A REDESCOBERTA DO CENTRO – Centro de Porto Alegre volta a ser atraente para morar e empreender

 

Após décadas de êxodo de pessoas e negócios, o centro da Capital começa a receber uma nova leva de moradores, pontos comerciais e serviços, um dos sinais mais festejados de sua revigoração

 

 

O CORAÇÃO DA CAPITAL VOLTA A SER COBIÇADO !

Revigorado pelo investimento de milhões de reais em restaurações, o Centro vive um momento de virada Foto:Jefferson Botega / Agencia RBS

Na escolha do apartamento com vista para o Delta do jacuí, Ismael Goli, apostou em atrações como a proximidade com o Mercado Público

Depois de um tenebroso mergulho no abandono e na degradação, o bairro que serviu de farol para os gaúchos ao longo dos séculos volta a ter luz. Revigorado pelo investimento de milhões de reais em restaurações e pela retirada do comércio informal que atravancava suas ruas, o Centro vive um momento de virada. Um dos sinais mais festejados é a chegada de uma nova leva de moradores, que promete reverter a sangria populacional responsável pela debandada de 15 mil pessoas, um terço do total, entre 1980 e 2005.

O notável é que a motivação dos recém-chegados é a mesma dos que procuravam um endereço na região em seu período áureo, os anos 40 e 50 do século passado, quando o bairro era sinônimo de elegância. A geração que desembarca agora escolhe o Centro porque ele se tornou glamouroso mais uma vez. Em grande parte, trata-se de um movimento de jovens antenados, com profissões ligadas à criação. É uma turma formada por designers, publicitários, arquitetos e artistas que reformam apartamentos com décadas de história para conferir-lhes um ar contemporâneo. São as águas passadas do Centro movendo novos moinhos.

Suzana Englert - Relações Públicas que está se mudando com o marido para um apartamentoi de 220 metros quadrados na Praça Dom Feliciano: AS MUDANÇAS NO CENTRO SERVIRAM DE INCENTIVO. APOSTAMOS NA REVITALIZAÇÃO.

Moradia é lastro de recuperação

Um prédio da Avenida Siqueira Campos recebeu uma dezena de moradores com esse perfil. Os publicitários Ismael Goli, 34 anos, e Mariana Balestra, 30 anos, foram dos primeiros a chegar, cinco anos atrás. O casal trocou o Menino Deus por um apartamento de 220 metros quadrados com vista para as ilhas do Delta do Jacuí em praticamente todas as janelas.

– Sou gourmet, e o Mercado Público é onde acho ingredientes que não encontro em outro lugar – elogia Goli.

CENTRO RENOVADO

Nunca se comprou e alugou tanto

Galeria Chaves: Com o interior renovado, a Galeria crescerá para baixo

Cinco anos atrás, o Centro era um bairro povoado de edifícios vazios do segundo andar para cima. Agora, cresce até para baixo. Com o reflorescimento da região, o grupo que comprou e restaurou a tradicional Galeria Chaves passou os últimos meses escavando um novo pavimento no subsolo, em plena Rua da Praia. O andar subterrâneo será aberto ao público em maio, com 17 lojas e um restaurante.

A expansão da Galeria Chaves é um entre vários empreendimentos que passaram a pipocar na região. As novidades incluem lojas, escolas, cafés, restaurantes e um recém-ampliado Chalé da Praça XV. O cenário destoa do que foi retratado no começo de 2006 pela série de reportagens A Encruzilhada do Centro, de Zero Hora. Em lugar dos canteiros de obras de hoje, o que ZH encontrou na ocasião foram placas de Vende-se ou Aluga-se por todos os lados. Detentor da maior concentração de espigões do Estado, o Centro havia se tornado um bairro térreo, com andares e edifícios inteiros às moscas.

Um deles era o antigo edifício da Companhia União de Seguros, um colosso de 16 pavimentos e 13 mil metros quadrados. Sem uso, o prédio permaneceu por longo período à venda. Adquirido por um grupo de investidores, começa a renascer. O térreo, que já havia ganho uma agência bancária, acaba de receber uma lanchonete.

Dados do Sindicato da Habitação do Estado (Secovi) fornecem um retrato da transformação em curso. Em fevereiro de 2006, havia 1.115 imóveis disponíveis para locação, um em cada cinco da cidade. Em dezembro passado, a oferta havia caído pela metade. Eram 608 imóveis, 13% do total de Porto Alegre.

Responsável pelo processo de recuperação e comercialização da Galeria Chaves e por um banco de pontos comerciais, Rogério Wagner é testemunha privilegiada da revalorização do Centro. Com 30 anos de atuação no bairro, garante que começaram a faltar espaços:

– Após a saída dos camelôs e com os investimentos na recuperação, a procura cresceu 30%.

O futuro em construção

As melhorias são palpáveis, mas o centro de Porto Alegre ainda está longe dos seus dias de maior esplendor. Urbanistas, profissionais envolvidos no processo de recuperação e representantes do mercado imobiliário acreditam que, sem a conversão do Cais do Porto em um polo de lazer e turismo, a transformação não estará completa.

