Mercado Público de Porto Alegre desencoraja o uso da bicicleta como transporte

Na última quinta-feira, dia 25 de novembro, fomos como de costume fazer compras no Mercado Público de Porto Alegre em nossas bicicletas. Porém, como havia uma feira no largo Glênio Peres, não pudemos acorrentar nossas bicis nos postes da área e decidimos, na falta de local mais adequado, prendê-las nos portões do Mercado.

Fizemos nossas compras tranqüilamente e quando retornamos para pegar nossas bicicletas veio a surpresa: além da nossa corrente, havia outra corrente prendendo-as ao portão. No final das contas descobrimos que o cadeado era da equipe de segurança do Mercado e que eles possuem a ordem de acorrentar as bicicletas para desencorajar o seu uso. Indignados, mandamos um e-mail para a coordenação do Mercado Público, com cópias para vários e-mails da SMIC (Secretaria Municipal de Indústria e Comércio) e recebemos a seguinte resposta, no qual a responsável nos diz para deixar nossas bicicletas para momentos de lazer ao ar livre e não para utilizá-la como transporte para ir até o Mercado Público:

Em 29 de novembro de 2010 15:47,
<…@smic.prefpoa.com.br> escreveu:

Boa tarde.

Entendemos sua indignação mas, em uma cidade como Porto Alegre, onde não é habitual usar bicicletas como meio de transporte, uma situação como o ocorrido não é de surpreender.
Não estamos preparados para receber ciclistas e nem há previsão de bicicletário no Mercado Público. Não existem avisos por ser considerar-se óbvio que, em local público, não seja esperada a visitação acompanhada por bicicletas ou animais domésticos não havendo, portanto, um local que seja adequado ou seguro para deixá-los.
A orientação de prender ou apreender bicicletas é utilizada para desencorajar e advertir a prática, pois não podemos ser responsáveis por possíveis danos ou mesmo roubo que possam  ocorrer.
A partir de seu contato, pensaremos em soluções adiantando que tais  projetos precisam de um prazo razoável de avaliação.
Pedimos que considere as medidas tomadas não como grosseria, mas como um meio de proteger seu patrimônio pessoal.
Não deixe de vir ao Mercado  para prestigiar Eventos, fazer compras ou passear. Deixe sua bicicleta para aproveitar momentos de lazer ao ar livre. Já conseguimos progressos em construir ciclovias. Como vê, estamos “chegando lá”.
Esperamos sua compreensão.
Att
Coordenação de Próprios / SMIC

Alô, Prefeitura! Alô, Mercado Público! Ninguém quer que vocês se responsabilizem por possíveis danos a nossas bicicletas, só queremos um local apropriado para deixá-las enquanto fazemos nossas compras.

“Deixar nossas bicicletas para momentos de lazer ao ar livre”? É essa a visão da Prefeitura Municipal de Porto Alegre?

Se por acaso, alguém que vier a ler esse post, e também ficar indignado com isso, por favor, clique aqui para mandar um e-mail manifestando a sua opinião para nossos, assim chamados, “dirigentes”.

Publicado em novembro 29, 2010 por Marcelo

Retirado integralmente do Blog MASSA CRÍTICA

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Sugiro participarem do debate que está quentíssimo la no Blog de origem. Já foram mais de 150 comentários.

O Blog:  http://massacriticapoa.wordpress.com/2010/11/29/mercado-publico-de-porto-alegre-quer-desencorajar-o-uso-da-bicicleta-como-transporte-publico

 

SECRETÁRIO DA SMIC, VALER NAGELSTEIN, RESPONDE, ATRAVÉS DO PRÓPRIO BLOG MASSA CRÍTICA, A SITUAÇÃO EMBARAÇOSA QUE ACONTECEU NO MERCADO, COMO NARRADO ACIMA.

VEJAM O QUE ELE ESCREVEU !

Valter Nagelstein disse:

Senhores Munícipes:

Tomei ciência da resposta dada por uma servidora do Mercado Público acerca da questão das bicicletas. Apresso-me em desculpar-me com todos os que escreveram à SMIC, alguns indignados, informando que foi uma posição pessoal da colega, que não representa a visão da Secretaria, nem do Governo. A seguir, compartilho nossa visão:

A) É necessário sim o estimulo a transportes alternativos, tanto no diz respeito à qualidade de vida, especialmente no que concerne ao meio ambiente. No caso das bicicletas também uma melhor saúde;

B) De fato o Mercado Público não dispõe de uma estrutura que acomode as bicicletas. Já determinei que providências sejam tomadas no sentido de disponibilizar o mais breve possível um bicicletário;

