Portal Terra faz matéria nacional sobre o projeto do Cais Mauá

Cais Mauá busca inspiração no passado para projetar o futuro

12 de dezembro de 2010 20h33 atualizado às 21h36

Daniel Favero – Terra

Os arquitetos que elaboraram o projeto de revitalização do Cais Mauá, na região central de Porto Alegre (RS), se propuseram a desenhar o futuro na capital gaúcha influenciados pelo movimento modernista brasileiro da década de 20. Os responsáveis pela renovação, que deve custar R$ 400 milhões, explicam que o empreendimento foi baseado em ideias como: conectividade, contextualização, contemporaneidade, valorização do espaço público e criação de um forte marco arquitetônico.

Concepção artística dá ideia de como deve ficar o Cais Mauá após a intervenção. Imagem: Divulgação

O diretor da MSCA, empresa responsável pelo plano de negócios do empreendimento, Maurenio Stortti, diz que o projeto foi espelhado nos acertos dos projetos de revitalização do Porto de Barcelona, na Espanha, e do Puerto Madero, na Argentina. “Era um case muito similar: uma área velha, de costas para a cidade, que a população não usufruia, assim como ocorria em Barcelona. No espelhamos muito que foi feito lá, até pelas semelhanças culturais”.

A revitalização começará nas docas próximas à rodoviária de Porto Alegre, região onde serão construídas as torres com salas comerciais, e se estenderá até a Usina do Gasômetro, onde haverá um centro comercial. O coração do empreendimento será na região do Mercado Público, onde já existem um terminal de ônibus e outro de trem. “Naquele ponto haverá uma rampa que dará acesso direto ao trem, ao mercado e ao cais, integrando a área com o resto da cidade”, diz Paulo Kawahara, sócio do escritório Jaime Lerner, de Curitiba, explicando o conceito de conectividade do projeto.

Segundo ele, o empreendimento tem o objetivo de valorizar a região atraindo a população para o centro, o que evitaria o desperdício de energia com locomoção. “Vivendo no centro, as pessoas passariam a caminhar mais ao invés de usar o veículo próprio e usariam mais o transporte público”. Para ele, a concentração em regiões centrais foi uma das saídas encontrada por grandes metrópoles para conter o caos urbano.

O conceito de conectividade foi criado, em parte, pela separação histórica e física do Cais Mauá com o resto da cidade por causa de um muro. Segundo os arquitetos, não foi possível derrubá-lo, pelo temor de cheias, mas foram criados mecanismos de integração com a implantação de uma cortina de água, para amenizar a sensação de separação.

Para o espanhol Fermín Vasquez, do escritório de arquitetura espanhol b720 Arquitectos, outro principio importante, era o de que a intervenção deveria ser útil para revitalizar não apenas para o cais, mas todo o centro. “Tivemos que pensar não só no cais, mas na relação daquele lugar com a o resto da cidade. Para isso, por exemplo, propusemos que se limitasse a quantidade de empreendimentos comerciais, além de abrir a área para que fosse acessível a pessoas de todas as classes sociais, oferecendo qualidade, mas não de forma elitista”.

Um novo cartão postal

O projeto levou cerca de três anos para ser concluído. O escritório brasileiro ficou responsável pela parte urbanística e os espanhóis pelos elementos arquitetônicos. Ao todo, 25 profissionais de ambas as empresas trabalharam no desenho, no qual se buscou a criação de novo ícone urbano para a cidade, com fortes marcos arquitetônicos. “A idéia era de se criar um novo cartão postal para a cidade, para elevar autoestima da população e retomar a frente para o rio”, diz Kawahara. Para esse fim, serão construídas as torres cujo desenho é influenciado pelo movimento modernista brasileiro, da década de 20, além da construção do centro comercial e revitalização dos armazéns.

Vasquez, que possui escritório em Madrid, diz que a experiência no Brasil foi muito importante pela contribuição que o País deu para a arquitetura. “O movimento modernista brasileiro foi uma ilustre contribuição para a arquitetura moderna mundial. O Brasil é um dos lugares do mundo onde o movimento modernista trouxe melhorias no desenho arquitetônico. A interpretação brasileira da modernidade, para nós, sem dúvida, foi uma inspiração na hora de elaborar o projeto. A nossa proposta das torres, por exemplo, tem muito a ver com a arquitetura brasileira”.

Kawahara afirma que a sustentabilidade ambiental e o aproveitamento energético foram contemplados no projeto na área de cerca de 1 km que será ocupada por espaços verdes. “Está previsto o reaproveitamento da água da chuva nos prédios e coberturas verdes em várias partes”. O centro comercial, ao lado da Usina do Gasômetro, terá uma rampa verde que dará a sensação de continuação até a Praça Brigadeiro Sampaio.

