Imagem inédita da privatização da orla do Guaiba

 Não é novidade que a Capital tem vastas áreas sem acesso à orla, que é privatizada, tem acesso proibido.

Imagens das mansões ou escolinhas de futebol já são conhecidas. Mas hoje achei essa imagem inédita de Orla Probida. Um ângulo que ningém vê ou tem idéia de como é. Conheça a Orla Proibida ocupada por favelas:

E não é num lugar longíncuo, longe da cidade.  É logo ali após o Barra Shopping.

Veja a foto grande, com todos os detalhes, aqui: .http://bit.ly/fECu7K

Essas imagens não são inéditas:

Há pescadores também. Mas quanto às construções, há favelas, sim. Já fiz pesquisa da FEE e andei lá dentro: chega a haver ruelas e becos, e é tudo irregular. Há casas sobre pelafitas, há casas miseráveis… mas também há casas muito boas! Casas com gente com carro novo na garagem… E há até comércios emrgentes, e CONTINUAM A SURGIR NOVAS CONSTRUÇÕES, como essa de três andares, e a prefeitura deixa. Deixa, não faz nada, e deixa aumentar ainda as construções miseráveis e as construções de classe média com dinheiro, tudo livre sobre nossa (nossa?) orla.

Os governos usam a desculpa de que ali é “diferente”, porque trata-se de pescadores. Isso é populismo. De direita e de esquerda. 

E assim, surgem predios novos de três andares…

Quer saber? Nunca alguém falou alguma coisa contra até hoje, então NUNCA vão sair essas casas dali.

Qual será o futuro de nossa orla? Toda ela. Um dia teremos acesso à nossa orla? 

Hoje só temos acesso na agradável Ipanema e no barranco do Gasômetro.

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Categorias:ORLA, Outros assuntos, Zona Sul

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50 respostas

  1. Srs.

    Considerando que todos têm direitos a expressar suas opiniões vai lá, mas temos que vir a pensar antes de simplesmente elaborar uma interminável discussão e fixa – lá a apenas a um preceito do qual não é correto efetuar afirmações e deduções a respeito de ponto de vista pessoal. Explicando melhor, seria mais correto e propício avaliar todos os direitos e todos os envolvidos na questão imposta, bem como, vila dos pescadores, clubes (Veleiros do Sul, SAVA Clube, Iate Clube Guaíba, Jangadeiros e etc..), residenciais com orla particular como temos no bairro Tristeza, Ipanema, Guarujá e por ai vai.
    A orla é de direito de todos sim, mas antes de rotular, degradar e impor com princípios pessoais os direitos que tem os moradores da Vila em questão deve-se também avaliar os demais envolvidos que bem sabemos são sim os mais beneficiados, os moradores em questão chegaram ao local com direitos impostos pelo governo da época. Gerações foram sendo criadas e sim foram evoluindo como todas devem ser.
    Questões levantadas como, talvez utilização de bens de consumo de Classe Média, bem como, carro e casa, claro as famílias tendem a buscar crescimento econômico.
    Os moradores da Vila dos Pescadores têm sim direitos a habitar o local no qual foi disponibilizado aos seus antepassados como no meu exemplo pelos meus avós há mais 70 anos, deve-se começar a discussão por direitos habitacionais e de uso de todos pelos clubes e condomínios de luxo que existem na orla.

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  2. Acho que aqui ninguém coloca em questão a qualidade das pessoas que moram ali. O que eu coloco em questao é o seguinte: se foi um desastre o que aconteceu em 41 em Porto Alegre… o que foi o que aconteceu na Europa em 45? Uma destuição de vidas humanas e bens incomparavelmente maior. Veja o que aconteceu lá depois de 70 anos… O que o poder público fez aqui depois de 70 anos?
    Não é a mesma coisa? Não é… mas isso justifica que depois de 70 anos estejamos ainda com essa situação sem estar resolvida? Vai precisar de 140 anos?

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    • Não dá para comparar tragédia com tragédia, pura e simplesmente. Como você deve saber, caro Jorge, uma guerra tem diversas motivações e tem muita grana envolvida. Inclusive, grandes avanços na história da humanidade foram atingidos com a 2.ª guerra mundial, a passar pela medicina, pela indústria automobilística, entre outras coisas. A Europa se recuperou por que era o centro do mundo, para o mundo não valia a pena ver esse continente destruído. Agora, vamos ao caso de Porto Alegre, uma cidade isolada que sofreu com uma tragédia natural. Nos recuperamos rápido, assim como a Europa, mas essa recuperação passou pela reorganização do espaço da cidade, na qual a Vila dos Pescadores faz parte. A Vila faz parte da história, não há como negar e aquele espaço não foi invadido, mas cedido. Não escrevi sobre as pesssoas da comunidade simplesmente para defender nossa permanência, mas para mostrar que na Vila dos Pescadores existem pessoas dispostas a lutar pelo futuro e preservar o espaço em que vivemos.

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  3. Caro Ricardo Haberland,

    Então você considera a orla do Guaíba proibida? Considera inédita uma imagem de comunidade que está instalada em um local há 70 anos, e que para quem conhece a história da cidade, marca a superação de uma das piores tragédias de Porto Alegre, que foi a enchente de 1941. A Vila dos Pescadores, essa mazela que você diz “manchar” a orla do Guaíba, marca a reorganização do espaço urbano na cidade de Porto Alegre, que sofreu grandes perdas econômicas e sociais em decorrência daquela enchente.

    Por isso, meu caro, a comunidade não se instalou por acaso, está ali, pois foi naquele local que os pescadores vindos da Ilha da Pintada tiveram condições de retomar suas vidas, e muito deram para nossa cidade. A Feira do Peixe Vivo, por exemplo, demonstra a contrapartida econômica da Vila dos Pescadores para com a cidade de Porto Alegre. Pessoas das mais variadas localidades, de diferentes condições sociais e econômicas visitavam a essa saudosa feira, que até hoje, para quem vivem naqueles tempos, provoca saudade.

    É meu amigo, com a enchente de 1941 muitas pessoas se viram desabrigadas da noite para o dia, pessoas produtivas, trabalhadoras e que através do ofício da pesca na Ilha da Pintada, muito proporcionaram para nossa cidade. Tu imaginas o que um prejuízo de 30 milhões de dólares, para uma cidade emergente como Porto Alegre, representou em 1941? Para muitas famílias, isso representou o recomeço e a Vila dos Pescadores é a materialização disso. Foi nesse espaço, cedido pelo então prefeito Loureiro da Silva, que os pescadores continuaram sendo muito produtivos para nossa cidade.

    Um pouco de história é bom para colocar as coisas no lugar, mas só de história ninguém vive. Certo? Por isso, estimado Ricardo, vamos aos dias atuais. Convido-te a rever ponto a ponto do que escrevestes nos teus comentários. A começar pelo termo “favelas”. Não somos vaidosos e prepotentes a ponto de considerar nossas habitações como casas de alto padrão, mas usar o termo favela para classificar a comunidade é exagero desnecessário. A menos que no termo favela esteja intrínseca alguma preocupação social, que neste caso, compartilho contigo, pois todos nós temos necessidades, inclusive você.

    E quanto à pesquisa da FEE, gostaria de ter acesso a ela, pois morando na Vila dos Pescadores a vida inteira, não tive conhecimento de tal pesquisa. Para nós da comunidade, ter acesso a ela será ótimo, pois com certeza é uma oportunidade de melhoria. Não te falo isso por demagogia ou por deboche. Nossa comunidade está se organizando sistematicamente para superar as dificuldades atuais, desde a questão das habitações até as de foro econômico e social. Talvez nessa pesquisa que você fez da FEE, o seu olhar deveria estar um míope e não percebeu que na Vila dos Pescadores acontece muito diferente de outros lugares da cidade, onde as pessoas se apossam do espaço urbano simplesmente para explorá-lo.

    Ricardo, não percebestes a quantidade de pessoas qualificadas profissionalmente que residem na comunidade? Temos muitas pessoas, descendentes de pescadores que conquistaram com muito suor o seu diploma universitário. Sim, meu amigo, a Vila dos Pescadores é um celeiro de talentos, temos médicos, enfermeiros, professores, advogados, administradores. E também, há muitas pessoas qualificadas em nossa comunidade, que compõem uma força de trabalho muito consistente e competente: pintores, construtores, carpinteiros, marceneiros, artesãos, jardineiros, enfim, pessoas produtivas é o que não falta em nossa comunidade, para justificar a ocupação do espaço em que vivemos.

    Bem, Ricardo, acredito que isso é suficiente. Ou melhor, não é. Por isso, te faço um convite: venha conhecer a nossa comunidade, a nossa realidade, os nossos projetos. Tu vais perceber que a Vila dos Pescadores não se trata de uma favela formada por pessoas que simplesmente se apropriaram de um espaço para explorá-lo, como ficou subentendido em tuas palavras. Se tu conheceres nossa história a fundo e nossa realidade, saberás que não estamos lá por acaso e que ao mesmo tempo, temos plena consciência das necessidades de melhorias em nossa comunidade. Estamos trabalhando para isso, preocupados com as questões ambientais, com a preservação do espaço em que vivemos e com o futuro.

