Padrão alto, oferta baixa

Gerente da unidade de Porto Alegre da Domínio Sistemas, Rodrigo Bogoni, conta que a empresa catarinense levou mais de quatro meses para alugar um andar inteiro em um prédio na esquina das avenidas Carlos Gomes e Nilo Peçanha - Jean Schwarz

Chegada de novas empresas e projetos de ampliação limitam número de imóveis comerciais na Capital

Os negócios no Estado prosperaram, apareceu a necessidade de contratar mais funcionários, e a catarinense Domínio Sistemas se viu forçada a procurar um endereço mais amplo em Porto Alegre. A tarefa, no entanto, foi árdua. Foram mais de quatro meses esquadrinhando imóveis comerciais em pontos nobres da Capital até encontrar um andar inteiro em um prédio na esquina das avenidas Carlos Gomes e Nilo Peçanha, um dos pontos mais valorizados da cidade.

A penosa busca da Domínio Sistemas ilustra a escassez de oferta de escritórios de alto padrão em Porto Alegre detectada por uma pesquisa da consultoria de serviços imobiliários norte-americana Cushman & Wakefield. A taxa de vacância em Porto Alegre no último trimestre do ano passado foi de apenas 3,8%, enquanto a média nacional entre sete capitais analisadas ficou em 7,8%. Na comparação com as demais cidades, apenas Brasília teve um percentual menor, 2,5%.

– As novas ofertas não estão dando vazão à demanda. O ponto de equilíbrio é uma vacância entre 8% e 12% – diz Mariana Hanania, gerente de Pesquisa de Mercado para América do Sul da Cushman & Wakefield.

Para as imobiliárias locais, além do reduzido número de novos espaços para locação, a chegada de multinacionais e companhias de outros Estados à Capital e até mesmo a necessidade de ampliação de espaços por parte de empresas gaúchas colaboram para a escassez. O gerente de Aluguel Corporate da Auxiliadora Predial, Mercelo Feijó, observa que antes as empresas buscavam escritórios mais amplos e costumavam desocupar os imóveis onde estavam. Agora, além de novas salas e andares inteiros, boa parte dos inquilinos não abre mão dos espaços já utilizados. E a carência de imóveis, relata Feijó, é ainda maior para áreas acima de 500 metros quadrados.

Para a gerente comercial de locações da Guarida, Milena Machado, os incentivos à casa própria também influenciaram o cenário.

– A construção civil esteve mais voltada ao segmento residencial, mas enquanto isso a demanda de espaços comerciais cresceu significativamente de dois anos para cá – ressalta.

O descompasso entre oferta e demanda, entretanto, não teve impacto nos preços dos aluguéis. A pesquisa da Cushman & Wakefield mostra que, entre outubro e dezembro do ano passado, o valor médio do metro quadrado útil ficou em R$ 51,3, ante R$ 51,5 no quarto trimestre do ano passado. Nas regiões mais valorizadas, o preço pode chegar a R$ 60.

Rodrigo Bogoni, gerente da unidade de Porto Alegre da Domínio Sistemas, relata que a Capital gaúcha foi a praça onde a empresa – com filiais em 15 Estados – teve mais dificuldades para encontrar um novo ponto que atendesse às necessidades de espaço e localização. A empresa se mudou em dezembro.

– Porto Alegre foi a cidade mais difícil de achar e, depois de São Paulo, foi o local mais caro – afirma Bogoni.

escassez pode continuar nos próximos anos

A pesquisa da Cushman & Wakefield mostra ainda que, se a disponibilidade de escritórios de alto padrão em Porto Alegre já está reduzida, o aperto pode ser maior nos próximos anos. No levantamento sobre novos imóveis que chegarão ao mercado até 2014, a Capital aparece como a cidade com o menor crescimento da oferta em relação ao estoque atual. Hoje, são 229 mil metros quadrados, e a pesquisa aponta uma perspectiva de crescimento de 30%, o equivalente um acréscimo de 69,6 mil metros quadrados.

No Rio de Janeiro, o aumento da oferta será de 32%, mas o estoque da capital fluminense é quase sete vezes maior em relação a Porto Alegre, e a atual taxa de vacância também é superior, de 5,7%. A cidade com a maior expansão esperada é Salvador, onde a oferta deve subir 198%.

