Fortunati descarta alternativa ao metrô de Porto Alegre

Fortunati diz que entre os desafios estão a qualificação dos serviços e a melhoria da saúde pública

Fortunati diz que entre os desafios estão a qualificação dos serviços e a melhoria da saúde pública. Foto: André Netto JC

O metrô é o sonho do futuro do prefeito de Porto Alegre José Fortunati. Na semana dos 239 anos da Capital dos gaúchos, Fortunati reforça que aposta toda a sua articulação política e estudos técnicos para assegurar a obra orçada entre R$ 2,1 bilhões e R$ 2,4 bilhões. A palavra deve ser dada pelo Ministério das Cidades em junho, mas em abril a prefeitura habilita o projeto. Há um ano no posto, Fortunati reforça que não tem plano B caso a linha 1 do metrô porto-alegrense não seja eleita entre as escolhidas pelo PAC da Mobilidade. O prefeito também insere outro desafio na qualificação dos serviços: melhorar a saúde pública.

JC Empresas & Negócios – Há alguma cidade que inspira o senhor quando se trata de pensar o futuro de Porto Alegre?

José Fortunati – Não existe cidade no mundo que seja referência para a Capital gaúcha que imagino. Há pedaços de uma, aspectos de outra. Porto Alegre é atípica, somos uma capital de porte médio, com crescimento demográfico pequeno, que é muito bom, pois é garantia de que não perderemos o controle do crescimento. Somos a capital da democracia do mundo, da gestão ambiental fantástica. Temos os nossos problemas. Tenho algumas referências – para o Cais do Porto é Barcelona, e para a mobilidade, o sistema de Bogotá, na Colômbia.

Empresas & Negócios – Quais são os problemas que precisam ser resolvidos?

Fortunati – Saúde pública, pois mexe com as pessoas de menor poder aquisitivo. É o grande nó.

Empresas & Negócios – Mas o nosso sistema não é falho?

Fortunati – O grande problema é que somos cortados pelo Lago Guaíba, formando uma meia lua com raio de 180 graus. O Centro é o bairro que oferece melhores condições e oportunidades; transitam ali 400 mil pessoas. Precisamos criar alternativas, como os BRTs (sigla para Bus Rapid Transit, em português corredores rápidos para ônibus), que implantaremos nas avenidas Protásio Alves, Sertório, Assis Brasil, Bento Gonçalves, Tronco e Padre Cacique para evitar que as viagens desnecessárias ao Centro sejam atendidas. O Transmilênio, de Bogotá, é a referência, incorporando a Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA) e bairros distantes. O metrô surge para atender a demanda da área que conecta Gravataí, Alvorada e Cachoeirinha, Canoas e Vale do Sinos com a ponte de Guaíba. A população duplica só com este fluxo.

Empresas & Negócios – E o metrô sai? Quando?

Fortunati – Estou convencido de que sim. Tentamos negociar para a Copa do Mundo, mas tecnicamente ficou claro que era impossível. Ele saiu das projeções para o Mundial, mas ficou compromisso do governo federal para fazer depois da Copa. Voltamos a negociar em 2010, quando formatamos a linha norte, definimos a modelagem financeira e chegamos a uma fórmula, mas faltavam os recursos. Por que o projeto ganha força agora? A presidente Dilma Rousseff anunciou R$ 18 bilhões para o PAC da Mobilidade (R$ 12 bilhões da Caixa Econômica Federal e R$ 6 bilhões como fundo perdido – verbas da União). A Capital se encaixa em todos os critérios (projeto estruturante, conexão com a RMPA, relação com o Sul do Estado e com o transporte coletivo). Tenho confiança de que disputamos as verbas de forma séria.

Empresas & Negócios – Serão recursos só da União?

