Polêmica: Empregos verdes ou desempregos verdes?

Um leitor nos encaminha este artigo:

Empregos verdes ou desempregos verdes?

Se os senhores colocarem na Internet as palavras “Green Jobs” virão dezenas ou centenas de referências sobre estes empregos, mostrando como a “ecologia” fornece condições de combater o desemprego, porém, se vocês agregarem as duas palavras “Green Jobs cost” aparecerão relatórios, reportagens de jornais famosos, blogs e outras páginas, com uma característica, quase todos eles mostrando que os “Green Jobs” estão criando desemprego em quase todo o mundo.

O coeficiente calculado é em torno de 2,2 a 2,9 empregos perdidos na economia não subsidiada para cada dólar investido.

A Espanha está com um processo de crítica à geração eólica ou fotovoltaica, a Holanda simplesmente declarou uma moratória de energias renováveis e recomeçou uma usina nuclear, ou seja o mundo todo está se dando conta disto.

Agora o Brasil, festejamos a implantação de geradores eólicos, geradores estes que estão vindo abaixo do preço de produção, pois como as encomendas estão sendo suspensas eles estão desovando seus produtos no terceiro mundo.

Vejam há previsão de se gastar algo do em torno dos 4,1 bilhões de reais para parques eólicos que geram uma energia variável ao longo do dia e dependente da existência de outras fontes de reserva. Isto se chama empregos verdes, porém vamos analisar estes empregos.

Um parque eólico é composto de geradores eólicos (todos importados) fixos numa torre metálica, os empregos que se gerarão nesta construção dos parques eólicos serão nos países que produzem estes geradores, na colocação de uma torre metálica e na construção de uma base de concreto.

Se por outro lado estes 4,1bilhões fossem utilizados para construção do metro de Porto Alegre, com EXATAMENTE os mesmos 4,1bilhões de reais (segundo cálculos de 2008) poderia ser construído 37,4 km de metro. A quantidade de empregos gerados nestes 37,4 km sem calcular com detalhes deve ser no mínimo 10 VEZES SUPERIOR AOS VENTILADORES METIDO A BESTA IMPORTADOS.

Que poderiam dizer nossos amigos ecopatas, os geradores eólicos evitarão a produção de CO2.

O que eu poderia dizer para estes senhores.

O metro teria 220.000 usuários dia (que deixariam de andar de carro ou de ônibus, em torno de oito mil viagens dia a menos no centro de Porto Alegre).

A redução do impacto ambiental no centro da cidade reduziria 3.000 toneladas de dióxido de carbono por ano.

O número de acidentes do trânsito reduziria em aproximadamente 14.000 por ano com menos 30 mortes.

Empregaríamos engenheiros, técnicos de nível médio e operários levando o nivel de desmprego na cidade de Porto Alegre em valores ínfimos (diminuição
da violência).

Isto sim que é um emprego verde, não as porcarias que nos procuram vender que não resistem a um bom estudo econômico.

Rogério Maestri – Porto Alegre



Categorias:Energia, Meio Ambiente

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11 respostas

  1. Hummm faz sentido, ponto interessante.

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  2. Felipe, vamos lá.

    O problema é que sempre olhamos o problema ambiental por um único aspecto. Um biólogo irá olhar uma espécie ou talvez se ele for um bom ecólogo procurar ver as interações dessa espécie com o resto que a cerca, quanto mais ele procurar as correlações mais ele verá que todas as espécies são interligadas, logo esta é a preocupação de todo a pessoa que se ocupa com o equilíbrio do meio ambiente.

