Artigo: O Muro da Mauá e suas comportas, por Ernesto da Cruz Teixeira

Muro da Mauá, visto do alto do Ed. Formac. Foto: Gilberto Simon / Porto Imagem

Agora que teremos a construção do novo Cais Mauá, o muro será assunto presente em todas as discussões e, antecipando-me a elas, respondo a uma leitora de Zero Hora que questionava “O que adianta o muro se seus portões estão todos quebrados e enferrujados?”. Respondo: o muro tem uma extensão de 2.647 metros e, ao longo desta cortina de proteção, existem 14 comportas (portões). Todos eles foram reformados e serão entregues recuperados no dia 19 de janeiro à população. Com um investimento de R$ 1,786 milhão, os novos portões poderão ser fechados em menos de 50 segundos com o acionamento hidráulico.

Nunca, até os dias de hoje, foi apresentado um projeto que garanta à cidade a proteção contra as cheias do Guaíba que o muro oferece. Engana-se quem acha que só em 1941 houve uma enchente de proporções e que, depois desse fato, nada mais houve que provocasse preocupações.

Em 1967 tivemos uma inundação que atingiu a cota 3,13 metros e o muro ainda não havia sido construí-do. Em 1984 foram 2,50 metros de cota e as comportas chegaram a ser fechadas. Em 2002 a cota atingiu 2,46 metros, chegando à beira da murada do cais.

O sistema de proteção contra cheias da cidade (diques em terra, muro da Mauá com suas 14 comportas e casas de bombas), conforme relatório do extinto Departamento Nacional de Obras e Saneamento (DNOS) datado de 1968, teve um custo de R$ 385 milhões, se considerarmos apenas a correção monetária até hoje, sem a estimativa do aumento do custo da construção verificado nessas décadas. Isto foi gasto para garantir à população uma maior segurança, pois esta é, sem dúvida, a grande responsabilidade do gestor público: garantir a segurança do cidadão.

Se não temos um projeto que garanta a proteção da cidade contra as cheias em substituição ao muro, se após 1941 já tivemos dois transbordamentos no cais e em 2002 faltou 0,50 metro para que isto acontecesse, que gestor seria capaz de assinar sua derrubada com segurança? Por isto, ele continua em pé, apesar de já terem passado pela prefeitura gestores de todos os partidos políticos desta cidade.

Ernesto da Cruz Teixeira é Diretor-Geral do DEP

Zero Hora

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Categorias:Muro da Mauá, Projeto de Revitalização do Cais Mauá

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12 respostas

  1. O Muro da Mauá é uma vergonha ao centro de Porto Alegre, deve ser sumariamente explodido. Independente do risco que beira o zero de outra enchente catastrófica, devido as barragens existentes ou outras que poderiam ser feitas, nada justifica essa aberração. Em pleno século XXI não é possível que não existam soluções mais sustentáveis e aprazíveis.. e parabéns aos engenheiros defensores da estética e das soluções medievais!

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  2. Só falta criarem uma ONG: Salvem o muro da Mauá.

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