HT Mícron começa construção até fevereiro

Empresários se deparam com diferenças de operação, diz Felizzola

Se fosse possível colocar uma planta de encapsulamento de semicondutores pronta no navio e trazer da Ásia para o Brasil, esse seria o cenário ideal para a HT Mícron iniciar a sua operação fabril no Tecnosinos, em São Leopoldo. O comentário, do presidente da empresa, Ricardo Felizzola, mostra as diferentes realidades que a operação, com sócios brasileiros e coreanos, tem enfrentado nos últimos meses.

“Como temos como referência o custo na Coreia, não estamos conformados com os praticados aqui. Mas isso se deve à maior competitividade nesse segmento lá, onde há muitos fornecedores, concorrentes e soluções ofertadas”, diz o executivo. Só para as obras civis, a estimativa é de que na Coreia seria possível construir uma fábrica desse porte com 1/3 dos custos que terão que ser empregados em território brasileiro.

Para reduzir esse impacto, a companhia buscou alternativas e a previsão é de que em janeiro ou fevereiro de 2011 as obras já possam ser iniciadas. Como recentemente a Hana Mícron, uma das sócias, construiu uma nova fábrica, diversos desenhos e outras soluções que já se encontram prontos serão aproveitados na HT Mícron.

“Vamos trabalhar muito na ponte aérea Porto Alegre-Seul. Essa é a grande vantagem da joint venture, pois temos parceiros que entendem muito bem desse negócio”, avalia Felizzola.

Com isso, a operação começa a virar realidade. Ainda em dezembro a empresa coloca no mercado os primeiros cartões de memória para computadores DDR2 e, em março, de DDR3. Por enquanto, os chips estão sendo importados pela Teikon, empresa gaúcha parceira nesse negócio. A expectativa é inaugurar a fábrica, inclusive com a sala limpa, em 2011. Dentro desse cronograma, em 2012 se iniciaria o encapsulamento dos chips e os primeiros produtos chegariam ao mercado entre abril e maio.

No futuro, baseada nas tecnologias disponíveis por sua parceira coreana, a HT Mícron poderá atuar nos mercados de memória flash, smart cards e tecnologia RFID (que faz a leitura de equipamentos sem fio através da radiofrequência).

A HT Mícron é uma joint-venture formada pela sul-coreana Hana Mícron e a Parit Participações, holding de investimentos que controla as empresas gaúchas Altus Sistemas de Informática, Altus Participações e Teikon Tecnologia Industrial. A previsão é de que serão feitos investimentos de, pelo menos, US$ 200 milhões nos próximos cinco anos. “Não conseguiremos cumprir o nosso plano de negócios se investirmos menos que isso”, reforça Felizzola.

Atualmente já foram aplicados US$ 4 milhões e, para a construção da fábrica, serão aplicados em torno de US$ 25 milhões. Os recursos destinados para os equipamentos girarão em torno de US$ 10 milhões a US$ 20 milhões. “Hoje existe um desconhecimento no Brasil sobre várias questões que envolvem a construção de uma unidade de produção de chips e, literalmente, pagamos caro por isso. É um trabalho árduo e longo, mas estamos on time”, assegura.

Priscila Pasko / GILMAR LUÍS

Jornal do Comércio

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Categorias:Economia Estadual

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