Piffero e Luigi agravam a divisão sobre obras do Beira-Rio

O Conselho Deliberativo do Inter precisará de pelo menos mais duas reuniões antes de votar qual modalidade será adotada para seguir as obras de reforma do Beira-Rio. A votação será transferida do dia 14 possivelmente para o dia 28 deste mês. Muitos conselheiros que chegaram à reunião com a ideia de aceitar a parceria com a Andrade Gutierrez acabaram revendo suas convicções após a exposição de Vitorio Piffero.

O ex-presidente se colocou à disposição para retomar contato com uma empresa capaz de buscar financiamento no BNDES. Essa revelação foi um dos pontos altos da reunião em favor do atual projeto com recursos próprios. Foi feito logo depois da apresentação do executivo-chefe do Inter, Aod Cunha, que aposta na parceria com a construtora. Segundo Piffero, com a empreiteira, o Inter deixaria de arrecadar R$ 950 milhões em um prazo de 20 anos uma vez que a Andrade Gutierrez ficaria com as receitas do edifício-garagem, das novas suítes e da nova área vip, que ela ergueria além do novo CT do clube, próximo ao aeroporto Salgado Filho.

– Perderíamos um Nilmar a cada ano – afirmou Piffero.

É bem verdade que o edifício-garagem, suítes e área vip não estão previstos no projeto dos recursos próprios. Bancando a obra, porém, o Inter seguiria com dificuldades de apresentar garantias bancárias à Fifa, que exige comprovação de que o clube é capaz de tocar o trabalho. Essa garantia teria de ser buscada no mercado. Garantias de cerca de R$ 100 milhões – ou por intermédio de crédito do BNDES.

– Acontece que hoje na gestão do clube temos pessoas que não são tão familiarizadas com as obras. Na anterior, havia três engenheiros: eu, o Pedro Affatato e o Emídio Ferreira. Todos engenheiros e acostumados com o assunto. A sensação que me passa é que estão querendo empurrar o problema. Se fosse para administrar uma rodoviária, tenho certeza de que o Giovanni não passaria o problema adiante.

Em sua exposição, Aod ressaltou que com a Andrade Gutierrez o clube teria garantida a reforma do estádio, sob aprovação da Fifa. O valor apresentado pela construtora, porém, é mais elevado do que aquele que vinha sendo divulgado. Em vez de R$ 253 milhões, ele é de R$ 290 milhões.

Alguns conselheiros ficaram surpresos com alguns preços apresentados pela construtora. Um exemplo: seriam utilizadas para a obra cadeiras com hastes metálicas (em vez de plástico) que custariam R$ 400 a unidade, contra as de plástico, que custam R$ 100. A Andrade Gutierrez constrói os estádios de Brasília (por R$ 696 milhões) e o de Manaus (por R$ 500 milhões), ambos com recursos públicos.

Para o vice Roberto Siegmann é inviável obras com recursos próprios:

– O mundo mudou, não estamos mais nos tempos do bonde.

 

Capital fora da Copa é risco, mas menor

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A indecisão no Beira-Rio sobre as garantias de obras exigidas pela Fifa criaram um temor maior: se o Beira-Rio for descredenciado, Porto Alegre poderia perder a condição de sede da Copa de 2014.

Olhos e ouvidos no Paço Municipal estão atentos às decisões da Avenida Padre Cacique. O que for aprovado repercutirá nas ações da prefeitura de Porto Alegre com o Governo Federal para melhorias da cidade.

Por enquanto, perder a condição de sede é um risco menor, como diz o prefeito José Fortunati.

– Tenho muita esperança de que os conselheiros do Inter irão encontrar a solução certa para que as obras aconteçam – disse Fortunati. – Mas se o Inter decidir de forma contrária, a prefeitura viabilizará uma segunda opção.

Faz sentido a apreensão de Fortunati. A prefeitura assinou contratos com a Caixa Econômica Federal (CEF) para obras de mobilidade urbana nas cercanias do Beira-Rio. Isso sem falar na Matriz de Responsabilidade, documento firmado com o Governo Federal listando 10 obras fundamentais para a Copa, como a duplicação da Tronco, da Voluntários da Pátria e da própria Avenida Beira-Rio.

Seria catástrofe se a Capital deixasse de ter a Copa 2014

Essa avenida passará de duas para seis pistas, da Usina do Gasômetro até o estádio – e as obras já começaram. Vale o mesmo para a remoção das famílias da Vila Dique (depois será a vez da Nazareth), necessárias para a ampliação da pista do aeroporto.

– Seria uma catástrofe deixar de ser sede, mas duvido que isso aconteça. Talvez não tenhamos jogos da Copa das Confederações, em 2013. Mas não há como fazer Copa no Brasil sem a capital do Mercosul – afirma o secretário municipal da Copa, João Bosco Vaz.

O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, em entrevista ao site oficial da Fifa, fez uma frase tranquilizadora a respeito:

– Com o contrato para o estádio em São Paulo finalizado e todos os estádios da Copa de 2014 agora confirmados, nós podemos realizar o sorteio das Eliminatórias em menos de quatro meses.

Zero Hora

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Categorias:COPA 2014, Gigante para Sempre (Beira Rio)

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2 respostas

  1. A copa será no Beira Rio. Qualquer outra hipótese ou invenções da mídia são estúpidas.

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  2. Como Colorado prefiro que nosso patrimônio continue nosso do que termos que doá-lo a uma construtora para dizer que tivemos ou três jogos da fase classificatória, no Beira Rio.

    Construção direta mesmo com erros custa 30% a 40% a menos, e construir com estas grandes empreiteiras fica no mínimo 50% mais caro (sem roubo nenhum), simplesmente porque estas firmas não constroem, elas contratam outras construtoras menores e como ninguém trabalha de graça o custo aumenta.

    O Beira Rio foi construído por um visionário, Pinheiro Borda, que na época que começou nem o terreno existia (e já existiam grandes firmas construtoras com diretores colorados doentes que construiriam pelo preço de custo).

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