Criatividade se torna uma grande aliada para as cidades

Polos de conhecimento e cultura impulsionam a inovação

Tecnologia da Informação gera emprego, riqueza e propriedade intelectual para as empresas

A criatividade deve ser levada mais a sério no Brasil. Para a economista Maria Alice Lahorgue, professora do programa de pós-graduação em Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) e especialista em Desenvolvimento Regional, atividades criativas, que vão da publicidade ao teatro, passando por Tecnologia da Informação (TI) e Comunicações, devem ser entendidas nas suas características próprias. “São setores que podem gerar riqueza e empregos, além de propriedade intelectual para as empresas”, observa.

Maria Alice participou ontem da primeira edição do ano do encontro “Diálogos da Inovação”, promovido pela INDEXtech, empresa responsável pela criação de diversas metodologias de avaliação para organismos e entidades como a Unesco e a Associação Brasileira de Engenharia de Saneamento. A empresa foi criada em 1994 por profissionais da área de gestão que participaram diretamente da criação do Programa Gaúcho da Qualidade e Produtividade (PGQP).

O debate, que teve como tema central as Indústrias Criativas, destacou a importância da existência de polos de conhecimento e cultura responsáveis pelo impulso à inovação em diversos países. “Nas grandes cidades, sempre vai ter gente trabalhando com cinema, televisão e empresas de informática. O importante é fazer com que essas áreas tenham uma sinergia e políticas públicas próprias”, defende.

Londres foi a primeira cidade a efetivamente abraçar esse conceito de atividades criativas, na década de 1990, a partir da união de agentes e ações direcionadas para essa área. Depois disso, foi seguida por cidades de outros países. No Brasil, um dos destaques é o trabalho que vem sendo feito no estado do Rio de Janeiro que, em função da preocupação com a economia regional, começou a olhar mais atentamente para atividades criativas capazes de incrementar a economia.

Um dos produtos dessa política é o Porto Maravilha, que buscar incentivar atividades que gerem emprego e renda na região portuária. O projeto contempla a restauração do bairro com inserção de museus, teatros e empresas de informática que atuarem como um instrumento de desenvolvimento econômico.

Já em Porto Alegre, destaca Maria Alice, em termos de políticas públicas a cultura ainda está inserida no capítulo de inclusão e não em desenvolvimento econômico. Existem na Capital 18 mil empregos formais no setor criativo, em 1,3 mil estabelecimentos. “As cidades globais são cada vez mais identificadas pelo poder de decisão econômica que possuem e pelos serviços diferenciados que oferecem. Tudo isso faz com que a gente olhe o setor criativo de forma mais estratégica”, diz.

Jornal do Comércio



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