Parques eólicos de Tapes podem somar 600 MW

Até o final do ano, aerogeradores serão instalados na região para testes

O Rio Grande do Sul poderá recuperar a liderança no mercado de energia eólica se o projeto de construção de 20 parques eólicos na região de Tapes for construído da forma como está. A opinião é do CEO da Suzlon Energia Eólica do Brasil, Arthur Lavieri, mas a liderança só seria retomada no caso de os projetos de Ceará e Rio Grande do Norte não saírem do papel. O empresário se reuniu ontem com o governador do Estado, Tarso Genro, juntamente com o fundador e diretor-executivo mundial da Suzlon, o indiano Tulsi Tanti. Até o final do ano, dois aerogeradores, com capacidade de 4,2 megawatts (MW), serão instalados na região para a empresa testar o solo, em razão do peso das torres, e o regime de ventos da região na prática.

O encontro serviu para apresentar a empresa ao governo do Estado e assegurar o comprometimento com energia limpa por parte do Rio Grande do Sul. “O governador também deixou claro que gostaria de ter empresas que usassem a localidade como plataforma de exportação. Nesse sentido, Tapes é perfeita, já que no PAC 2 está incluída plataforma portuária”, disse Lavieri, acrescentando que o governo assegurou o compromisso de assumir posição de liderança, a qual perdeu nos últimos dois anos. Atualmente, o maior parque eólico brasileiro é de Praia Formosa, no Ceará.

Ao todo, os 20 parques consistiriam em 280 torres de geração de energia, com capacidade de produção de 600 MW, suficiente para abastecer uma cidade de 350 mil a 400 mil habitantes. De acordo com o presidente da Impel no Brasil, Lusivaldo Curvina Monteiro, que também participou da reunião no Palácio Piratini, cada torre custa R$ 8 milhões. A empresa espanhola, cliente da Suzlon, será a operadora dos parques de Tapes. “O projeto representa um desenvolvimento socioeconômico muito importante. Com o nosso apoio, Tapes reivindicou a construção do porto junto ao governo federal”, explicou Monteiro.

Lavieri explica que a prioridade agora é trabalhar com os parceiros para ter certeza de que farão os registros dos projetos no leilão de energia renovável da Aneel, até 18 de março. “Depois, teremos um período para trabalhar na otimização desses projetos para que, em agosto, quando o leilão ocorrer, possam sair vitoriosos”, explica. Ele acrescenta que, em paralelo, a empresa estará desenvolvendo os planos de manufatura e investimento para que a construção se inicie o quanto antes.

O vice-governador Beto Grill já havia formalizado o interesse em apoiar o projeto, juntamente com a construção do terminal portuário, na manhã de ontem, durante visita a Tapes com os executivos da Suzlon e da Impel. “É preciso fazer todos os esforços, em conjunto com empresário da região, investidores, município, Estado e União para viabilizar um projeto que dê retorno econômico e possa transformar o Rio Grande do Sul não só como importador, mas também exportador de energia”, disse Grill.

Para Tanti, a localidade de Tapes é privilegiada, com potencial para gerar energia eólica 16 vezes mais do que é produzido hoje no País. “O único empecilho ainda diz respeito à infraestrutura de energia limpa, que o governo precisa trazer o mais rápido possível para que os projetos possam ser construídos”, destacou o indiano. A cidade de Tapes já planeja se estruturar através de uma subestação de energia e rede para que a capacidade gerada possa ser distribuída.

Jornal do Comércio
 

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Categorias:Economia Estadual, Energia

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1 resposta

  1. Fico extremamente preocupado por não haver nenhuma discussão sobre a ênfase que se está se dando a geração de energia eólica. Esta energia tem diversas vantagens, mas um único e grande problema, ela é altamente irregular. Os países Europeus que optaram pela energia limpa e subsidiada estão ou dando um basta ou repensando com cuidado o assunto. O preço real da energia na Espanha para o consumidor final em 10 anos teve um crescimento real de 60% (descontada a inflação do Euro) isto porque eles tem que ter uma capacidade instalada de 4 vezes a demanda média anual de energia (vide em http://engenheiro.blogspot.com/2011/02/geracao-via-turbinas-eolicas-tem.html).

    No Rio Grande do Sul, poderíamos superar alguns problemas, principalmente no litoral norte, se colocássemos turbinas reversíveis (http://api.ning.com/files/kqj8PjwXzUA6bobE8XI6bEfYUqVrD0eJzprZvpvAdDvHfkZRfnFU1plZvD293P5-zju74sYz5oG4APPQ78Zi7btx-isDTdWH/abrhnoticiasbelucomaestri.png).

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