Guaíba vai restaurar presídio da Ilha da Pólvora

Antigo presídio da Ilha da Pólvora vai virar ponto turístico Crédito: Cristiano Estrela

Local foi fechado na década de 1980 e agora será transformado em ponto turístico

A Ilha das Pedras Brancas deverá ser transformada em ponto turístico. A Prefeitura de Guaíba obteve prorrogação do prazo de concessão, para colocar em prática o projeto de revitalização. A ilha também é conhecida como Ilha do Presídio ou Ilha da Pólvora, pois foi depósito de pólvora no Império e serviu de laboratório de pesquisa da peste suína na década de 50, e hospedou prisioneiros a partir de 1956 – incluindo presos políticos como o ex-prefeito da Capital Raul Pont, o ex-deputado estadual e ex-marido da presidente Dilma Rousseff, Carlos Araújo, o vereador Índio Vargas e o juiz João Carlos de Bona – no regime militar de 1964.Em 4 de abril de 1983, o governador Jair Soares mandou fechar a prisão e, desde então, a área de 4,5 mil metros quadrados foi tomada pela vegetação e tem sido alvo constante de vândalos e pichadores. A intenção do prefeito Henrique Tavares é salvar uma parte da história do RS, transformando a área natural e edificada em ambiente de Educação Ambiental, Histórico e Cultural, visando à estruturação de um potente espaço de atração turística e de pesquisas históricas e científicas. A prefeitura foi contemplada com mais 25 anos de uso da ilha – o primeiro convênio, formalizado em 2005, tinha validade de cinco anos.Segundo o prefeito, é um desperdício desprezar as belezas naturais da ilha, que foi cenário de conflitos históricos. “Guaíba vai lutar para revitalizar a área e transformá-la em atrativo turístico e histórico, com consciência ambiental”, diz Tavares. Um dos objetivos é criar um memorial com ênfase para os diversos usos do local, com o menor impacto possível ao ambiente natural. Está prevista a restauração dos prédios e a construção de passarelas e mirantes elevados, para possibilitar a visitação do público com conforto e segurança.Ao longo das trilhas, além da magnífica paisagem, será possível identificar a maioria das espécies vegetais. Tavares destaca que a água para consumo humano será produzida na ilha com a implantação de uma pequena estação de tratamento, e os resíduos sólidos devem ser transportados para Guaíba e depositados no aterro sanitário municipal. 

Local recebeu prisioneiros políticos

Entre os muitos casos envolvendo a Ilha das Pedras Brancas que ganharam repercussão está o do preso político e ex-sargento do Exército Manuel Raymundo Soares. Em 24 de agosto de 1966, ele foi encontrado morto nas águas do Guaíba, com as mãos amarradas e sinais evidentes de tortura. O crime, conhecido como “Caso das mãos amarradas”, motivou uma série de discussões quanto ao tratamento dispensado aos presos políticos no Estado.

O primeiro caso de fuga da ilha, contudo, foi em 1956 – do estelionatário Júlio de Castilhos Petinelli. No discurso feito aos presos quando eles foram transferidos, o diretor do antigo “Cadeião” do Gasômetro falou mais para o fujão Petinelli do que para os demais: “De lá não existem fugas”. Em menos de três meses, Petinelli ficou encarregado da cozinha e lavava os panelões no Guaíba. Ele descobriu que com dois panelões grandes e um remo improvisado poderia chegar em Ipanema, um bairro de Porto Alegre. Em uma noite escura, ele e um companheiro remaram durante dez horas até chegarem em um barco próximo da margem. Em terra, contudo, a Polícia os esperava. Atualmente, a ilha abriga as ruínas do antigo presídio. Apenas as estruturas dos prédios onde ficavam a sala da guarda e as celas ainda resistem às intempéries. Além disso, as guaritas estão parcialmente destruídas.

Ocupação ocorre em 1857
 

 
A ocupação da Ilha das Pedras Brancas iniciou em 17 de julho de 1857, quando o Exército construiu no local a 4 Casa da Pólvora de Porto Alegre, que funcionou até meados de 1930. Na década de 50, passa ser utilizada como laboratório para desenvolver vacina contra a peste suína.