Fortunati – O governo federal só alocará para a construção. O nosso orçamento aponta valor entre R$ 2,1 bilhões e R$ 2,4 bilhões. A gestão deve ser da prefeitura e com administração de uma empresa privada por 30 anos, a mesma que fizer a obra. Outras duas condições: que o Estado conceda isenção de tributos (ICMS) para compra de trens e para a obra (estimada em R$ 200 milhões) e que o município isente o ISSQN e aporte recursos por 15 anos para dar liquidez ao processo de implantação do transporte. Contratamos a Fipe para fazer a modelagem financeira do metrô. Nosso projeto segue o de Curitiba, e Belo Horizonte tem um modelo um pouco diferente. Somos nós e as duas capitais que atendem as exigências da presidente. Não tem verba para seis metrôs. Ou temos recursos para tocar do início ao fim ou a obra não sai.

Empresas & Negócios – Como ser um dos eleitos?

Fortunati – O governo tem de fazer sua opção. Já começamos discussão com Belo Horizonte e Curitiba, estamos mais avançados e unimos esforços.

Empresas & Negócios – A liquidez de 15 anos exigirá caixa –há esta verba?

Fortunati – O governo federal aporta maior volume de recursos. A empresa privada entrará com o resto. Esta parte será definida até 3 de abril no cadastramento da nossa proposta, incluindo quanto teremos de ter de caixa. Cinco anos após, com a obra pronta, a prefeitura começa a abater parcelas do investimento privado.

Empresas & Negócios – E se não sair o metrô, qual é a solução para a mobilidade?

Fortunati – Teremos de apostar nos BRTs, mas eles não atendem toda a demanda. O metrô se torna imprescindível. Com o crescimento assustador da frota de veículos, este transporte dará melhores condições de mobilidade. 

Empresas & Negócios – Então, o senhor não cogita não ter metrô? Há um plano B?

Fortunati – Nem penso nisso. Não tem plano B. Estamos trabalhando com todas as forças na interlocução com os governos e fazendo todos os esforços políticos. Neste momento, não cogito. Só penso nisso depois de 12 de junho.  

Empresas & Negócios – Garantido o metrô, que levará até cinco anos para ficar pronto, como fica o trânsito até lá?

Fortunati – Acredito que os BRTs serão um grande atrativo para a classe média. Quando o veículo se aproxima do cruzamento, a sinaleira começa a mudar para dar mais fluência. Na avenida Assis Brasil, com BRT se elevará para 30 km/h. Serão ônibus com ar-condicionado com muito conforto. Em dois anos estarão operando.

Empresas & Negócios – O que será feito na saúde? Há demanda para a Copa do Mundo?

Fortunati – De cada dez atendimentos pelo SUS, 5,5 são pessoas de fora. Estamos falando com os governos estadual e federal para adoção de medidas para fortalecer a saúde no Interior, com hospitais e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). Sem isso, não resolve o problema da Capital. Aqui teremos quatro UPAs (duas começam a construção este ano), há maior regulação de leitos e informatização de toda a rede (termina no final de 2011). Reabriremos o Hospital Independência, o Clínicas reabrirá logo o Luterano, haverá o Instituto Municipal de Estratégia de Saúde da Família (Imesf), área que teremos 170 equipes até dezembro, e começa a construção do hospital da Restinga. Haverá um salto de qualidade no atendimento.

Empresas & Negócios – Porto Alegre está se credenciando a ser excelência em serviços?

Fortunati – Não ficamos atrás de nenhuma capital brasileira na área. Mas muitos reclamam que há sujeira. Montamos grupo de trabalho, chefiado pela Ana Pellini, e anunciaremos nos próximos dias novas medidas. Multaremos pesadamente quem desrespeitar as leis. Será uma ação impactante.

Empresas & Negócios – As obras para a Copa estão em dia?

Fortunati – Estamos nos reunindo com órgãos como a Caixa, e secretários. Há atraso no levantamento socioeconômico para remoção de famílias da avenida Tronco, que agora se resolveu. A obra é a mais complexa do pacote para o Mundial. Mas ela ficará pronta para a Copa das Confederações de 2013, como a reforma do Beira-Rio. Tudo depende das licitações nos demais projetos. Não há atraso nas liberações de recursos.

Empresas & Negócios – A revitalização do Cais do Porto está ameçada?

Fortunati – Está tudo acordado com o governo estadual. Pedimos ao Ministério dos Transportes para desafetar a área como porto. Dependemos disso para que o empreendimento comece. Mas tudo que vem de Brasília é grande incógnita.

