“Nenhum sistema de drenagem no mundo suporta uma chuva dessa magnitude”, diz diretor do DEP

Arroio Dilúvio subiu cerca de 2,1m e quase transbordou

 

Aumento registrado nesta quinta-feira foi maior que o da última terça - Montagem sobre fotos de Alexandre Ernst

A Capital registrou nesta quinta-feira mais um episódio de chuva de curta duração e forte intensidade que provocou alagamentos e transtornos. Em cerca de 1h20min, choveu 71mm no bairro São Geraldo, 43mm na região próxima da Avenida Ipiranga e 35mm no Jardim Botânico.

Segundo o DEP, foi o equivalente a 21 dias de chuva em pouco mais de uma hora. Ernesto Teixeira, diretor-geral do órgão, definiu a chuva como “diluviana” e garante que ainda que o lixo seja responsável por prejudicar 60% do escoamento, com este volume da água qualquer sistema sofreria danos.

— Mesmo sem o lixo, que é um problema, nenhum sistema de drenagem no mundo suporta uma chuva dessa magnitude — afirma.

Na última terça-feira, situação semelhante ocorreu na cidade, porém, de acordo com o DEP, as pancadas de hoje tiveram consequências ainda maiores. Um acidente no Conduto Álvaro Chaves prejudicou o escoamento de parte da água.

A Avenida Erico Verissimo foi novamente um dos pontos mais críticos de alagamento. Teixeira diz que o quadro na região não é normal.

— A avenida já tinha apresentado problemas na terça-feira, vamos investigar o que está acontendo e pretendemos resolver até o final de janeiro, mas não podemos trabalhar com este tempo.

Conforme o diretor, metade dos pontos de alagamento já estão em obras ou com previsão de melhorias para os próximos dias. Uma delas é a Casa de Bombas Santa Teresinha, que promete acabar com os alagamentos históricos registrados no bairro Santana e região.

A chuva de hoje, mobilizou, de acordo com Teixeira, todas as 25 equipes de plantão do DEP, que estavam nas ruas fazendo a manutenção dos sistemas de escoamento.

Arroios

O Arroio Dilúvio subiu cerca de 2,1m nesta tarde e quase transbordou, de acordo com DEP. O aumento registrado hoje foi maior que o da última terça-feira e os pontos de nível mais alto foram os mesmos: Érico Veríssimo, Azenha e próximo à PUCRS.

— Fora da zona central, tivemos transbordamentos de alguns arroios, como o Arroio da Areia, no bairro Santa Maria Goretti – revela Teixeira.

Guaíba

Segundo o Programa Guaíba Vive e a Defesa Civil, o Guaíba não subiu em função da chuva de hoje. Os órgãos afirmam que ele está em um nível abaixo do seu normal, o que é comum nesta época do ano, e, por isso, dificilmente é afetado por estas precipitações de verão.

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13 respostas

  1. Rogério,

    Obrigado pelas respostas! Já tô de seguidor do teu blog, ele é muito bom!

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  2. Olavo

    Coleta de água da chuva nas próprias residências é algo empregado em todos os países desenvolvidos. A Prefeitura Municipal de Porto Alegre tem um legislação para isto, mas tem alguns problemas:
    1° – A idéia é captar num reservatório e enviar aos poucos através de um tubo de diâmetro menor para a rede.
    2° – Devido a falta de manutenção e cuidado dos donos dos prédios sujeitos a essa norma, os próprios engenheiros do DEP contrariam a norma e mandam colocar um diâmetro maior do que o calculado, para não entupir, como conseqüência não há uma “laminação da onda de cheia” (engraçado, mas é assim que se fala) saindo a água praticamente na mesma velocidade que entrou.
    3° – Para evitar a criação de mosquitos e outros vetores de moléstias, a norma não se aplica a residências uni-familiares, pois se supões a priori que não haverá manutenção.

    Olavo, em resumo, a idéia funciona, porém para ser aplicada no nosso meio deveria ter um enorme processo de educação, associado a punição de quem não respeitasse as normas. Neste último ponto não creio que o prefeito e os vereadores permitissem a aplicação de multas a grande parte da população (que seria o caso). Além de tudo sairiam os jornalistas escrevendo em nossos jornais:
    A prefeitura está usando o pretexto da fiscalização das caixas de detenção para aumentar o seu caixa.

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  3. Rogério Maestri,
    Qual a tua opinião sobre a coleta de água da chuva nos telhados para uso ou simplesmente para liberar aos poucos na rede? Tens algum dado técnico para acrescentar?

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  4. Caro José

    A impermeabilização do solo em áreas públicas é de responsabilidade da prefeitura, mas em áreas privadas, como o pátio da casa é do cidadão.

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  5. Chuva é dinheiro que cai do céu. As cidades estäo impermeáveis, com asfalto, concreto, telhados,(e ai enchentes) e se cada um reter a chuva em caixa de água, e se tivermos mais solo livre, permeáveis , e o uso do solo é de resposabilidade das prefeituras, certo??

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  6. Para quem tiver dúvidas s0obre a questão do dimensionamento da chuva para o arroio Dilúvio sugiro a leitura do Manual de Drenagem Urbana do DEP, (PMPA), neste manual sugere-se como tempo de retorno (Tr) para o dimensionamento de macro-drenagem na página 18
    Tr
    Macrodrenagem 10 – 25
    Zoneamento de áreas ribeirinhas 5-100

    Aplicando um período de retorno de 25 anos para o Dilúvio (valor nada conservador) e aplicando para os 80 minutos a curva IDF da Redenção (pg 24 do mesmo manual) resulta numa precipitação de 50mm.

    Conclusão: O valor médio na bacia (71 + 43 + 35)/3 = 49,66mm, ou seja na tampa.

    (Atenção: O cálculo de macro-drenagem não é tão simples assim, fiz algumas simplificações meio cavalares, mas a intensidade dada pela curva IDF é assim mesmo – ou até pior se pegarmos o tempo de concentração das bacias menores)

    O Manual do DEP é excelente, e está na rede, http://www.scribd.com/doc/43412391/Manual-Drenagem-Urbana

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  7. São 23:03 e o comentário que postei às 13:59 ainda aguarda moderação.

    Qual o critério?

    Estar falando contra a administração municipal?

    Sinto muito, mas as críticas são técnicas, não há nada que um engenheiro com algum conhecimento de hidráulica e hidrologia leia e não concorde.

    Alguém está aguardando o que?

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  8. Tecnicamente falando ele está correto quanto a micro-drenagem, entretanto o dilúvio não pode ser considerado como tal. Não há nada de fantástico nem de imprevisível ocorrendo na cidade é tudo EM TERMOS DE ENGENHARIA PERFEITAMENTE PREVISÍVEL, o problema que várias áreas da bacia do Dilúvio estão sendo impermeabilizadas e se ele há dez anos atrás já saía da sua calha certamente com o aumento da impermeabilização dessas áreas (como no entorno da 3ª perimetral ou no loteamento que está sendo construído pela Rossi na Ipiranga) mais cedo que pensamos teremos constantes transbordamentos do Dilúvio.

    O diretor do DEP está procurando com a história do lixo colocar a culpa na população, mas ele sabe que o processo de urbanização de áreas que eram mato passa o volume gerado por metro quadrado ser multiplicado por 4 a 6 (não é força de expressão nem é um número colocado aleatoriamente). A prefeitura permite construir o máximo possível desde que pague o chamado solo criado, aí depois a drenagem que era dimensionada para casas com jardins, não dá conta do recado.

    A responsabilidade não é do DEP, propriamente dita, a responsabilidade é de todas as últimas prefeituras que mudaram o plano diretor de Porto Alegre simplesmente ouvindo os arquitetos e os construtores.

    Quanto a casa de bombas na Santana, é uma piada, a água do dilúvio vai passar por cima da Ipiranga (como já passou uma vez) aí não adianta casa de bombas.

    Quanto ao conduto da Álvaro Chaves vão consertar de um lado e vai estourar pelo outro, eu sei porque…..

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  9. É preciso ser discutido sim o acumulo e o descarte inadequado de lixo por parte da população.

    Com o lixo obstruindo canalizações não há sistema de drenagem e escoamento suficientes.

    A prefeitura não pode levar toda a culpa, a sociedade é construida com base nos direitos e DEVERES da população. Enquanto todos ignorarem, ou não demonstrarem o devido interesse no assunto continuaremos a presenciar mais eventos como esse.

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  10. Olavo, Isso não seria o suficiente para acabar os alagamentos, pois rede pluvial necessita de manutenção constante (tanto de limpeza e reconstrução de rede e bocas de lobo ). A criação de coleta de água da chuva em alguns prédios amenizaria bastante.
    Marcelo Moraes, drenagem e escoamento de água estão diretamente relacionadas

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  11. Acho que o grande problema não é a drenagem, porque nunca vão haver sistemas suficientes, sempre vai ter uma chuva maior, o que precisa ser pensado é o escoamento da água, pra isso é preciso de planejamento das cidadess, levar mais a sério esta parte no tão discutido plano diretor, não só apenas as alturas dos prédios.

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  12. Se não me engano há uns 10 anos atrás um engenheiro apresentou uma proposta, em SP, para que construções com telhados maiores que uma certa área tivessem obrigatoriamente sistemas de coleta de água da chuva, e segundo os cálculos dele, isso terminaria com os problemas de alagamento da época.

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  13. “Esta filosofia de desenvolvimento do sistema de drenagem, que considera apenas a eficiência hidráulica do sistema (sem pensar em aspectos ambientais, estéticos, de convívio da comunidade com corpos d’água), em conjunto com um sistema de coleta e tratamento de lixos e esgotos ineficientes, provoca a degradação da qualidade da água no meio urbano e os corpos d’água se tornam grandes canais de escoamento de lixo e esgoto”
    Fonte: http://galileu.iph.ufrgs.br/aguasurbanas/Contents/Publicacoes/Downloads/Vladimir_Caramori/VALORIZACAO_AGUA_MEIO_URBANO.pdf

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