Presidente da AGDI, Marcus Coester diz que estado perdeu espaço por falta de articulação política

Vinculado ao setor empresarial, o porto-alegrense Marcus Coester presidirá a Agência Gaúcha de Desenvolvimento e Promoção do Investimento (AGDI). Coester é diretor da Fiergs e da Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica) e vice-presidente do grupo Coester, que atua nas áreas de automação industrial e sistemas de transporte de passageiros automatizados. O órgão que assumirá está vinculado à Secretaria de Desenvolvimento e Promoção de Investimento, comandada por Mauro Knijnik.

Coester foi convidado por Knijnik e já está se desvinculando das suas funções empresariais. No governo, ele será responsável pela atração de novos investimentos e promoção do desenvolvimento da indústria local. “Minha função será mais de elaboração de projetos e relações com o mercado. As questões de articulação política ficarão com o secretário (Knijnik)”, disse. E complementou: “O foco de atuação da AGDI está na relação externa com o mercado, enquanto que questões de logística e tributária também ficarão a cargo da secretaria”.

Empresário, com formação universitária em Informática e Mestrado em Administração de Empresas, Marcus Coster acumula experiências profissionais em diversos países, como EUA, França, Suécia, Alemanha, Indonésia, Argentina, México e Canadá. Marcus é filho do inventor do aeromóvel gaúcho, o empresário e engenheiro Oskar Coester.

O presidente da AGDI lembra que o Rio Grande do Sul já ocupou “um posto interessante no comércio nacional”. Posto que perdeu devido à “falta de inovação e articulação política”, afirma Coester.

Do seu escritório no grupo Coester ele conversou com o Sul21 por telefone:

Sul21 – Qual será a estrutura de trabalho da Agência?
Marcus Coester (MC
) – Existe um sistema de desenvolvimento econômico que será coordenado pela Secretaria de Desenvolvimento e Promoção de Investimento. Abaixo da secretaria está a Agência Gaúcha de Desenvolvimento e Promoção do Investimento. Vamos enxugar a estrutura da antiga Sedai (Secretaria de Desenvolvimento e dos Assuntos Internacionais) e abranger a Caixa RS, BRDE e Banrisul. Teremos uma diretoria de Atração de Novos Investimentos que trabalhará com o setor privado e outros setores do governo. Estamos ainda equacionando a estrutura física e de pessoal.

Sul21 – Quais são as suas propostas para a AGDI e como trabalhará com o secretário Mauro Knijnik?
MC
– A AGDI vai trabalhar buscando aumentar a competitividade e crescimento da indústria gaúcha e na atração de novas empresas, principalmente no setor das chamadas novas economias, como semicondutores, setor de máquinas e equipamentos, petróleo e gás. Devido à minha representatividade no setor industrial vou manter minha ligação com a minha origem. O tripé, muito utilizado na Fiergs — desenvolvimento, articulação da indústria gaúcha e visibilidade do Estado — servirá de base para nosso trabalho. A parte mais política ficará na articulação do secretário.

Sul21 – Qual a sua avaliação do mercado nacional e internacional e das condições que o Rio Grande do Sul terá para aumentar sua competitividade?
MC
– Nos últimos 20 anos, o RS perdeu espaço de uma forma muito desanimadora. E isso se deve a uma série de fatores. A economia é dinâmica e o avanço tecnológico impõe novos negócios. Nosso estado já ocupou um posto interessante no comércio nacional, mas, por falta de inovação e articulação política foi perdendo espaço para outras regiões. Inclusive, no seu principal polo de atuação: o agronegócio. Vamos recuperar isso. Temos indústrias de máquinas agrícolas importantes que não podemos deixar que se pulverizem. A nova economia exige planejamento e estratégia.

Sul21 – E qual será o planejamento e estratégia que o senhor irá propor?
MC
– Vamos aproveitar o alinhamento da Fiergs com o setor industrial e potencializar a indústria. Pensando na geração de empregos, geração de renda e benefícios sociais. Aproveitaremos também a posição que já alcançamos no mercado naval, petrolífero e de gás. Nós estamos participando menos do que poderíamos e vamos acelerar isso. O Rio Grande do Sul é o segundo polo de máquinas do Brasil e isso interessa para fortalecermos o comércio exterior.

Sul21 – Como o senhor pensa trabalhar para fomentar o desenvolvimento da Metade Sul e garantir um equilíbrio regional?
MC
– Como uma das ações prioritárias vamos criar o Plano Diretor do Polo Naval de Rio Grande, já que este é um grande motor para a Metade Sul e uma oportunidade que já está em andamento. Temos uma boa perspectiva no âmbito do que está por vir com o pré-sal, que nos dará um horizonte para os próximos 20 anos. Isso aumenta nossas condições de aumentar a abrangência dos investimentos. Pensamos com uma visão descentralizada para o setor de óleo e gás. Podemos aproveitar estruturas portuárias que já estão surgindo em outras localidades, como São José do Norte e Pelotas.

Sul21 – Devido ao seu vínculo familiar, inevitável fazer a pergunta. O aeromóvel criado por seu pai poderá ser uma isca para captar investimentos para o estado?
MC
– Não vou misturar as coisas. Mas, as áreas e projetos que já têm perspectivas de investimento serão aproveitadas. Já estamos pensando nas oportunidades que surgirão em função da Copa do Mundo de 2014 e isso inclui o aeromóvel, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). São ações que consomem equipamentos e são do interesse da indústria.

Rachel Duarte, Sul 21



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