C) Vale lembrar, sem querer apontar culpas ou responsáveis, que o Mercado tem 141 anos, e que até hoje governos de todas as matizes ideológicas ainda não haviam se apercebido desse lapso, que o presente episodio ajuda a aclarar;

D) Importante registrar também que a origem desse problema de agora, deveu-se ao fato de que uma bicicleta foi acorrentada em um dos portões do Mercado Público, o que também não é correto. Mas compreendemos que certamente isso ocorreu pela indisponibilidade do equipamento adequado para a guarda das bicicletas;

E) Eu próprio, como vereador e líder em 2009, fiz incluir na ordem do dia da Câmara de Vereadores a votação – e trabalhei pela aprovação – do Plano Diretor Cicloviário de Porto Alegre;

Reiterando nossas escusas, lamento somente o teor de alguns e-mails, que se valem de adjetivos e excessos que certamente não contribuem para a construção de caminhos positivos, imputando ao Governo, como disse anteriormente, o equivoco de uma servidora, que também não pode ser condenada por isso. Precisamos exercer a virtude da tolerância.

Por último, dizer que é visão desta secretaria e sob, o comando do Prefeito Fortunati, prestarmos um serviço público eficiente, ouvirmos o cidadão, corrigirmos equívocos e a cada dia tentarmos melhorar nossa cidade.

Atenciosamente,

Valter Nagelstein
Secretário Municipal da Produção, Indústria e Comércio.

___________________

Gostaria de parabenizar o altíssimo nível da resposta, o que é inerente a índole do Secretário Valter Nagelstein. Tudo esclarecido.

Gilberto Simon – Blog Porto Imagem



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18 respostas

  1. Julião, discordo totalmente. Se ficarmos esperando que a Prefeitura construa ciclovias/ciclofaixas para andar de bicicleta, isso nunca vai acontecer e Porto Alegre continuará o caos que é. Até porque, por mais que construam ciclovias, nunca vai ter uma saindo da porta da tua casa até o teu trabalho. Lugar de bicicleta é na pista também, quando não há ciclovia.

    Eu uso a bicicleta como meio de transporte e até agora não morri (óbvio) e nem fui parar no hospital. Sei que tem muitos casos de acidentes com ciclistas, mas isso não quer dizer que devemos deixar de pedalar. Se for por isso, que os pedestres parem de caminhar também, porque os motoristas também os desrespeitam e os atropelam!

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  2. O fato é que Porto Alegre (e todas as outras cidade brasileiras) não está preparada para as bicicletas e quem anda com as magrelas pelas ruas da cidade está correndo um risco tremendo.

    TODOS devemos lutar para a instalação cada vez mais de ciclovias e bicicletários; mas, antes disso, tentar fazer da bicicleta um meio de locomoção para o dia a dia é uma loucura.

    A minha idéia é de que “um outro mundo é possível”, mas, antes de querer viver nele, temos de criá-lo, transformando o mundo atual. E essa mudança de paradigma vai ser lenta e gradual, como todas as mudanças que não são impostas, mas democraticamente aceitas.

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  3. Eu sempre gostei daqueles pinheirinhos ornamentais bastante usados para fazer cercas vivas, mas existem várias opções que podem ser consideradas. Mas seria interessante mesmo alguma espécie que tivesse flores não adianta só entupir de mato verde, tem que ter alguma coisa que contraste para dar uma impressão mais viva. Diga-se de passagem, até ao redor do mercado mesmo poderiam ser colocadas umas cercas vivas naquela área aberta ocupada por mesas postas pelas lancherias.

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  4. Uma cerca de buganvílias ou ora-pro-nobis resolvia isso. 🙂

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  5. A questão do “telhado vivo” seria realmente o ideal, Marcelo, pois acaba sendo mais um “ralo de carbono” auxiliando na regulação térmica do centro. Mas para ter uma praça deveria haver segurança para impedir que crianças ou idosos pudessem cair, com um guard-rail ocultado por cercas vivas.

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  6. Sugiro participarem do debate que está quentíssimo la no Blog de origem. Já foram mais de 130 comentários.

    O link: http://massacriticapoa.wordpress.com/2010/11/29/mercado-publico-de-porto-alegre-quer-desencorajar-o-uso-da-bicicleta-como-transporte-publico

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  7. Deviam fazer uma lei também que exigisse que todo “edifício estacionamento” tivesse telhado vivo aberto ao público. Seria uma praça suspensa. 😀

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  8. Grande burrice tirar espaço da Praça 15 para fazer estacionamento, já tem aqueles terrenos vazios ocupados por estacionamentos particulares, seria mais racional ao menos um daqueles terrenos ser usado na construção de um edifício-garagem e os outros poderiam ser arborizados, reduzindo a quantidade de “ilhas de calor” no centro e neutralizando parte das emissões de gases estufa.

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