 Jornal do Comércio



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9 respostas

  1. Adoro antinomias. Cada vez mais carros nas ruas..e argumentam sobre mais corredores de ônibus. Santa lógica, Batman!
    Enquanto se cria pistas exclusivas para o cada vez menos usado transporte público, se reduz o espaço nas pistas dos cada vez mais numerosos automóveis. Vá entender a lógica do Fortuna hein.
    E o tal metrô é a mais nova panaceia de Poa. Virou EPIFANIA.

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  2. Eu até acho a administração dele razoável, ele tem tentado tirar a cidade do marasmo que principalmente as administrações do PT colocaram. Mas quando ele diz “Somos a capital da democracia do mundo, da gestão ambiental fantástica” mostra bem que ele saiu do PT mas o PT não saiu dele, que tristeza. Gestão ambiental fantástisca, que absurdo é esse, alguém me explica, por favor. Temos um lago completamente poluído por esgoto em pleno século 21. Capital da democracia no mundo, o que é isso, pelo amor de deus, deve estar falando daquela demagogia do OP.
    Caro Rogério, quanto aos BRTs, o nossos corredores não são BRT completo pelo simples fato de por eles trafegar um infinidade de linhas que vão para destinos diversos. O BRT tem que ser como um metrô, apenas uma linha por corredor com grande capacidade de carga, assim todas as pessoas que estão nas estações embarcam nele quando ele passa e não fica aquele aglomerado de pessoas esperando um determinado ônibus específico, o que resulta numa maior quantidade de ônibus em circulação com uma menor taxa de ocupação de cada um e sendo portanto menos eficiente.

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  3. Por que o cais deveria ser mais prioritário que o metrô? Não me leve a mal, sou a favor de ambos.

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  4. ESSE PALHACO ESTA OBSECADO COM ESSE METRO, INVEZ DE DAR DE TUDO PARA CONSTRUIR O CAIS!! nao!! quer trenzinho!!!

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  5. Tu sabe que eu tava pensando sobre isso? Eu sempre achei que nossos corredores fossem BRT’s então eu não entendo exatamente o que eles querem dizer quando falam que vão implantar. Pelo artigo dá pra ver que vão fazer corredores na Pe Cacique e na Tronco, o que é ótimo para mim hehe.

    Em relação a Bogotá… é fácil de imaginar que um poder ultrapassar o outro permite muitas otimizações no sistema, inclusive criação de linhas “rápidas” como nossos T1-Direta e outras.

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  6. Desculpem saiu um erdeiro no texto!!!!

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  7. Há um problema sério que não está sendo dito ao senhor prefeito, os corredores de transporte em Porto Alegre já são considerados BTRs, e a capacidade destes corredores não pode ser aumentada só através da colocação de ônibus articulados, estes ônibus talvez (eu digo talvez, não poderia falar com certeza) até diminuam a capacidade dos corredores devido a serem veículos mais pesados e mais difíceis de ser dirigidos.

    Em Bogotá há o famoso TransMilenium que transporta quase o dobro do que os corredores de Porto Alegre, só com um pequeno detalhe, a faixa de rolamento é mais do que o dobro da largura dos nossos corredores, permitindo a ultrapassagem de um BRT por outro.

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  8. Só acho que o senhor prefeito está viajando quando diz “Acredito que os BRTs serão um grande atrativo para a classe média.”, os BTRs não são mais do que grandes ônibus desajeitados erdeiros dos “papa-filas” de 1950 (Eta modernidade!).

    BTRs é uma solução temporária de baixo custo para cidades que não tem como investir. Um veículo sobre uma faixa de rolamento e não sobre trilhos tem limites bem claros de dirigibilidade.

    Na verdade acho que o senhor prefeito está sendo sincero nas suas opiniões, porém está sendo manipulado pela ATP que não quer perder a boquinha. Esses BTRs vão se mostrar mais cedo do que se pensa um transtorno ao tráfego.

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  9. Bom ver que estão falando em redução de impostos no âmbito da implantação do metrô. Só fico com medo que isso seja em benefício da construção (e das construtoras) da obra, e não da população que vai usar o sistema.

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