ÁGUA NA HIDROVIA – Burocracia ameaça início da travessia Guaíba-Capital

Terminal de passageiros em Guaíba deve ficar pronto em 20 dias, diz empresa que venceu licitação

Prevista para começar em abril, ligação pelas águas do Guaíba sofre com entraves e atrasos

Prevista para começar a operar em abril, a hidrovia Guaíba-Porto Alegre está encalhada antes mesmo de ver realizada sua primeira viagem. A esperada travessia fluvial, anunciada com festa pela ex-governadora Yeda Crusius no final de dezembro, está à deriva em consequência de imbróglios políticos e burocráticos.

Os atuais superintendentes dos dois órgãos responsáveis para que o transporte fluvial deslanchasse miram na administração anterior para culpar o provável adiamento. Vanderlãn Vasconsèllos, da Superintendência de Portos e Hidrovias (SPH), e Elir Girardi, da Fundação Estadual de Planejamento Metropolitano e Regional (Metroplan), apontam que o governo passado executou apenas a licitação da empresa que fará o trajeto, mas não avançou nas obras e nos equipamentos necessários para operação.

Cenário não desanima a vencedora da licitação

Para evitar o encalhe das embarcações que vão fazer o trajeto de 15 quilômetros, será preciso executar uma dragagem de quase dois quilômetros, em Guaíba. O terminal da Capital, que será instalado num dos armazéns, ainda nem foi liberado. Além disso, falta a instalação da sinalização e de dispositivos de segurança.

– O governo anterior começou a casa pelo telhado. Os barcos existem, mas ainda não tem a estrada. Não foi feita a dragagem em Guaíba, não tem sinalização com boias. Falta também liberar o terminal de Porto Alegre. Não tem segurança para operar. Como iremos liberar a travessia de 120 pessoas por viagem assim? – questionou Vasconsèllos, no cargo desde 25 de janeiro.

Girardi adianta que a licitação para a dragagem terá de ser elaborada do zero.

– Muita coisa ficou para ser feita agora – disse o diretor da Metroplan, que tomou posse no início de fevereiro.

O labirinto burocrático e político se mostra ainda mais encruado quando os ex-dirigentes dos dois órgãos, alvos do governo atual, evidenciam a falta de sintonia: jogaram a responsabilidade para o colo do outro. Gilberto Cunha, que dirigiu a SPH, disse que todo o projeto ficou com a Metroplan.

– Por ser na Região Metropolitana, tudo ficou com a Metroplan– ressaltou Cunha.

Já o ex-diretor da fundação Nelson Lídio Nunes reiterou que somente a licitação para a escolha da empresa que iria explorar a travessia era sua de responsabilidade.

– Navegação, balizamento de boias, dragagem são competência da SPH. Tudo foi conversado no governo anterior. Era para ter sido feito, mas como ocorreu durante a transmissão de governo… Mas, realmente, não dá para operar sem o canal e sem as boias – reconhece Nunes.

Para a empresa responsável pelo transporte, a CatSul, o adiamento ainda não está certo, apesar do cenário pouco animador. O diretor da empresa, Carlos Augusto Bernaud, afirmou que trabalha para iniciar as operações no dia 20 de abril, conforme a previsão inicial.

Zero Hora
 



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14 respostas

  1. Se Metroplan ou SPH não têm competência, nem capacidade para fazer uma simples dragagem de 1800 m no Guaíba, deveriam ter repassado essa obrigação para a empresa vencedora da licitação em troca da ISENÇÃO dos tributos que ela terá de pagar para prestar esse serviço público.

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  2. Para que serve essa METROPLAN mesmo?

    Cabidaço, só pode.

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  3. “poe as boias e faca a dragagem, mas e’ isso que eu falo, eles querem tudo na bandeija pronto para tirarem fotos na frente, ou seja, trabalho nem pensar!!!…e se foi jogo de ensenacao, prq a firma que ganhou a licitacao nao vem a frente e diz que foi enganada ou coisa parecida??”

    Amigão. Tu não sabes o que rola por trás does escaninhos do Poder. Tem muuuuuita coisa por lá. kkkk

    Anunciar algo que não existe é FEIO. Muito feio. Pra tocar o projeto, a atual adminsitração teria que simplesmente fazer TUDO. Há 99,9% por fazer. A Yeda começou a casa pelo telhadinho da churrasqueira.
    A empresa vencedora da licitação não foi enganada. Ela sabia exatamente o que faltava ser feito. Ninguém é ingênuo no mundo dos negócios e da política. Agora..se você me perguntar o que na verdade está rolando…eu te digo que não faço a menor ideia.

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