Zero Hora



Categorias:Economia da cidade, Imóveis

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6 respostas

  1. Bom dia pessoal, se vocês estao encontrando dificuldade em encontrar imóveis comerciais em Porto Alegre entrem em contato comigo, pois tenho divessas opções de imóveis para venda e locação.

    Abraços

    Vinícius Medeiros Wurdig
    Gerente Comercial Predial Leindecker
    Tel.: 30223000 – 96399283

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  2. Eu não tinha visto a tabela, acessei só a versão online. Vi no SSC agora que tu colocou a pagina da ZH.
    De qualquer forma, criar novas salas lá, restaurar edifícios e construir novos. Há muitos edifícios abandonados, esqueletos (não tô falando nem do esqueletão clássico). Eu sei que o centro não tem vagas agora porque é muito barato uma sala comercial no centro. Qualquer picareta agiota possui uma sala comercial no centro.

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  3. Anderson, segundo aquela tabela que saiu ao lado da reportagem na ZH dizia que o Centro tinha taxa de vacancia de 0%!!!!!!

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  4. Eu passei o dia fora e achei que ia ter bastante comentários nesse post.
    Mas não, é claro. É difícil enxergar as possibilidades e sim só os defeitos na cidade.
    Tá quicando nessa matéria a solução para o Centro! Quantos edifícios poderiam ser restaurados e outros construídos em lugares que ainda pode-se construir no centro? Lá pode voltar a ter a melhor oferta de salas comerciais. E se na Nilo, na Carlos Gomes e outras o preço está salgado (a informação de que está só mais barato que SP é preocupante), porque não atrair esses escritórios pro Centro?
    Já ouvi alguma coisa que estão querendo levar a área de TI pro Centro, criar o Tecnocentro, já que o Felipe tocou no assunto da área de TI. Seria uma boa. Acho legal isso de criar ghetos de profissões específicas. Tipo, o Moinhos é repleto de agências de publicidade, consultórios médicos e escritórios de advocacia. O Centro pode se especializar em outras áreas e assim por diante.

    Quanto a qualidade dos prédios, lembrei de uma coisa interessante – e preocupante.
    Quando eu criava as campanhas para a Goldsztein, sempre eu dava um jeito de colocar a fachada dos edifícios nos anúncios. E muitas vezes comprava briga com os Atendimentos que não queriam que eu colocasse porque, segundo pesquisas, fachada não VENDE aqui no RS. Que os gaúchos preferem conhecer a planta, os espaços, independente da aparência do edifício.
    Acho válido que a população se preocupe bastante com a planta e se interesse por isso. Mas é preocupante que a fachada do edifício pouco acrescenta na decisão de compra.
    Esse detalhe faz com que as construtoras pouco se importem com a fachada. Não é a toa que grandes lançamentos que temos acesso nos jornais possuem area externa interessante, plantas interessantíssimas, mas o edifício em si não passa de um caixote sem graça.
    Mas por favor, não me venham com lengas-lengas de que o gaúcho de acha demais, se acha um ser superior e ignora a beleza da fachada. Ou que come costela e arrota picanha. Esse assunto já deu o que tinha que dar e me dá pena de quem ainda acredita que o gaúcho é mais arrogante que o resto do país.

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  5. Everton, pior que acho que a falta de oferta só tende a sair prédios piores, pq vai vender de qualquer jeito…

    O que me chama atenção no artigo é por que temos essa coisa de achar que empresa de TI tem que ficar em área nobre, principalmente a parte de desenvolvimento em si. Trabalho na área, e sei bem que podemos exercer a profissão em qualquer local com bom acesso à internet.

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  6. Espero que melhore a qualidade pelo menos externa dos prédios, pq parecem grandes cxs de sapato. A própria Carlos Gomes e arredores, que seria a área mais rica da city, está ficando bem feinha…acho q devem contratar mais arquitetos ( deve ter vários desempregados…) e talvez alguns construtores chineses, para dar um toque nos caixotões!!
    Afinal que caracteristica tem a arquitetura moderna do Brasil?
    E essas grandes construtoras que fazem para melhorar a urbanizaçao no país e respeitando a paisagem das cidades?
    Dêem bons exs e não fiquem somente no acumulo de lucro a qqer preço!!
    Pq a tendência e termos q colocar abaixo grande parte desses prédios no futuro!

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