PAC no RS: Apenas 25% das obras prontas

Duplicação da BR-101 foi uma das obras do PAC concluídas no Estado - GUTO KUERTEN / clicRBS

Mesmo com a verba garantida, a maior parte dos 20 principais projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no Rio Grande do Sul está pendente, e até alguns já inaugurados não podem ser considerados totalmente finalizados

Quatro anos após ser lançado, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) se arrasta no Rio Grande do Sul. Das 20 principais obras previstas para o Estado, somente cinco foram concluídas até agora, alcançando 25% do total. O percentual é um pouco maior do que a média nacional. Pelo levantamento da ONG Contas Abertas, apenas 19% das ações conseguiram ser finalizadas no período.

Desde fevereiro de 2009, Zero Hora acompanha a evolução dos empreendimentos que têm potencial de mudar a cara do território gaúcho, pinçados em mais de 500 projetos de infraestrutura escolhidos pelo governo federal como propulsores para a economia do país. Na última análise, feita em janeiro de 2010, nenhuma iniciativa havia sido concluída. Nove estão em andamento atualmente, mas boa parte com cronogramas bem atrasados.

A roda desses investimentos gira vagarosamente. Nem na lista dos empreendimentos considerados prontos, que até inaugurados já foram, pode-se carimbar o fim dos trabalhos em todos. A rodovia Osório-Torres (BR-101) é o principal exemplo. Aberta oficialmente em dezembro, na última passagem oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo Estado, a duplicação da estrada ainda não foi totalmente finalizada. A ponte sobre o Rio Três Forquilhas só deverá ser concluída no fim do verão.

Para o secretário de Infraestrutura e Logística do Estado, Beto Albuquerque, o andamento das obras é bom:

– Estamos à frente de outros Estados. Acho que toda a lista deverá ser finalizada no governo Dilma Rousseff. A obra não para por causa de dinheiro. Para por outro motivos: problemas burocráticos, disputas de licitações.

Listadas como prioridade em 2007, muitas iniciativas derrapam na burocracia para desempacar. Das 20 obras gaúchas, seis delas, 30% do total, ainda nem saíram do papel, permanecendo em fase de projetos ou em licitação.

O PAC 2, nova fase do programa, considerado carro-chefe do governo Dilma, deverá começar a ser executado nas próximas semanas, mesmo que boa parte dos projetos da etapa inicial ainda não esteja finalizada.

– O PAC mostra a total incapacidade de gestão deste governo, que, apesar de ter o recurso, não consegue executar os projetos. Se o PAC, que priorizou algumas obras, não anda, imagina o resto que não está na lista – critica o deputado Nelson Marchezan Júnior (PSDB), vice-líder da minoria na Câmara.

COMO LER O PACÔMETRO

Em projeto: fase inicial, ainda sem licitação concluída

Empacada: o projeto deparou com algum tipo de contratempo que compromete o ritmo dos trabalhos

Desempacando: iniciativa com licitação concluída, obras iniciadas e em andamento

Desempacada: obra concluída

UM ANO DEPOIS

O andamento das obras e dos projetos desde janeiro de 2010, quando ZH publicou o último Pacômetro, é classificado em outras duas categorias:

AVANÇOU ou TRAVOU

Zero Hora

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Categorias:Economia Estadual, PAC e PAC2

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8 respostas

  1. Caro Julião

    Não sei de onde tiraste que os investimentos no governo FHC foram maiores do que no governo Lula.

    Os investimentos no governo Lula foram muito pequenos, mas no governo FHC ainda foram ridículos.

    Gostaria de saber a fonte que tiraste estes de 2% a 3% do PIB?

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  2. O PACometro da RBS é realmente uma obra que considera os leitores um bando de Pacas. Não se controla o andamento de um investimento como eles mostram. Se houvessem profissionais do jornalismo na ZH e não estagiários, o acompanhamento das obras do PAC deveriam ser feitas pelo Realizado financeiramente em contraposição do contratado, isto daria uma noção exata do andamento do Pac.

    Não podemos comparar de igual para igual uma obra como a duplicação da BR-101, a construção da usina de Foz do Chapecó com outras de muito menor monta que estão paradas ou andando.

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  3. Estava pensando sobre o PAC e acho que descobri a estratégia por trás do plano de marketing político para alavancar o nome da “gerente do governo” ou “mãe do PAC”, como candidata do partido situacionista no Poder.

    E para explicar é só usar como exemplo a duplicação da BR-101. Uma obra como essa (duplicação de 350 km entre RS e SC) deveria concluída normalmente em no máximo 3 anos, mas levará quase 10 para ficar pronta. Digamos que a obra custasse 2 bilhões de reais, o que geraria um desembolso anual de +/- 700 milhões/ano para os cofres do governo. Mas, entretanto, se fosse feita em 10 anos, o governo deveria aplicar apenas 200 milhões/ano, restando 500 milhões para que fossem iniciadas, ou não, outras obras na região (ex.: extesão do trensurb a NH e estrada do parque).

    Com isso, o Brasil estaria transformado num imenso canteiro de obras quase paradas (alguém já notou como se vê pouca gente trabalhando nessas obras), multiplicando o cartel de “realizações” do governo federal (e suas placas promocionais), sem precisar aumentar a taxa de investimentos públicos em infraestrutura do país, que hoje está em 1,8% do PIB e são menores que as do governo FHC (entre 2 e 3% do PIB). Como nesse período tivemos recordes de arrecadação a maior parte desses recursos a mais foram usados para prestigiar os servidores públicos, a base atuante do partido do governo, visto que o gasto com a folha aumentou em mais de 100 bilhões de reais entre 2002 e 2010.

    E para inflar os números bastou usar os valores investidos por estatais, como os da Petrobrás (que os faria independente do governo), governos estaduais e municipais (ou que terão de ser pagos por esses) e outros financiamentos públicos a empresas privadas, através do BNDES, e até aos cidadãos quando adquirem seu imóvel.

    E, como no Brasil as pessoas são pouco informadas (ignorantes mesmo) e os analistas são vinculados ideologicamente ao partidão, foi fácil enganar todo mundo, fazendo parecer que o crescimento econômico do Brasil no período, alavancado pelo crescimento internacional, pelo aumento da exportações de matérias-primas para a China e (depois da crise) pela liberação do crédito para o consumo (inflação…) era consequência de um política de desenvolvimento estabelecida pelo governo através do PAC.

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  4. PACderme

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  5. que nojo..

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  6. Mas, para Promover A Candidata do governo Lula, o PAC cumpriu o seu próposito: vencer as eleições. Trata-se, portanto, de um program de marketing político, mais nada.

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  7. O PAC sempre foi um factóide mesmo. Aposto que onde mais avançou foi onde o governo federal simplesmente emprestou dinheiro para outras esferas, como no caso do nosso PISA.

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  8. Queria ver isto em uma empresa privada e Beto Albuquerque fosse o Ceo da empresa, sem dúvida já estaria no olho da rua.

    Isto é um bando, que só sabem fazer projetos com a saliva, quero ver eles administrarem um pequena empresa quanto tempo dura.

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