Caso fosse feito um projeto semelhante em Porto Alegre, seria possível atrair investimentos para comércio e serviços na região, assim como um consequente investimento em segurança (tanto pública quanto privada).

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