    Esta explicação não tem nada a haver diretamente com o problema metrô versus geração eólica, mas o modelo e o resultado é o mesmo, quando elegemos uma obra a ser feita estamos lançando mão de recursos limitados, recursos econômicos, recursos humanos e naturais. Se elegermos uma obra deveremos não só ver o impacto negativo que a mesma tem, mas devemos somar a estes os impactos positivos em toda a cadeia

    A geração eólica produz o que se denomina energia limpa, e o metrô produz a diminuição do consumo de energia, para tentarmos saber qual a hipótese mais conveniente para o meio ambiente temos que pensar no balanço global de energia e nas interferências que cada obra necessita. Caso se adotar o metrô como escolha poderemos até gerar energia com um meio não limpo e não sustentável, carvão e óleo, por exemplo, porém a própria existência do metrô retirará de outros pontos a necessidade de consumo de energia. Provavelmente a redução das 3000ton de CO2 diárias pela retirada dos ônibus e automóveis do centro seria muito maior do que as geradas por uma hidrelétrica.

    Por outro lado se for eleito o projeto dos geradores eólicos e o metrô deixado de lado, provavelmente a poluição contínua causada por todos automóveis e ônibus que continuarão andando, será muito maior do que o benefício da geração eólica (que tem lá muitos problemas).

    Como podes ver as correlações são muitas e simplesmente olhar algo que aparentemente beneficia a natureza e gastar o dinheiro em detrimento de outras não tão evidentes não é uma boa solução. Se os recursos fossem inesgotáveis (não os são) poder-se-ia investir em tudo, mas isto é um Sonho numa noite de Verão.

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  3. Que pena, assim não tenho como comprar o argumento 😀

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  4. Rafael Bordolon

    A base de concreto dá emprego para meia dúzia durante um mês e não traz o mínimo valor agregado, é algo que um “enpleitero” da praia pode fazer.

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  5. Felipe

    A tua dúvida é um pouco mais complexa, tem solução, mas seria difícil de escrever aqui.

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  6. Rafael S.

    O que é o S? Nos últimos anos tem havido um surto de rafaeis, logo é difícil imaginar qual deles.

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  7. Meus caros, os recursos são sempre limitados e quando empregamos em atividades menos produtivas estamos prejudicando alguém.

    Gerenciar um país, uma empresa ou uma casa passa sempre por fazer escolhas, e se estas escolhas forem mal feitas faltará recursos para outras.

    Uma coisa é evitar a poluição, o barulho, os acidentes, por fim o impacto ambiental, outra coisa é reproduzir o que a Alemanha faz e faz por que? Porque não há outra forma deles produzirem energia, seus recursos naturais estão esgotados, falta só o carvão e o vento.

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  8. Fui aluno do Maestri. O artigo original vem do blog dele: http://engenheiro.blogspot.com/

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  9. Eu detesto ter quer fazer isso…maaaaassss tem que ser feito…eu te disse, eu te disse eu, te disse!!!! kkkkkkkk…..desculpa, mas essas eco-isso, green-aquilo….sao otimas…….

    …………………….para quem vende esses elefantes branco…kkkkkk sao fantasticos…..se tu tens abundancia de outras formas de producao de electricidade kkkkk

    Nao falo isso por maldade…..mas devemos deixar emocoes e agendas pessoais fora de decisoes de impacto nacional. O resto e’ “wishful thinking” !!!

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  10. Este tema vai criar polêmica…

    Sou a favor tanto do metrô quanto da energia eólica. Não dá mais para sair inundando vastas áreas para produzir energia com hidrelétricas ou usar a perigosa (SIM! É PERIGOSA!) energia nuclear.

    Se o que dá prejuízo é importar os geradores eólicos e seus materiais, então basta começar a produzí-los aqui. Outra coisa, a base de concreto é realizada aqui, por empresas daqui, o que tem a ver com gerar empregos lá fora? Nada a ver!!!

    A solução dos problemas brasileiros é EDUCAÇÃO. Povo bem instruído é capaz de produzir tecnologia de ponta e manter-se empregado sempre.

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  11. Em geral acho interessante o raciocínio, a única coisa que não encaixa é trocar usina eólica por metrô. As usinas não são feitas, ao menos prefiro pensar assim, com o inuito único de gerar empregos mas sim gerar energia elétrica, enquanto o metrô gasta ela. E daí entramos na velha disputa entre hidrelétricas, termoelétricas e usinas nucleares.

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