PARA ONDE VAI A CAPITAL – O futuro está em obras

Vivendo um momento raro, marcado por projetos urbanos ambiciosos e proliferação imobiliária, Porto Alegre vai mudar de cara

Nutrida por um período privilegiado de efervescência na construção civil, uma Porto Alegre nova e diferente está para nascer.

Na próxima década, grandes bairros emergirão do nada, áreas degradadas vão se converter em epicentros de transformação urbana, novos polos comerciais surgirão e milhares de moradores vão migrar para zonas de prestígio recém-adquirido. O resultado será um reequilíbrio na distribuição de pessoas e negócios dentro da cidade.

Não é a primeira vez que a metrópole vive um processo assim, mas desta vez há um componente novo. A expansão urbana não é movida pelo crescimento populacional, como no passado. São outros os motores que dão propulsão à nova Porto Alegre, especialmente o bom momento econômico, a fartura na oferta de financiamento e o programa federal Minha Casa Minha Vida, que deve produzir 35 mil unidades residenciais de padrão simples nos próximos anos. Populações que moravam em um puxado nos fundos da casa da mãe estão finalmente tendo chance de comprar um imóvel. É um quadro propício para encolhimento do déficit habitacional.

– É o melhor momento da construção civil nos últimos 30 anos. Há dinheiro disponível para construir e para comprar e existe otimismo em relação ao país – afirma Mauro Touguinha de Oliveira, vice-presidente do Sinduscon-RS.

Outra força decisiva são empreendimentos de grande porte que têm o condão de transformar áreas esquecidas em versões imobiliárias do santo graal. Nesta categoria, uma grande aposta é a extensa faixa que sai do Centro, passa pelo Quarto Distrito e chega ao bairro Humaitá – para onde estão previstos a revitalização do cais, grandes condomínios e o complexo vinculado ao futuro estádio do Grêmio.

Em paralelo ao fenômeno dos grandes empreendimentos, há um processo de crescimento difuso, de substituição da cidade, no qual zonas horizontais se transformam em tabuleiros de edifícios, graças a alterações no Plano Diretor. Especialistas apostam na verticalização de uma série de bairros, com destaque para o extremo norte da cidade, devido aos empregos industriais em cidades como Cachoeirinha e Gravataí.

– Com a transformação de Porto Alegre em um canteiro de obras, vai acontecer uma mudança significativa na cidade, com novas aglomerações e centralidades. Dadas as dificuldades de deslocamento, a tendência contemporânea é de surgimento de áreas com autonomia, que sejam autossuficientes, cidades dentro da cidade – avalia Maria Isabel Marocco Milanez, professora da Faculdade de Arquitetura do Uniritter.

A face surpreendente do atual processo de expansão urbana de Porto Alegre é que ele ocorre em meio a um período de estagnação populacional. A metrópole está produzindo mais espaços novos para morar do que gente. Conforme dados preliminares do Censo, a Capital ganhou apenas 5 mil moradores durante a década inteira, enquanto as estimativas eram de 10 a 20 mil novos habitantes – por ano. Enquanto isso, a construção civil lançou cerca de 5 mil novas casas e apartamentos na cidade apenas em 2009.

Essa expansão imobiliária sem crescimento na população significa que as pessoas vão apenas migrar dentro da Capital, pelas pressões do déficit habitacional acumulado e pela subdivisão das famílias (solteiros e casais jovens estão entre os principais compradores). Para o professor Benamy Turkienicz, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRGS, esse processo de expansão urbana pela mera transferência de população vai inchar áreas novas à custa do despovoamento e da degradação de outras – vários bairros começaram a encolher já nos anos 90. Nesse quadro de ampliação da quantidade de imóveis e retração da população, Turkienicz é cético em relação ao sucesso de alguns empreendimentos em curso.

– O que vejo como risco é a despovoação e a perda de importância econômica e cultural, porque Porto Alegre não está planejando seu desenvolvimento. A cidade precisa se reinventar economicamente. Ela não se desenvolve fazendo só moradia – diz.

Zero Hora

 

 

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Categorias:COPA 2014

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5 respostas

  1. “Daqui a pouco nao sobra um casarao no Moinhos.”

    Casarão não gera emprego e não agrega valor econômico à cidade. E digo mais. Se no futuro, quiserem demolir as torres de 23 andares que a Goldztein quer construir..para construirem outras de 50 ou 100 andares, melhor ainda.

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  2. Tao muito certos os moradores! Daqui a pouco nao sobra um casarao no Moinhos. Vai ser tudo tomado por predios tipo pombais sem nenhum valor arquitetonico, marca registrada da Goldztein. Se ainda demolissem os casaroes para a construcao de torres de respeito…

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  3. Eu sempre me posiciono contra esses caras q são contra tudo nessa cidade, mas aqueles predios deveriam mesmo ser preservados. A prefeitura deveria compensar a construtora com indices construtivos em outros empreendimentos.

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  4. Espero que a visão tacanha de alguns moradores, como a associação dos moradores do Moinhos de Vento..não venham a perturbar o desenvolvimento. Agora esse grupelho de moradores está batendo pé ao querer barrar o investimento da Goldztein Cyrella, que já tinha sido aprovado pela Prefeitura…por causa de um punhado de sobrados velhos.
    Imaginem! Estão fazendo a campanha “espigão não”…numa área que já está cheia de espigões. Realmente não dá pra entender certos comportamentos histéricos de um grupo de desocupados.

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