O que posso fazer pela minha cidade?, por José Fortunati*

Em plena década de 1960, quando os EUA estavam dando um novo salto de desenvolvimento, o então presidente John Kennedy provocava o povo americano com a seguinte questão: “Não pergunte o que o país pode fazer por você. Pergunte o que você pode fazer pelo país”. Atualizando e parafraseando a questão do grande presidente americano, acredito que a pergunta que devemos fazer é a seguinte: “Pergunte o que a sua cidade pode fazer por você. E pergunte o que você pode fazer pela sua cidade”.

É absolutamente legítimo e natural que todos desejem que a sua cidade lhes proporcione a melhor qualidade de vida possível. Todos pagam seus impostos, escolhem seus ve- readores e prefeito e desejam ter uma contrapartida adequada no que diz respeito à prestação de serviços nas áreas da saúde, educação, transporte público, saneamento básico e assim por diante. Deste modo, é absolutamente necessário que o cidadão esteja vigilante, cobrando tudo aquilo que entende que a cidade deve lhe oportunizar para melhorar o seu cotidiano.

O grande problema é que, de modo gradativo, estamos nos esquecendo de indagar “o que podemos fazer pela nossa cidade?”. Felizmente, Porto Alegre é uma metrópole onde a participação democrática da população é um verdadeiro exemplo para o mundo. São milhares de pessoas que participam ativamente do Orçamento Participativo, das associações comunitárias, dos Conselhos Municipais da Criança, das Mulheres, da Saúde, da Assistência Social etc.

Mas o outro lado da moeda tem demonstrado que ainda existe uma parcela significativa da nossa população que desconhece os direitos e interesses coletivos. Ou seja, desejam usufruir (legitimamente) de todas as benesses oferecidas pela cidade, mas não estão preocupadas em dar uma parcela da sua colaboração para torná-la ainda melhor. Basta andar pela cidade e perceber quantos indivíduos jogam lixo no chão, quantos monumentos encontram-se pichados, quantas paradas de ônibus foram depredadas, quantas lixeiras foram quebradas, quantos motoristas deixam de cumprir com a sinalização de trânsito, quantas árvores foram quebradas na via pública, quantos não conservam a calçada defronte ao seu prédio, e assim por diante. E isso não ocorre somente na Capital e nem tampouco é exclusividade das grandes metrópoles.

Imediatamente, todos reclamam, de forma legítima, que (a cidade, por meio do) o poder público tome as devidas providências para sanar o problema. Acabamos esquecendo, porém, de que tudo isso vai sair dos nossos próprios bolsos e que o município terá que investir, na recuperação, coleta e campanhas de esclarecimento, recursos que poderiam estar sendo mais bem alocados para políticas sociais de inclusão de quem mais necessita do apoio.

Como prefeito, assumo totalmente a responsabilidade que a prefeitura possui para dar as melhores condições possíveis à população. E quero continuar aperfeiçoando os serviços públicos. Mas enfatizo o questionamento: o caro cidadão e leitor está dando a sua contribuição para melhorar a nossa cidade?

*Prefeito de Porto Alegre

Zero Hora

 

 



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6 respostas

  1. Para todos.

    Postei no Blog do VALTER NAGELSTEIN uma pequena crítica sobre a sua última grande obra, cinco suportes para bicicleta no mercado público, um deboche básico, sem maiores desaforos, caiu na MODERÇÃO. Resultado outras opiniões dizendo. Pô cara tu és o máximo. E outras do gênero foram incorporadas, já a minha não.

    Sugiro que tentem fazer alguns comentários (sem palavrões, é claro) e divulguem se não obtiverem divulgação.

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  2. Caro rtd

    Está fraquinho mesmo, mas valeu a tentativa.
    Já destes uma olhadinha nos blogs do Adeli, do prefeito e do Nagelstein? Eu acho que estes sujeitos não tem assessores, ou escolhem os mesmos ou as mesmas por outros atributos. Se eu fosse político eu contratava um Ghost Writer só para corrigir os meus textos, como não sou, quem não gostar que passe açúcar.

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  3. Mas que textinho fraco, hein? Conscientizar a população exige muito mais oratória do que isso…

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  4. Vamos por partes.

    Primeira sugestão: Sugeriro ao senhor prefeito que coloque um Blog que seja Blog, pois o Senhor Prefeito tem um “Blog” só para fazer propaganda pessoal a medida que o seu “Blog” não aceita comentários (o mesmo ocorre com o “Blog” do Adeli).

    Segunda sugestão: Que o senhor prefeito aproveite o corpo técnico de engenheiros da prefeitura para planejamento de obras futuras. Não fique somente contratando consultoras para fazer coisas que o próprio corpo técnico da prefeitura poderia fazer, isto se chama valorizar o funcionário público. O que acontece que há diversos engenheiros capazes na prefeitura que são só usados para fiscalizar obras inadequadas propostas e projetadas por consultoras que algumas vezes, além do interesse justo de ganhar o seu lucro com o trabalho honesto, tem interesses escusos não aparentes.

    Vou fazer uma lista de sugestões, mas será que servirão para alguma coisa?

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  5. O’ o hermes ai….falou e disse apoiado 100%. Agora so’ falta ele tambem querer o Cais e ta’ feito o carreto.hehehe

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  6. Além de pagar os impostos, eu faço minha parte, mas o grande problema é que o EXEMPLO (mau exemplo, no caso) vem de cima, das elites dirigentes – empresários, políticos, dirigentes públicos, religiosos, autoridades civis e militares, etc. Quando um povo é de terceira categoria, suas elites serão ainda piores. Nossas elites destroem o patrimônio público, usurpam os recursos da coletividade, roubam donativos destinados aos desamparados pelas tragédias, desviam milhões de recursos da saúde (Funasa), traficam armas e drogas, poluem nossos rios e florestas (morte de peixes, enchentes etc.) . A partir desses péssimos exemplos, vindos do “andar de cima”, como é que poderíamos esperar um povo de qualidade – educado, asseado, respeitador do meio ambiente e do patrimônio público? O artigo do prefeito é ingênuo e superficial, e se limita a uma cobrança moral pra cima do povão que, é público e notório, é desonesto, preguiçoso, mal educado, inculto e relaxado (que possui os mesmos atributos, ainda que em menor grau, das suas elites, dos seus dirigentes).

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