NÓ NAS RUAS – Tranqueira no trânsito afeta 36% dos brasileiros

Pesquisa revela que 39% da população está insatisfeita com transporte público

Mais de um terço dos brasileiros é refém dos congestionamentos diários, segundo dados divulgados ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Segundo o levantamento, os engarrafamentos atingem 36,5% da população. Desse total, 20,5% ficam presos no trânsito mais de uma vez por dia, enquanto 16% enfrentam uma tranqueira por dia. Já aqueles que nunca ficam paradas são 31%.

De acordo com o levantamento, feito com 2.770 famílias em todo o país, as regiões onde as pessoas ficam mais tempo no congestionamento são o Sul (21,9%) e o Sudeste (21,6%).

O transporte público, principalmente o ônibus, é o meio de locomoção mais usado no país. No entanto, a qualidade do transporte público é ruim para 19,2% da população e muito ruim para 19,8%. O percentual de insatisfeitos, portanto, chega a 39%. Por outro lado, 26,1% veem o transporte público como bom e apenas 2,9% o consideram muito bom, em um total de 29%. Ele é regular para 31,3%.

Na Região Sul estão os mais satisfeitos com o transporte público: 44,9% o consideram bom ou muito bom e 23,5% o acham ruim ou muito ruim. O estudo aponta que, quanto mais escolarizada é a pessoa, mais crítica ela se torna em relação ao transporte público. Ele é bom ou muito bom para 34,9% das pessoas com até a 4ª série do Ensino Fundamental – 22,5% o acham ruim ou muito ruim. Já para quem tem Ensino Superior incompleto, completo ou pós-graduação, 20,1% o consideram bom ou muito bom e 36,9% o acham ruim ou muito ruim.

Dirigente pede investimento no setor

De acordo com o presidente do Ipea, Marcio Pochmann, o resultado da pesquisa indica uma discrepância de avaliação do transporte público brasileiro porque a população de menor renda, e que depende mais desse transporte, o valoriza mais, enquanto os de maior renda tendem a valorizar mais o transporte individual.

Na avaliação de Pochmann, o Brasil deveria dar ênfase ao transporte público:

– Em países desenvolvidos, o principal meio de transporte é o coletivo. Isso pressupõe investimentos em infraestrutura de grande magnitude e uma articulação do setor público com o privado, porque sem esse esforço vamos ter cidades com maior quantidade de automóveis que implicará congestionamentos mais amplos do que já temos

Gasto com transporte é igual ao de alimentação

O Sistema de Indicadores de Percepção Social (SIPS) sobre Mobilidade Urbana mostra que o gasto do brasileiro com transporte público cresceu nos últimos anos e que, atualmente, é praticamente igual à despesa com alimentação.

Em 2000, o gasto com transporte público abocanhava 18,7% das despesas da população, em média. Em 2010, chegou a 20,1%, enquanto a alimentação caiu de 21,1% para 20,2% no mesmo período.

Este dado citado na apresentação do estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) foi retirado da Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com o IBGE, entre 2002 e 2003, o brasileiro gastava mensalmente R$ 423,20 com alimentação. Em 2008/2009, a despesa com comida caiu para R$ 421,70. Já com transporte, o gasto médio passou, no mesmo período analisado, de R$ 375,90 para R$ 419,20.

Zero Hora

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Categorias:Meios de Transporte / Trânsito

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