Nordestinos trabalham em condições precárias na Arena Grêmio; obra é parcialmente interditada

Sem carteira, sem transporte e com péssima moradia, operários querem voltar para casa Créditos: Cláudia Aragón

Mais uma bela reportagem da Cláudia Aragón, do Blog De Olho em 2014. Visitem o Blog e confiram mais fotos dos operários nas obras da Arena do Grêmio, e desta história que considero simplesmente um escândalo. Não pensava que isso aconteceria logo em Porto Alegre ! Gilberto Simon

Os 350 operários que vieram do nordeste do Brasil para construir a nova Arena do Grêmio, em Porto Alegre, estão vivendo em péssimas condições de trabalho e higiene. Em greve desde a última quinta-feira, supostamente por ganharem menos do que o prometido e não poderem visitar seus familiares no período estipulado, os trabalhadores enfrentam problemas bem maiores. Até agora, poucos tiveram a carteira assinada. No canteiro de obras, onde, segundo a legislação vigente, deveria haver um banheiro para cada 20 homens, existem apenas 3 sanitários. E no alojamento mais próximo, a insalubridade é total. 

Devido às condições em que se encontravam os trabalhadores, parte do canteiro de obras foi interditado no fim da tarde desta terça-feira (1º), segundo informou a este blog Gelson Santana, secretário geral do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil de Porto Alegre (STICC/POA). Segundo o sindicalista, a área de vivência, que inclui os banheiros, refeitório, chuveiros e alojamentos foi o algo da interdição. Ainda segundo Santana, devido à greve dos trabalhadores, os fiscais do trabalho não puderam verificar as condições efetivas de trabalho dos operários.

Na manhã de terça-feira (1º), enquanto os operários e representantes do STICC/POA aguardavam alguma informação da construtora OAS, o blog visitou, na companhia de fiscais do Ministério do Trabalho, o alojamento onde vivem 45 homens. E o que encontramos lembra, em muito, as piores prisões brasileiras. Na casa de dois andares, há quartos sem janelas, fios de eletricidade expostos e banheiros sem água quente. Ao meio-dia, a refeição chegou fria. E, na falta de mesa e cadeiras, os trabalhadores comeram em seus beliches – ou em pé. 

Até o fechamento o meio da tarde, os auditores do Ministério do Trabalho continuavam reunidos no escritório da construtora OAS, dentro do canteiro de obras. Por volta do meio-dia, o sindicato solicitou à segurança da empresa que atendesse três homens que passavam mal em frente ao portão, apresentando febre e dor de cabeça – um deles procurou a Santa Casa de Porto Alegre no dia anterior, mas não teve dinheiro para comprar os remédios. 

Somente cinquenta minutos depois, assim que chegaram os fiscais do Trabalho, a OAS enviou uma caminhonete para levar os trabalhadores doentes  ao ambulatório. Abordado pelo fiscal, o funcionário da OAS não quis se identificar e pediu ao motorista que arrancasse o carro. Atentos à conversa, os operários conseguiram sair rapidamente da frente do veículo e não se feriram.  

“Os trabalhadores estão passando por maus tratos”, declarou Dercírio Cardoso Silva Jr., do STICC/POA. Às 16h, chegou ao local Vicente Martins, da direção da Grêmio Empreendimentos. Depois de ver as condições precárias dos trabalhadores, o executivo entrou na reunião entre OAS e Ministério do Trabalho.

 Cláudia Aragón – Blog De Olho em 2014

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14 respostas

  1. É isso aí, Garcia.

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  2. como a Gremio Empreendimentos não viu isso?? evidente que se queremos um país melhor devemos lutar sempre por melhores condições de trabalho. quem aceita isso ou nunca passou por isso ou está alienado. evidente que não está na pele do que trabalha. tudo há um limite para a barbárie. se fosse em países como Líbia, Cuba, não seria novidade, mas , porque só t rabalhadores nordestinos?????? gaúchos não aceitariam as condições inumamas das fotos que vi. quem apóia não esteve lá . Não vai critica , mas sim , como gremista, exijo uma solução para que a Arena um dia saia do pápel. é muito contratempo para uma empresa do porte da OAS. A GE deveria exigir cumprimento de contrato, mas sem trabalho semi-escravo. as fotos em si expôem o horror. Não é isso que queremos para o nosso Gremio. Um estádio erguido sobre o sofrimento alheio

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  3. A diferença entre Grêmio e Inter é de exatamente 1 estádio. Enquanto o Grêmio tem um estádio e meio…..o Inter tem só meio.

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  4. Queira tu ou não, Augusto, a Copa é nossa.

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