Cine Capitólio: o resgate de uma época

Presidente da Fundacine, Cícero Aragon projeta inauguração para agosto Foto: GABRIELA DI BELLA/JC

Quem passa na frente do antigo Cine-Theatro Capitólio, na esquina da Borges de Medeiros com a Demétrio Ribeiro na Capital, pode pensar que as obras de restauração que vão transformá-lo em uma cinemateca não estão andando. Mas basta uma visita ao interior do prédio de 1,7 mil metros quadrados e quatro andares para perceber por que o presidente da Fundação Cinema RS (Fundacine), Cícero Aragon, acredita que as portas serão abertas ao público em agosto.

“A parte pesada do serviço, a restauração civil e o ar-condicionado, já fizemos com o apoio da Petrobras e do Bndes. Agora falta finalizar, dar os retoques”, diz. Para isso, no entanto, é preciso garantir um apoio financeiro de R$ 950 mil, que está sendo negociado com parcerias públicas e privadas, como o Ministério da Cultura. “Acredito que em março teremos uma resposta positiva. Se isso acontecer, faremos a inauguração em agosto”, prevê Aragon. Uma parte do recurso do Bndes – R$ 1,1 milhão no total -, destinada à compra de mobiliário e tecnologias de suporte, será entregue apenas quando a nova verba for garantida, pois não adianta ter esses objetos sem a certeza de que o prédio estará pronto para recebê-los. A Petrobras já colaborou com R$ 4,1 milhões.

O projeto Cinemateca Capitólio serve a vários interesses: à preservação da memória de Porto Alegre com a restauração e manutenção do antigo Cine-Theatro Capitólio, um importante espaço cultural da Capital que nasceu nos anos 1920; à construção de uma cinemateca, que vai abrigar de maneira correta – seguindo os padrões da Federação Internacional de Arquivos de Filmes no que se refere ao controle da umidade, temperatura e luminosidade – materiais históricos; à revitalização do Centro de Porto Alegre; e à comunidade porto-alegrense com a criação de mais um espaço com programação cultural semelhante à Sala P.F. Gastal, Santander Cultural, CineBancários e Guion Center.

Além do local necessário para o arquivo da memória gaúcha, a Cinemateca Capitólio vai contar com uma sala de exibição com mais de cem lugares, uma sala multimeios, um espaço para exposições de arte ou fotografia, quatro salas para pesquisas e um café. “Mesmo que o prédio seja amplo, já imaginamos que futuramente será necessário alugar um outro local porque o acervo tende a crescer rapidamente. Não vamos arquivar apenas filmes, mas documentos, cartazes, roteiros, revistas. Até filmes familiares nos interessam, porque eles são um importante registro de uma época”, comenta Cícero.

Atualmente, grande parte deste material está armazenado com a prefeitura de Porto Alegre. Para o coordenador de Cinema, Vídeo e Fotografia da Secretaria Municipal de Cultura, Bernardo José de Souza, a disposição na Cinemateca Capitólio vai facilitar muito a vida dos pesquisadores. “Mais do que a exibição de filmes, do que o espaço cultural, é a preservação da memória a principal função da Cinemateca. Hoje, esses arquivos não podem ser acessados porque o depósito é pequeno e a catalogação não está completa”, comenta.

Cinema de rua

O sucesso de um novo cinema de rua talvez seja a maior interrogação do projeto. Para Bernardo José de Souza, a ideia vai funcionar, mesmo que o público tenha se acostumado com salas em shoppings nas últimas décadas. “As pessoas buscaram os shoppings por uma questão de segurança. Mas existe um mito aí. A área central não é a mais perigosa de Porto Alegre. Além disso, já há uma tendência na Europa e nos Estados Unidos de retorno às ruas, do prazer que há nesses passeios”, opina.

Para a manutenção da Cinemateca Capitólio, o apoio do Estado ou município parece ser fundamental. “A manutenção da memória no mundo todo é ligada ao Estado. Se o Estado não preservar, não há como. Nos Estados Unidos, é um pouco diferente, há um apoio privado, mas de modo geral é o Estado”, diz Souza. Para ele, o estilo não comercial também exige uma ajuda governamental. “O público desse tipo de espaço é cativo, mas é pequeno. Não há como mantê-lo apenas com bilheteria”, afirma.

Jornal do Comércio
 

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Categorias:Cultura, Restaurações | Reformas, Revitalização do centro

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