    E se você acha que preservar a história é populismo, mande explodir todos os museus e memoriais da cidade, se isso te basta. Preservar história sem conteúdo é populismo, mas desmerecer a história de pessoas que ajudaram a reconstruir Porto Alegre é pura ignorância.

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  4. Quantos anos tu puxaste a privada, e nem tava ligado para onde iam os dejetos ou tava?
    Quanto a ser chamado de invasor da orla,como se qualquer um chegasse e dissese esse imovel e meu e ja era.Quem mora aqui, ou vem com sua moradia de geraçao a geraçao ou comprou meu amigo.Ouvi falar ate em falta de recursos,mas que recursos sao esses onde a comunidade e
    auto suficiente e bem estruturada,sem falar bem localizada,bem unida…..etc. A demagogia nao vence guerras, mas a provoca???????

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  5. Além disso, se usa no Rio o termo favela, a favela da Rocinha por exemplo, e nao tem problema.

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  6. Julio, o termo favela é depreciativo sem dúvida, mas não contra o morador da favela. A favela é um lugar sem condições dignas para se viver, mas o morador da favela é um ser humano digno, muitas vezes mais digno que pessoas que vivem em mansões. Chamar de favela é deixar claro o quanto a área precisa da ajuda dos governos, que não deveriam permitir essa situação. Chamar de vila, para quem não conhece o lugar, pode dar até dar a impressao que tem todos os recursos, que está tudo ok.

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  7. Sou nacido e criado em um bairro(favela)o qual meu pai foi pescador e sustentou tres filhos,como tambem deu estudo a eles,concordar com o termo favela me cheira a discrimanaçao racial e social,feita por pessoas que nao possuem nenhum tipo de criterio,e humanidade quando usam o termo (favela).Porque vcs nao ocupam a orla que esta aberta ao publico e em nenhum momento e visitada a nao ser por,bandidos,ladroes e traficantes;…etc.Seria mais um espaço para eles ou para voces?

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  8. Concordo que deva ser respeitado o direito a uma moradia, como levantado pelo Emerson da Silva Alves, mas da forma como é essa “vila de pescadores” é um abuso. Pior de tudo é ver que alguns, inebriados pela hipocrisia populista, acham até bom viver “dentro do rio” num lugar que é uma verdadeira gambiarra…

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  9. 1. Lembram da Vila Cai Cai?
    2. Uma boa solução para acesso à orla seria a conclusão da “Avenida Guaíba”, que consta em velhos mapas da cidade como “Avenida Projetada”, e hoje é composta por três bizarros segmentos completamente isolados uns dos outros. Pra que destruir, se dá pra construir?

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  10. Caro Emerson

    Chamo a atenção que neste blog, apoiado pelo vereador Adeli Sell, pelo prefeito José Fortunati e pelo secretário da SMIC Valter Nagelstein, tudo o que é de antigo em Porto Alegre, deve ser demolido e substituído por coisas modernas para que parte da população possa se deliciar no futuro (a parte rica), eles são contra o Anexo 1 do aeroporto (o aeroporto antigo), a chaminé do gasômetro, o muro da mauá, a rodoviária e a Vila dos Pescadores. Para a maioria das pessoas que comenta neste blog, tudo isto deveria ser demolido e substituído por ricos Hotéis, marinas e residências, aí, segundo eles, estaríamos no século XXI.

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  11. moro na orla na vila dos pescadores respeito todas as opiniões mans tenho meus direitos e isto é fato porto alegre tem muita coisa irregular muitos ricos prejudicam e não tem culpa alguma por causa do poder somos seres humanos e não marginais teremos que discutir muito sobre este assunto por enquanto vou curtindo morar dentro do rio como minha família faz a 65 anos quando um diretor do daer permitiu portanto o estado concedeu sobre descarga tudo pode ser resolvido em toda a cidade como vem sendo feito pela prefeitura nas obras de tratamento de esgoto lembrando sempre todos poluimos certo a onde vai parar teu esgoto não minta .

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  12. Achei muito interessante essa discussão. Acabei escrevendo um texto, longo demais para postar aqui, tentando entender a discussão comparando com um dos meus interesses, a tragédia grega. O texto é longo, só leia se também gosta da literatura grega. Coloquei no meu blog nessa página:
    http://jorgepique.wordpress.com/2011/01/21/a-orla-do-guaiba-e-a-tragedia-grega/

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