A preservação, a valorização e o uso dos armazéns, patrimônios históricos da cidade, também são alguns dos princípios norteadores do projeto. “A identidade de um bairro, cidade ou país deve ser ancorada no seu patrimônio cultural e na memória do lugar. No caso do centro de Porto Alegre, os armazéns teriam um papel muito importante para essa valorização”, diz Kawahara, que compara essa proposta ao que foi feito no Puerto Madera, na Argentina.

Evitar erros

O diretor da MSCA, Maurenio Stortti, diz que o projeto elaborado pelo governo, há quatro anos, repetia erros cometidos em empreendimentos semelhantes, como na Argentina, onde a proposta era focada em um único tipo de negócio, a gastronomia. Outra mudança foi a adoção do modelo de concessão ao invés de Parcerias Público-Privadas (PPPs), para evitar a injeção de recursos públicos.

“Sabíamos que o modelo não tinha sustentação…. Em Buenos Aires o projeto também foi muito focado na gastronomia, mas só durou um ano e afundou. Eles tiveram que reformulá-lo e o empreendimento só se sustentou porque os investidores tinham recursos e conseguiram dar a volta com a implementação de uma área imobiliária”, explica.

Nesse sentido, o modelo espanhol do Porto de Barcelona serviu de base para o plano de negócios focado em diversas atividades. “Em porto Alegre serão 14 pontos de gastronomia, um shopping, um hotel, uma universidade, tudo focado em um público circulante de 30 mil pessoas por dia”, afirma Stortti.

O coordenador executivo do projeto de revitalização do Cais, Edemar Tutikian, diz que a ideia foi concebida de forma a evitar que se transformasse em um projeto imobiliário. Segundo ele, a área do Cais Mauá tinha suas particularidades e foi necessário definir um plano diretor especial, aprovado pela câmara de vereadores. Nas proximidades do Gasômetro, a altura máxima permitida para construções é de 14 m e nas docas 100 m (cerca de 42 andares).

Copa 2014

Stortti diz que, em virtude da proximidade da Copa de 2014, o governo gaúcho exigiu que 70% do empreendimento estivesse concluído até o início do evento esportivo. Segundo afirma Tutikian, o projeto vai “transformar o sonho de 30 anos em realidade”.

A vencedora da licitação foi a Contern, empreiteira que faz parte do grupo brasileiro Bertin, formado por quatro empresas espanholas, sendo que uma delas foi gestora da revitalização do Porto de Barcelona. No Brasil, o grupo foi o responsável pela obra do Rodoanel em São Paulo.

Portal Terra – 12 de dezembro de 2010, 21:36.

A matéria inclui uma galeria com diversas fotos do porto, atuais e do projeto também. Algumas delas inéditas, que trago aqui para nós no Blog:

 

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Categorias:Arquitetura | Urbanismo, COPA 2014, Muro da Mauá, Projeto de Revitalização do Cais Mauá, QUERO CAIS

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15 respostas

  1. Querido Augusto nem tudo é dinheiro.

    Já não somos mais animais selvagens, o poder sobre outras pessoas e outros grupos de pessoas/países já não deveria ser o objetivo de vida de nós que deveríamos ser os seres mais sábios do planeta.

    Tem um site que se chama http://www.google.com lá eu poderia ter descoberto que os presídios são responsabilidade do estado. Lá tu também poderia descobrir que existem diversos estudos que relacionam o tratamento dado às pessoas que construiram as Ilhas das Palmeiras em Dubai, torres reluzentes em Qatar, plataformas de extração de petróleo em Abu Dhabi à “escravidão moderna”.

    Lá tu ia ver que se todos seguirem o estilo norte-americano de vida precisaremos de 6 planetas terra em recursos ambientais mas PASME! Só temos um.

    O que tu acha? Ainda é viável um sistema que não respeita os direitos humanos e o meio ambiente?

    Isso é evolução ou regressão?

    Pergunto: político fala mansa/gente fina/corrupto/parceria que bagunça todas finanças do Brasil, que desvia dinheiro de obras de saneamento básico, que aprofunda a separação social deve resolver seus desvios na conversa ou deveria estar lá junto com a galera no presídio central?

    Muitos se acham muito longe de poderem cometer um crime. Por acaso alguém tem o costume de trafegar acima dos limites de velocidade? Um atropelamento de um pedestre na Ipiranga/Salvador França/Carlos Gomes, etc de um carro a 80km/h é crime!

    Cidadão ultrapassa na estrada onde era faixa dupla e atinge uma pessoa que estava atravessando a estrada. É crime!

    Aí o cidadão toma um vinho chileno com sua exelentíssima e depois vai no supermercado comprar pão. No meio do caminho um pouquinhozinho zonzo atropela uma velinha. Crime, da cadeia <–

    Aí cidadão dirigindo e o panaca da frente pára derrepente. Tu desvia brabo e atropela um pedestre que estava atravessando na faixa de insegurança: é crime!!!

    Carro é arma. Centenas de pessoas saem armadas na rua ter noção e cometem erros pois são seres humanos. O seguredo é não sair armado na rua.

    O que eu acredito é que um erro não justifica o outro. Todos humanos tem direitos, chamados curiosamente de direitos humanos.