– Não é o chalé da Praça XV que vai revitalizar o Centro. Não tem como. O Centro vai mudar mesmo quando o porto for revitalizado – afirma Gilberto Cabeda, vice-presidente de comercialização de imóveis do Sindicato da Habitação do Estado (Secovi).

Há razões para otimismo e para cautela. O dado animador é que já existe um projeto pronto para o cais e um consórcio habilitado por licitação para executá-lo. Os temores, por seu turno, envolvem décadas de planos frustrados e um imbróglio jurídico que impediu a assinatura do contrato ainda no governo passado e empurrou a solução para a nova gestão no Piratini.

Cais deve ser o grande elemento de vitalização

O projeto, elaborado por um grupo de empresas de Brasil e Espanha, gerou entusiasmo entre os gaúchos. Divididos em três setores, os dois quilômetros do cais seriam transformados em um centro de compras, cultura, lazer e negócios, devolvendo à vida àquela região. Perto da Usina do Gasômetro, o porto seria integrado à cidade por meio de uma área verde com prolongamento até a Praça Brigadeiro Sampaio, passando por cima da Avenida Presidente João Goulart.

– O cais será o grande elemento de vitalização, o grande diferencial. Estou muitíssimo otimista, porque nunca estivemos tão perto – acredita a coordenadora do Projeto Monumenta, Briane Bicca.

Outra intervenção decisiva que demora a sair do papel é oxigenação do Centro por meio da redução no número de ônibus em circulação. Hoje são 33 mil viagens diárias para a região. A prefeitura vem acenando desde 2007 com os Portais da Cidade, um projeto que promoveria redução do número de coletivos no Centro sem reduzir o número de passageiros e eliminando as rodoviárias a céu aberto.

Segundo Izabel Matte, coordenadora do Gabinete de Planejamento Estratégico da prefeitura, estão sendo tomadas neste mês decisões de cronograma que vão permitir finalizar o processo de financiamento da obra.

O QUE MUDOU:

O QUE ESTÁ PROMETIDO:

 

Fonte: Zero Hora Impressa e Online. Colaboração Jorge Piqué.

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A capa da ZH deste domingo, 20 de fevereiro de 2011:

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Exemplos de revitalização

Biblioteca Pública

 

Bar Restaurante Tuim, na General Câmara - Muitos outros poderiam fazer o mesmo

 

Mc Donald's da Borges, quase em frente ao Mercado Público. - A Iniciativa privada fazendo sua parte

 

Mercado Público - A Prefeitura reforma os sanitários.

 

Retrofit de prédio comercial na Marechal Floriano, em frente ao Glênio Peres

 

Deques do Mercado Público - espaço qualificado

 

Retrofit de prédio na Júlio de Castilhos, da Aplub

 

Reurbanização da Praça da Alfândega

 

O que falta ainda: 2 exemplos:

Retorno ao visual antigo do prédio do Guaspari

Vejam o Guaspari original, em foto tirada da internet:

 

Resolução do problema do "esqueleto": ou reforma-se, construindo-se um prédio bem interessante, ou providencia-se sua demolição. ELE ASSIM, não dá pra ficar.

 

Os 2 na mesma foto:

“Esqueleto” e Guaspari


Categorias:Revitalização do centro

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34 respostas

  1. Opa. Você está de parabéns pela excelente publicação. Eu assim como você, e assim como uma boa parte da população de Porto Alegre não deixamos de reparar as mudanças do centro da capital. Aos poucos e aos poucos vamos melhorando para se tornar um “olhar” melhor para todos. Mas infelizmente apesar de reformas, e mesmo com as revitalizaões a mais no centro, o pessoal sempre vai ter receio de andar no centro pelo fato de ser um centro super cultural de diferentes classes de pessoas que vão a ricas e a pobres. Tomados (inclusive) por assaltantes e marginais em que fica dificil andar no centro com total liberdade. Para muitos, ir ao centro é mesmo do que ir para o inferno. Tudo ajuda, os temas citados à cima, e o visual degradante do centro repleto de sujeira, prédios abandonados e ruas cinzas sem vida. Apesar das reformas e mudanças que vem a seguir, acho dificil o centro ser algo “caseiro” e sim realmente mais focado a profissionais e pontos de venda.

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  2. Não é unanimidade entre os moradores da cidade e urbanistas o projeto de ocupação do Cais como esta sendo proposta, além disso, com o novo governo estadual deverá ser revisto e ampliado o nivel de discussão para esse projeto com a comunidade.
    Quanto a desobstrução das calçadas dos camelôs, foi boa, mas a ampliação de espaços para carros, não, já que por serem pequenas, ficam os pedestres espremidos nas mesmas.
    Quanto a recuperação do centro, deve se fazer de forma ampla, resgatando seu perfil histórico, humanizando suas ruas com equipamentos e mobiliário adequados, etc…

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  3. Muito bom o post e interessantes os comentários. É muito gratificante trabalhar numa reforma de edifício antigo. Através de ações pontuais é possível ir mudando a mentalidade das pessoas, que muitas vezes não pensariam duas vezes antes de colocar um edifício abaixo para construir outro com formas ‘atuais’, sem se preocupar com o caráter que o edifício antigo dá ao entorno. Obviamente há muitas exceções, mas por todo o centro pode-se encontrar edifícios de qualidade ainda esquecidos.

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