Novas opções para estacionar

Está em estudo a criação de vagas subterrâneas visando desafogar o trânsito, principalmente do centro de Porto Alegre

Parque Ramiro Souto, na Osvaldo Aranha, é um dos locais que poderão abrir empreendimento Crédito: tarsila pereira

Estacionar o carro no Centro de Porto Alegre é sinônimo de transtorno para a maior parte dos motoristas. Duas iniciativas recentes, surgidas na Câmara, apontam o subsolo como alternativa. A criação de estacionamentos subterrâneos é vista com simpatia pela prefeitura. Comum no exterior, o modelo visa ampliar o escasso número de vagas e desafogar o trânsito da cidade, que hoje conta com 686 mil veículos registrados, segundo o Detran/RS – quase um para cada dois habitantes.

O ponto de partida foi uma emenda ao Plano Diretor aprovada em novembro de 2009, proposta pelo vereador Airto Ferronato (PSB). O autor explica que empreendimentos como a revitalização do Cais Mauá e a Copa do Mundo de 2014, que tem a Capital como uma das sedes, tornam necessária a criação de alternativas para o trânsito. “Vamos precisar de acessos rápidos, modernos e seguros.” Entre os locais em estudo estão o Largo Glênio Peres e o parque Ramiro Souto, na Osvaldo Aranha.

O preço dos novos estacionamentos, segundo Ferronato, deve estar abaixo dos empreendimentos privados hoje situados no Centro. “Defendo que a licitação seja realizada pelo critério do menor valor oferecido ao usuário no período de exploração da área pela empresa vencedora.”

De autoria do vereador Idenir Cecchim (PMDB), um projeto entrou na pauta da Câmara no início de fevereiro para incentivar o Executivo a utilizar o espaço subterrâneo e áreas prioritárias. Entre elas estão o Largo Glênio Peres, a Praça da Matriz e os parques Farroupilha e da Harmonia. Conforme Cecchim, o empreendimento seria construído e gerenciado pela iniciativa privada, de forma que o município não venha a ter um custo alto.

Foco ainda no transporte individual

Contrário ao estacionamento subterrâneo, o presidente da Associação de Moradores do Centro de Porto Alegre, Paulo Guarnieri, acredita que a mudança irá agravar ainda mais o problema de trânsito da Capital. “Estarão sendo dadas mais condições para a circulação de transporte individual”, afirma. Na opinião dele, não adianta aumentar as vagas de estacionamento enquanto houver “gargalos” na entrada e na saída do Centro – como as imediações da Estação Rodoviária e da Usina do Gasômetro.

A melhor alternativa ao trânsito do Centro, segundo Guarnieri, seria vetar a passagem de transporte individual nas ruas mais estreitas. Defendeu o sistema de rodízio conforme a numeração da placa, a exemplo do que ocorre em São Paulo. Diz que a mudança passa também por melhoria no transporte público.

Guarnieri também tem restrição em relação aos locais onde seriam construídos os estacionamentos. Um dos projetos, em estudo pela prefeitura, seria executado abaixo do Largo Glênio Peres. “Fica próximo do Guaíba e o lençol freático deve estar muito aflorado, muito na superfície.”

“A comunidade deveria ser consultada”, diz o vice-presidente da associação, Carlos Roberto Borges. Na opinião dele, antes de discutir um estacionamento subterrâneo no Glênio Peres, a prefeitura deveria recuperar a vocação histórica do local como palco de manifestações populares.
 
Diminuição do fluxo de veículos

Especialistas em trânsito veem de forma positiva a criação de estacionamentos subterrâneos na Capital. O professor João Fortini Albano, da Ufrgs, acredita que, ao mesmo tempo em que a medida incentiva o deslocamento de veículos em direção a uma região já congestionada, como o Centro, colabora para a diminuição do fluxo ao tirar das ruas os carros estacionados em via pública.

“O estacionamento subterrâneo ajuda a encaminhar uma solução e até já deveria estar implementado”, afirma. Ele pondera que, em algumas regiões, a Capital tem o nível do lençol freático muito próximo da superfície. “Exigiria alguma condição de drenagem mais sofisticada, o que viria a encarecer. Mas, pelo grande benefício, seria completamente viável”, opina.

Para o professor e engenheiro civil Mauri Panitz, de nada adianta a realização de obras para resolver o problema da mobilidade se não houver uma política de estacionamento. “A maior parte dos congestionamentos é causada pela falta de capacidade das avenidas, especialmente das arteriais e das coletoras, que estão com 50% do espaço viário ocupado com veículos estacionados”, ressalta. Na opinião de Panitz, da forma como os estacionamentos são gerenciados hoje se tornam insuficientes para atender à demanda. Por isso, afirma ser favorável às vagas subterrâneas em Porto Alegre.
 
Edital sairá em até 3 meses

O modelo de licitação para a criação de estacionamentos subterrâneos está em estudo pela prefeitura. O trabalho ficou a cargo do Gabinete de Assuntos Especiais, a cargo de Edemar Tutikian. “Dentro de dois ou três meses deverá ser lançado um edital de estudos técnicos“, diz o prefeito José Fortunati.

Indefinições

Nenhuma das propostas surgidas na Câmara Municipal de Porto Alegre estabelece detalhes como tamanho e número de vagas para o estacionamento subterrâneo.

Correio do Povo



Categorias:Meios de Transporte / Trânsito

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13 respostas

  1. Tem que avisar ao sr. Paulo Guarnieri, que ja existe tecnologia na engenharia para construir o estacionamento subterrâneo sem que se tenha problemas com o lençol freático, vide estacionamento subterrâneo do museu Iberê Camargo na beira do Guaíba.

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  2. Para quem disse que estão priorizando o transporte particular: O BRT está saindo exatamente no centro, então o transporte público também está recebendo investimentos. Convehamos, não tem pq valorizar só um tipo de transporte.

    E concordo, duvido que um morador do Mont Serrat vai pegar um busão pra ir pro cais.

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  3. Eu sou favorável aos estacionamentos subterrâneos, desde que tenha a devida segurança para evitar que acabem se tornando mais um “território” de flanelinhas clandestinos.

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