Porto Alegre: Prefeito assina decreto para diagnosticar áreas de risco e famílias pedem orientação

Intenção é fazer um levantamento completo das situação dos moradores

Vanessa Beltrame | vanessa.beltrame@zerohora.com.br

Sem saber para onde ir, famílias fiam em áreas de risco no Beco Adelar, na Hípica. Foto: Ronaldo Bernardi

O prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, assina hoje um decreto instituindo o Programa de Fiscalização e Monitoramento Urbano Ambiental, que deve diagnosticar as ocupações irregulares em áreas de preservação ambiental e locais impróprios, inadequados ou sujeitos a desastres. A ideia é que seja feito um levantamento completo das famílias que vivem em áreas de risco na Capital para elaborar um plano de ação para o futuro.

Para os moradores, no entanto, a espera é demorada. Sem orientação e recomendados a deixar o local em que vivem, eles não sabem como agir. Com medo de um deslizamento, a dona de casa Daiane Araújo, 20 anos, que mora no Beco Adelar, na Hípica, precisou demolir a casa de madeira em que vivia com o marido e os três filhos:

— A minha casa era de madeira. Como era barranco, estava caindo e a gente teve que desmanchar. Uma cunhada me deu uma casa de material mais para baixo, mas a gente está com medo de dormir porque a água desce e vai fazendo um buraco. Vieram aqui e nos mandaram sair, mas não temos para onde ir. Não temos escolha — relatou.

A dona de casa Angelita França dos Santos, 42 anos, vive há 10 no Beco Adelar. Com a chuva, já perdeu o muro, que desabou prejudicando a estrutura da casa.

— Em uma chuva, deslizou meu muro. Na outra, deslizou o muro de pedra de uma vizinha e derrubou a casa ao lado. Isso foi no começo do ano passado. A nossa situação é bem complicada aqui — disse a dona de casa.

A família de Angelita não sabe como agir e, por ora, não pensa em deixar a residência:

— Para eu me mudar para uma casa nova tenho que vender a minha casa, mas vendê-la na situação que está não há quem compre. Então, temos que ficar aqui — lamentou a dona de casa.

O auxiliar de jardinagem Ricardo da Rocha, 36 anos, disse que as famílias que vivem no local esperam um projeto da Prefeitura para agir frente à situação.

— O pessoal considera aqui como se fosse uma área de risco e a gente sabe que pode acontecer uma tragédia mais cedo ou mais tarde — afirmou.

Prefeito diz que medidas atuais são “insuficientes”

Fortunati diz que o trabalho envolverá mais de 10 secretarias e órgãos ligados à Prefeitura. A intenção é revelar em que condições estão as áreas de risco e quais as medidas mais urgentes:

— Temos que ter um diagnóstico de cada uma destas áreas para que eu possa agir. Até porque não tenho condições de agir nas 40 áreas ao mesmo tempo. Com o diagnóstico, vou saber quais áreas vou ter que ‘atacar’ primeiro tecnicamente e sair do ‘achismo’.

O prefeito conta que, ao tomar conhecimento do desastre causado pelas chuvas na região serrana do Rio de Janeiro, pediu à Defesa Civil da Capital uma atualização sobre a situação das áreas de risco. Foi informado que pelo menos 4,5 mil famílias vivem sob perigo iminente de alagamentos ou deslizamentos em 40 pontos da cidade.

— Atualmente, existem medidas, mas elas são insuficientes para evitarmos os problemas. Eu percebi que tínhamos que tomar medidas mais profundas — disse.

Na cerimônia de assinatura do programa, que ocorre às 14h30min no Salão Nobre do Paço Municipal, também será firmada uma Carta de Intenções com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O objetivo é detalhar o mapeamento das 40 áreas de risco detectadas em Porto Alegre e estudar a necessidade de remoção das pessoas que vivem no local.

— A ideia é que, a partir do estudo levantado, nós comecemos a trabalhar o remanejo destas famílias — disse o prefeito.

Veja as regiões de risco:

Zero Hora

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Categorias:Meio Ambiente

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4 respostas

  1. Cara, graças a deus Poa não tem muito disso, não lembro de ter visto muitos casos.
    Bom que a prefeitura ta tomando uma atitude e evitando de deixar com que isso se torne um problema.

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  2. Este número ai deve considerar só as áreas de riscos e n as moradias em condições precárias… de qualquer modo, 4.5 mil é um número infimo q poderia ser resolvido facilmente em 2 anos…

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  3. Existem 4,5mil famílias em áreas de risco e só em 2010 foram removidas quase 1000 destas áreas? Me parece um bom ritmo.

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  4. Finalmente, os gestores municipais se acordaram. No mapa acima está assinalado aquilo que venho falando um dia sim e outro também a tragédia anunciada na Vila dos Herdeiros, na Lomba do Pinheiro, com a possibilidade de a REpresa da Lomba do Sabão explodir e levar tudo pela frente.
    Sexta feira, por minha proposição, vamos visitar o local com vários vereadores.
    Adeli Sell
    Vereador e Presidente do PT-POA

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