SEM INTERESSE – Empresários evitam assumir viaduto histórico

Lojas do Viaduto Otávio Rocha - Foto: Gilberto Simon - Porto Imagem

Convocados por edital, empreendedores ignoram chamamento da Smic para recuperar monumento

A intenção da Secretaria Municipal da Produção, Indústria e Comércio (Smic) de recuperar o Viaduto Otávio Rocha com apoio da iniciativa privada foi malsucedida. Empreendedores não responderam a chamamento público, feito por meio de edital há 60 dias, para apresentar projetos de restauração e possibilidades de novos negócios para a área.

O prazo para a apresentação de propostas terminou domingo. A ideia era selecionar uma empresa para realizar estudos técnicos, contemplando a revitalização e a viabilidade econômica do monumento tombado em 1988, na Capital.

Com o projeto definido, um empreendedor seria selecionado para assumir a estrutura na Avenida Borges de Medeiros, sendo responsável pela recuperação. Como contrapartida, poderia explorar economicamente os espaços disponíveis.

A proposta, do secretário Valter Nagelstein, pretendia acabar com uma série de dificuldades estruturais e financeiras, já que a maioria dos permissionários tem débitos de aluguéis com a Smic. O custo da reforma é estimado em R$ 10 milhões.

Empreendedores que administram um shopping chegaram a se reunir com a Smic, mas desistiram do negócio. Nagelstein avalia que a resistência dos atuais permissionários prejudicou os planos de encontrar um parceiro privado. Sem apoio dos empresários, Nagelstein pretende se reunir com o prefeito José Fortunati para definir um “plano B” para o viaduto inaugurado em 1932. Poderão ser usados recursos próprios.

Permissionários pedem união de forças

À frente da Associação Representativa Cultural dos Comerciantes do Viaduto Otávio Rocha, Adacir Flores não se surpreende com o insucesso da proposta da prefeitura:

– Quem iria investir R$ 10 milhões num patrimônio cultural? Quem tem de administrar mesmo é a prefeitura, pois é um bem público e tombado.

Flores avalia que o momento deve ser de união em busca de soluções. Contrário à proposta da prefeitura desde o início, o comerciante defende a recuperação do monumento por meio de verbas de emendas parlamentares e da Lei de Incentivo à Cultura (LIC). Para tanto, pondera ele, é preciso ter o projeto em mãos para solicitar os recursos. A proposta formal ainda não existe.

Na Semana de Porto Alegre, no fim do mês que vem, a entidade deve organizar um seminário em parceria com a Câmara de Vereadores. O objetivo é estimular a troca de ideias entre autoridades, comunidade, arquitetos e engenheiros sobre possibilidades para o viaduto.

– Não queremos confronto, mas chegar a uma solução. Com a nova visão do prefeito José Fortunati de ouvir a comunidade, acreditamos que será possível chegar a um denominador comum para recuperar o viaduto – diz Flores.

Zero Hora

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Se realmente a Prefeitura não investir, ou permitir investir neste viaduto, ele estará condenado a eternamente ser o que ele é: um antro de mendigos dormindo, lojas sem qualidade pra atrair turistas e mesmo consumidores mais exigentes. Ele será sempre um local de baixa frequência e de baixo nível no centro, além de sujo e sempre pichado. As lojas devem ser qualificadas, com os atuais permissionários ou não. Deve ser oferecido a eles a oportunidade também de investirem e tornarem seus negócios mais atrativos. Caso não queiram, devem ser orientados a devolver as chaves e nestes espaços vagos, a prefeitura instalar lojas de souvenirs, cafeterias, e outras atividades. Do contrário, quem vai querer visitá-lo nestas condições? Vale lembrar: o Viaduto é um próprio municipal, ou seja, um bem da prefeitura.  A hora que quiser, a prefeitura pode solicitar os espaços das lojas para revitalizá-los. E não vejo problema algum em ser feita licitação para definir uma empresa para gerenciar os espaços comerciais. A prefeitura não tem condições financeiras de arcar com tudo. E nem deve. Há outras prioridades em que deve focar-se. Que seja feita nova licitação, mas melhor divulgada e melhor estudada a fim de se tornar, também, um bom negócio para quem assumir. Se não tiver este enfoque, não terá sucesso.



Categorias:Patrimônio Histórico, Revitalização do centro, TURISMO, vandalismo

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5 respostas

  1. tinham que punir, de alguma forma, essas ditas ONGs que distribuem comida aos moradores de rua…essa atitude lamentável contribui, apenas, para fixar os mesmos nesses locais…se querem ajudar em algo, que levem comida aos albergues, pois lá é o local adequado para isso…se quiserem continuar com isso, que o façam à frente de suas casas e edifícios, então…
    [x2]

    Lugar de “ongueiro” é nas vilas fazendo trabalho social ou na cadeia junto com os “manos” que eles defendem com unhas e dentes…

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  2. – Esse local tem um potencial imenso a ser explorado, em virtude da localização e beleza…o problema é a vontade política em mudar alguma coisa, incluindo a melhoria na iluminação e retirada de mendigos (alguém já verificou como fica o viaduto à noite??)

    – Outra coisa: tinham que punir, de alguma forma, essas ditas ONGs que distribuem comida aos moradores de rua…essa atitude lamentável contribui, apenas, para fixar os mesmos nesses locais…se querem ajudar em algo, que levem comida aos albergues, pois lá é o local adequado para isso…se quiserem continuar com isso, que o façam à frente de suas casas e edifícios, então…

    “De boas intenções, o inferno está cheio…”

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  3. A minha teoria é que permitem a mendicância, a favelização e degradação das cidades (pichação, flanelinhas, camelôs…) para JUSTIFICAR um estado cada vez maior (com mais impostos, mais servidores com maiores salários, aumento da burocracia), mas que, no final das contas, o que menos importa é a qualificação dos serviços públicos.

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  4. Não tem comparação, mas no Japão a polícia não deixa ninguém dormir na rua, acorda o cara e manda circular.

    Sonho com cafés abaixo do viaduto da Borges, ocupando o espaço de duas ou três lojas atuais, com cadeirinhas na calçada, quem sabe um brique na rua aos finais de semana…

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  5. É complicado, não tem espaço pra explorar, é um ponto turistico, as lojinhas que tem nele são minusculas, acho que seria muito investimento pra pouco retorno.
    Não tem nem terrenos em volta pra prefeitura liberar alguma construção para que possa explorar junto o viaduto.

    Acho que o que poderia ser feito, é a prefeitura reformar o lugar, botar as lojas para alguma loja;empresa ficar, e nisso, ao invez de pagar uma mensalidade de aluguel, que a empresa que se instalar ali, coloque seguranças durante o dia e a noite para evitar problemas.

    Mas ainda assim, duvido que consigam tirar mendigos na noite, ja que alguns diriam que é anticonstitucional.
    ¬¬

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