    O estado deveria respeitar os direitos humanos e construir presídios ao invés de depósitos.

    A prefeitura deveria respeitar os direitos humanos e instalar lombadas para ressaltar a presença das faixas para virem a ser faixas de segurança.

    Trate bem a sociedade e ela será cada vez menos violenta.

    "Ai, preso não faz parte da sociedade!"

    Amigo myo, alguém que vai preso logo é solto. Se for bem tratado pode sair melhor ou igual a que entrou. Se for mal tratado vai sair pior.

    Muitas pessoas só precisam de uma chance. Projetos piloto de reintegração provam isso e por isso deveriam ser regra ao invés de excessão.

    Pesquise sobre o ex-prefeito de Bogotá Enrique Peñalosa e descubra o que aconteceu com a criminalidade da capital depois que ele passou a dar preferência ao pedestre, ciclista e ao transporte coletivo.

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  2. Kaouz, tens alguns pontos corretíssimos, mas estás misturando esferas ao falar em presídios. A prefeitura não tem responsabilidade nenhuma sobre o sistema prisional, isto é da esfera do Estado.

    Em relação aos investimentos concordo contigo. Faria muito mais sentido fazer pista de ônibus na Padre Cacique do que duplicar a beira-rio, na minha opinião. Ou pista de ônibus na Ipiranga, que é minha birra 😀

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  3. kaouz; “QUEM DEFENDE BANDIDO É COMPARSA”.

    Tu és muito suspeito ao defender a “casta” dos presidiários. tem certeza que a tua intenção é destruir a sociedade em nome da conivência com o banditismo. Opiniões como as tuas me revoltam.

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  4. “Pelo menos pelo que escrevem o modelo não são os Emirados Árabes ou Miami, sistemas falidos mas que persistem firmes e fortes.”

    Como é? Miami e Emirados Árabes são falidos? kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    Se eles são falidos, nós somos….falecidos.

    E quanto ao teu amor aos presos…faz o seguinte. leva eles pra trabalhar na tua casa e contrata um maníaco sexual pra trabalhar cuidar a tua filha.

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  5. Yeah, muito massa!

    Pelo menos pelo que escrevem o modelo não são os Emirados Árabes ou Miami, sistemas falidos mas que persistem firmes e fortes.

    Os empreendimentos tem que ser cada vez mais humanos, tem que dar preferência à qualidade de vida das pessoas caso contrário estaremos regredindo.

    Não ha estabilidade ou evoluímos ou regredimos.

    Vivemos em Porto Alegre um sistema peculiar de castas. Mentimos a nós mesmos e a nossos filhos sobre vivermos uma democracia.

    Quem acha que é um absurbo essa afirmação provavelmente faz parte de uma casta privilegiada para quem o governo deposita a maior parte dos investimentos.

    Ai, que absurdo!

    -> A maior parte das pessoas se locomove de busão ~ a maior parte dos investimenos em vias é para tentar melhorar o fluxo de quem anda de carro. <-

    Bicicletas realizam 30.000 viajens diárias e é um meio de transporte previsto em lei comprovadamente mais eficiente que o carro porém é muito mal tratada pela prefeitura e totalmente esquecida pela EPTC.

    Não ha dinheiro para construir presídios mas ha grana de sobra para mais viadutos e maiores vias. Os presos são tratados como a casta mais baixa da sociedade. São tratados pior que a maioria dos animais de criação mesmo sendo seres humanos. É uma violência que como qualquer violência tende a gerar mais violência.

    As nossas faixas de insegurança são a prova final: o conforto de quem anda de carro é mais importante que a vida e tranquilidade do cidadão que anda de ônibus e diariamente precisa cruzar caminhando por avenidas e ruas antes do destino.

    Não fosse assim teríamos lombadas antes das faixas.

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  6. Tem gente que não gosta e como tem RETRÓGRADOS no estado do RS.

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  7. O verdadeiro projeto do cais vai ter uma tenda do MST, um galpão da Via Campesina, um pavilhão de zinco para ONG’s natureba, um memorial do Che Guevara e um estátua do Fidel Castro nu em ereção.

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  8. Jake, pior que os oPTantes por colocar as raposas corruPTas a cuidar do galinheiro são ainda piores que mulher de malandro, pois gostam de sofrer e ao mesmo tempo fazer os outros sofrerem…

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  9. QUERIA, MAIS UMA VEZ, DAR OS PARABÉNS PARA QUEM VOTOU NO PT
    ELES TORNAM NOSSA CIDADE MENOS VALORIZADA E DEGRADADA…MAS VCS ADORAM SOFRER NÉ ? SAO IGUAL MULHER DE VAGAL

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  10. É uma tortura olhar as fotos e ler o texto, ver tudo o que foi feito e pensar que pode não sair.
    A maquete foi impedida de entrar no país! Até isso fizeram!
    O ParTido tinha que ser eleito bem agora!
    O RS não tem sorte.

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