Tarso assina com a Manitowoc e fala em investimentos

Executivos da indústria de guindastes que vai se estabelecer em Passo Fundo estiveram no Palácio

O governador Tarso Genro prometeu divulgar na próxima semana a lista das empresas de fora do Estado e do exterior que estão negociando investimentos locais. Do grupo, 15 seriam estrangeiras. No total, mais de 60 negociações estariam em andamento, somando estoque de R$ 1,6 bilhão, cifra antecipada em reportagem do Jornal do Comércio na última segunda-feira. Tarso disse, após assinar protocolo garantindo a atração do primeiro empreendimento de seu governo – o da fábrica da americana Manitowoc Crane, do ramo de guindastes, que não teme concorrência de outras unidades da federação e afirmou que a guerra fiscal acabou, pois “todos estão dando tudo”.

Para Tarso, o diferencial será formular incentivos vinculados à cadeia produtiva. É o caso da Manitowoc, que aplicará R$ 70 milhões para montar uma unidade em Passo Fundo, onde ganhou terreno de 45 hectares da prefeitura, e já projeta ampliação da produção logo após a inauguração prevista para marco de 2012. A indústria, que não possui ainda unidade de fabricação no Brasil, produzirá três linhas de guindastes de alta tecnologia e sem similar nacional. O protocolo prevê enquadramento no Fundopem e Integrar, com adiamento de oito anos no recolhimento de parte do ICMS gerado pelos produtos.

O secretário estadual de Desenvolvimento e Promoção de Investimentos, Mauro Knijnik, preferiu fazer outro diagnóstico do ambiente de artilharia interestadual. “Não é mais guerra, é suicídio fiscal”. Knijnik adiantou que o remédio local para neutralizar a competição, vista como predatória, será um novo sistema de desenvolvimento, que entrará em vigor em até 60 dias e está sendo formulado por sua pasta. O modelo está alterará, por exemplo, critérios de valoração de empreendimentos para estipular teto de incentivos fiscais. As regras atuais priorizam quem gera mais empregos. Outro mecanismo será a criação de fundos de investimento pela CaixaRS, que deve mudar de nome e poderá comprar capital de empresas. O primeiro será na área de petróleo e gás.

Mais que olhar para adversários externos, o governo precisará corrigir fragilidades escancaradas. A liberação de licenças ambientais é a pedra no sapato dos candidatos a investir. O próprio governador admitiu que a área técnica da Fundação de Proteção Ambiental (Fepam) e da Secretaria Estadual do Meio Ambiente opera com 30% da capacidade. “Os órgãos não estão preparados para dar conta da nova demanda. Pegamos os dois esfacelados”, resumiu o governador, que projetou anúncio de contratos emergenciais e concurso, além de plano de recuperação da área, para a próxima semana.

Um impasse gerado pela área ambiental é a ocupação do antigo terreno destinado à fábrica da Ford, em 1999. Seis empreendimentos foram previstos para a área de mais de 700 hectares, em Guaíba, mas o atraso nos licenciamento ameaça a manutenção dos planos das empresas. Knijnik disse que entre dez e 15 dias será finalizado mecanismo para a ocupação. Um grupo criado nos primeiros dias do governo, com diversas secretarias e com as empresas, propôs a criação de uma área industrial, em vez de distrito industrial, que exigiria, por exemplo EIA-Rima, que é uma licença ambiental. Paralelo a isso, o governo aguarda documento da Fundação Nacional do Índio (Funai) nas próximas semanas liberando a área que seria sede de um sitio indígena. “Estamos conversando diretamente com a presidência do órgão”, informou o secretário.

Manitowoc atrai fornecedores e abre contratações

A indústria de guindastes da americana Manitowoc Crane em Passo Fundo, Planalto gaúcho, já atrai o interesse de fornecedores existentes no Estado, a maioria multinacionais que já operam com a companhia nos Estados Unidos. A unidade gaúcha será a terceira base de produtos com alta tecnologia do grupo no mundo, atrás dos Estados Unidos e da Itália. O vice-presidente do grupo para as Américas, Larry Weyers, informou que a meta é formar uma cadeia de suprimentos a um raio de até 350 quilômetros.

“Vamos transferir tecnologia”, projetou o americano. Weyers revelou que há produtores locais que atendem às exigências da empresa situados na Região Metropolitana de Porto Alegre e na Serra gaúcha. “Eles já começaram a entrar em contato”, garantiu. Na largada do empreendimento, que ocorrerá em março do próximo ano, a produção contará com insumos importados. Hoje, a Manitowoc opera apenas com escritório de vendas no Brasil. A base nacional deve faturar R$ 250 milhões anuais, em até cinco anos, com crescimento de 40% ao ano. No terreno em Passo Fundo, há capacidade para expansões. O modelo de fábrica prevê linhas independentes de produção.

A terraplenagem da área, custeada pelo município, já começou e a construção começará em 1 de abril. “Não pode chover muito até lá”, acautela-se o gerente-geral da empresa no Brasil e América do Sul, Mauro Nunes da Silva. A construtora paulista Senco venceu a concorrência para a obra, que vai até dezembro. Uma empreiteira gaúcha era a segunda candidata, mas perdeu a disputa. Weyers admitiu que em cinco anos há planos de triplicar a produção. “Podemos ampliar no começo da operação”, cogitou. Tudo dependerá do tamanho e velocidade da demanda que estará concentrada em construção civil pesada e imobiliária, no polo naval e petróleo e gás e nos projetos para a Copa de 2014 e Olimpíadas.

O executivo, que admitiu entusiasmo e excitação ao assinar o protocolo no Palácio Piratini, que oficializou a formatação de incentivos, disse que a seleção de funcionários para a fábrica já começou. A empresa Integras, de Passo Fundo, já está recebendo currículos de profissionais principalmente em posições de engenharia e área técnica.

Jornal do Comércio

 

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Categorias:Economia Estadual

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2 respostas

  1. Isso prq deve ser projeto do governo anterior……agora isso expressa mais oque as antas deste governo ira fazer de agora para frente :—– “”“Não é mais guerra, é suicídio fiscal”. Knijnik adiantou que o remédio local para neutralizar a competição, vista como predatória, será um novo sistema de desenvolvimento, que entrará em vigor em até 60 dias e está sendo formulado por sua pasta. O modelo está alterará, por exemplo, critérios de valoração de empreendimentos para estipular teto de incentivos fiscais. As regras atuais priorizam quem gera mais empregos.”””

    Depois desta estupidez vindo do secretario de desenvolvimento, este sera o ultimo investimento no estado. Isso quer dizer que companhias de alta tecnologia nao poderao se instalar no estado, nao precisa de muita gente…vai ser oque eles querem, todos trabalhando para ou dependendo do estado.

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  2. Sonharam com a Ford e acordaram com a Manitowoc…

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