Casa prisional até 1983

Em 1956, a ilha passa a abrigar uma penitenciária de segurança máxima. Durante a ditadura, uma ala da casa prisional recebe presos políticos. Em 1973, a prisão é desativada, reabrindo em 1980. Denúncias de torturas e maus-tratos levam o governo do RS a desativar o presídio em 1983. 

Happy hour no Guaíba

Após a desativação do presídio surgiram muitos projetos de ocupação, mas, até hoje, nenhum foi colocado em prática. A ideia agora é implantar um Espaço Gourmet na ilha, possibilitando alternativa de happy hour aos visitantes.

Agenda de passeios

A AMA e a Associação Movimento Pró-Cultura de Guaíba há anos promovem passeios guiados, limpezas e colocação de placas que resgatam a história e possibilitam o contato com o ambiente da ilha e imagens espetaculares das cidades de Guaíba e de Porto Alegre. Próximas saídas: 3 de abril; 1 de maio; 5 de junho; 3 de julho; 7 de agosto; 4 de setembro; 2 de outubro; 6 de novembro; 4 de dezembro.

Horários: 8h, 9h, 10h e 11h.

Custo: R$ 10,00 por pessoa.

Local de saída: Atrás da Estação Rodoviária de Guaíba – Av. João Pessoa, 966.

Reservas devem ser feitas pelo e-mail ilhapedrasbrancas.guaiba@gmail.com ou através dos telefones (51) 9616-7059 (Valmir) e 9963-2970 (Eduardo).

Cronologia

  • 1857: A 4 Casa de Pólvora é erguida pelo Exército imperial
  • 1930: A ilha é abandonada pelos militares
  • Década de 1950: Passa a abrigar um laboratório de pesquisa para vacina contra a peste suína
  • 1956: Transformada em prisão
  • 1964: Presos políticos passam a ser enviados para a ilha
  • 1972: Raul Pont e Carlos Araújo são transferidos para a ilha
  • 1973: Presídio é desativado pela 1 vez, com morte de Eduardo Alves da Silva, ladrão de automóveis preso irregularmente
  • 1980: O sequestro do cardeal dom Vicente Scherer motiva a reativação do presídio pelo governador Amaral de Souza
  • Abril de 1981: Comissão de Cidadania e Direitos Humanos inspeciona o presídio em razão de denúncias de maus-tratos
  • 6 de setembro de 1981: O estelionatário Jardelino de Barros foge da ilha de caiaque
  • 25 de fevereiro de 1982: O veleiro do juiz Monte Lopes é metralhado por suspeita de tentativa de ataque à ilha
  • 18 de setembro de 1982: Os traficantes João Carlos Faleiro e Hector Martins Thomaz morrem afogados durante a fuga
  • 1983: Julio de Castilhos Pitinelli foge navegando em um imenso panelão
  • 4 de abril de 1983: Governador Jair Soares fecha a prisão
  • 8 de abril de 1983: A administração da ilha passa para a Secretaria de Turismo
  • 2005: Prefeitura de Guaíba é autorizada a explorar a ilha por cinco anos
  • Março de 2010: Governo do Estado amplia cedência da ilha para Guaíba por mais 25 anos

 Correio do Povo

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Categorias:Patrimônio Histórico, Restaurações | Reformas, TURISMO

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7 respostas

  1. Phil

    Tiraste as palavras da minha boca.

    Manda ele com os mendigos, flanelinhas, mst e afins que os simpatizantes petistas defendem com unhas e dentes

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    • Eu acho que nosso presidio deveria ser mais alguns objetos preservado mais hoje acho que não sobrou nada. E também seria bom as escolas estudarem sobre a época do presidio e conhecer nossa historia.

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  2. Concordo na íntegra, Phil.

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  3. Acho que deveriam revitalizar a prisao que tinha la, e mandar Raul Pont de volta, ser o primeiro presidiario.

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  4. alcatraz………… SF

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  5. Acho que deveríamos ter um passeio de barco que visitasse essa ilha, aquele ilha em frente ao centro de PoA (que esqueci o nome) e fosse até Itapuã, pelo menos para que os turistas tirassem umas fotos do farol.

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  6. uhuuul….
    Sera que teria como Porto Alegre se aproveitar disso, por algum tipo de barco para ir para la?

    Seria show umas festas na ilha…hehe

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