SAMBÓDROMO DA CAPITAL – Uma novela sem fim

Montagem custou em oito anos cerca de metade do valor de estrutura fixa

Desde 2004, quando o Sambódromo foi inaugurado na Capital, e até o próximo Carnaval, em março, a prefeitura terá gasto em oito anos cerca de R$ 16 milhões para montar e desmontar as arquibancadas. O valor equivale a pouco mais da metade dos R$ 30 milhões estimados para a construção definitiva da estrutura para o público no Carnaval.

No ano passado, o prefeito José Fogaça chegou a anunciar o fim da novela, com início das obras previsto para 2011. Mas, até agora, o que se viu foram apenas cenas dos próximos capítulos. O convite para fazer o projeto feito a Paulo Mendes da Rocha, um dos principais e mais premiados arquitetos brasileiros, foi um namoro que terminou sem casamento.

Ao saber da intenção do município, o proprietário da empresa responsável pela construção do Complexo Cultural do Porto Seco exigiu que as arquibancadas fossem construídas por ele. Diante do impasse e da falta de parceiros na iniciativa privada a prefeitura recuou.

Esta semana, como faz todos os anos, a reportagem registrou o trabalho dos operários. A pista e o entorno dela começam a ganhar forma, cores e sons. Se parte da estrutura estivesse pronta, como foi previsto na licitação (concorrência pública) realizada em 2003, pilha de tábuas de madeira, colunas de ferro e aço e milhares de parafusos não seriam mais necessários. A arquibancada de concreto ainda é um sonho distante para os milhares de torcedores das escolas de samba da Capital.

 

Longa polêmica
– 1988: o então prefeito Alceu Collares lança a pedra fundamental do Sambódromo na Avenida Augusto de Carvalho, no Centro.
– 1995: um mandado de segurança impede que o projeto de construção junto ao Parque da Harmonia vá à votação na Câmara de Vereadores.
– É cogitada a construção do Sambódromo numa área da Rede Ferroviária Federal.
– 1997: a prefeitura escolhe a área do Parque Marinha do Brasil, perto do Estádio Beira-Rio.
– 1998: uma liminar impede a construção da pista ao lado do estádio.
– 2000: a prefeitura sugere uma área na foz do Arroio Dilúvio.
– 2002: são propostas três áreas: Restinga, Humaitá e Porto Seco. A prefeitura opta pelo Porto Seco.
– 2003: a prefeitura anuncia a licitação para projeto do Sambódromo.
– Em maio de 2003, a prefeitura anuncia que precisa de parcerias para erguer o Sambódromo. Desde então, as arquibancadas e os camarotes permanecem sendo montados a cada Carnaval.

Prefeitura aguarda verba do PAC

A Secretaria Municipal da Cultura até tentou, mas teve o pedido de recursos para a construção da arquibancada e camarotes negado, em 2007, pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Segundo a secretária em exercício Ana Fagundes, o convite ao arquiteto foi uma tentativa de aproveitar o reconhecimento profissional do artista para atrair empresas, o que não ocorreu.

– O arquiteto não mandou proposta de valores. Então se optou por fazer um estudo de readequação com a empresa que fez o projeto original – explica Ana.

A prefeitura solicita uma verba de R$ 15 milhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Turismo.

– Não veio uma resposta ainda. Estamos aguardando – diz a secretária.

Share



Categorias:Eventos

Tags:, , , ,

14 respostas

  1. DESABAFO
    Ontem na abertura do carnaval de Porto Alegre fui testemunha do discurso feito por uma das autoridades presentes, em que ele agradece ao prefeito do município por ter “AJUDADO” na liberação dos barracões em relação a interdição feita pelo corpo de bombeiros, cuja a ação foi por má estrutura de segurança e prevenção de incêndio.
    Claro né povo querido, todos nós sabemos que isso é OBRIGAÇÃO de quem mantém o estabelecimento.
    Ai pergunto: cobrar a construção do nosso SAMBODROMO ninguém o fez, pelo contrario ai vamos nós para mais um ano de estrutura montada, mas agradecer por algo feito e feito porque era obrigação eles agradecem e aplaudem.
    Poxa gente, o povo que vive no meio do carnaval e ou eu que sou apaixonada por ele mereço um pouco de respeito e dignidade, não somos tão ignorantes a esse ponto. Está na hora de fazermos alguma coisa, caso contrario iremos continuar pagando por uma promessa de aproximadamente 8 anos.
    Graziela Oliveira

    Curtir

  2. O carnaval de porto alegre, é um carnaval como poucos,não digo finaceiramente, mas de paixão .
    Um exemplo que li em alguns comentários foi de que não se compara ao rio, também acho, mas apenas financeiramente pois no rio 90% das escolas são compostas por turistas , alguns até gauchos, que deixam tanto dinheiro la quanto poderiam deixar aqui, concordo que o nosso carnaval é pobre, mas porque ele é assim ? Porque a classe média de porto alegre tem muito preconceito,porque a prefeitura colocou um sambódromo inacabado no meio de uma bomba relógio que ninguém ,que tenha um pouco de dinheiro irá para assistir, portanto nunca haverá investimento,o pensamento da prefeitura e classe média é carnaval,carnaval em porto alegre é coisa de pobre e de vagabundo que não tem oque fazer.
    Ainda bem que ainda temos uruguaiana como exemplo.

    Curtir

  3. Pergunto a essa pessoa “Augusto” que chamou nosso carnaval de “”lixo””, se alguma vez já foi ver pessoalmente o nosso carnaval ou pisou em uma de nossas escolas, pois com certeza tem muita gente séria e batahadora que corre e da tude de si prara fazer isso que ele chama de “”lixo””. Visite, paticipe e depois encha a boca pra falar!!!

    Curtir

%d blogueiros gostam disto: