Opinião: Rosana de Oliveira

Vendem-se ilusões

Quem conhece o histórico dos atrasos nas obras públicas no Brasil não se surpreende com o relatório do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) que aponta para um quadro caótico nos aeroportos na Copa de 2014. Surpresa seria se tudo saísse no prazo previsto. Milagre, se alguma ficasse pronta antes.

O aeroporto Salgado Filho não tem um, mas quatro problemas que deveriam ser solucionados até o mundial: a extensão da pista, a ampliação do terminal de passageiros, a construção de um novo edifício-garagem e a instalação de instrumentos que permitam pousos e decolagens em dias de neblina. Não se pode esquecer que os jogos serão em pleno inverno e que, sem esses instrumentos, os turistas que planejarem visitar Porto Alegre correm o risco de ficar retidos em outras cidades.

As ilusões vendidas quando a Capital foi escolhida uma das sedes da Copa foram se desvanecendo. Primeiro, tivemos a certeza de que não haveria metrô. Mesmo depois que o metrô voltou a fazer parte do sonho coletivo, ficou estabelecido que, se sair, será lá por 2017 e só ligará o Centro à Zona Norte.

Apesar de a presidente Dilma Rousseff ter se comprometido na campanha com a segunda ponte do Guaíba, o governo já avisou que não há como construí-la antes de 2015. A única hipótese de ficar pronta antes é entregar a obra à Concepa, em troca da ampliação do prazo de concessão da freeway. Sem a nova ponte, turistas do sul do Estado, do Uruguai e da Argentina correm o risco de engarrafamentos ou de ficar do lado de lá num dia de jogo, caso o vão móvel sofra pane.

Temos o consolo de que a duplicação da Beira-Rio está em andamento, mas não há garantia de que saia a da Avenida Tronco, pela dificuldade em reassentar as famílias desalojadas. O resto são promessas. Promessas de que a Terceira Perimetral será mais rápida com os viadutos e túneis ainda não iniciados, de que os ônibus serão melhores e circularão por corredores remodelados. Promessas de que a rede hoteleira será qualificada, os hospitais oferecerão mais vagas, os serviços serão melhores. Quem ainda acredita em promessas?

PELO MENOS O CAIS

Em meio às notícias de que nenhuma grande obra ficará pronta para a Copa de 2014, pelo menos um alento: a revitalização do Cais Mauá deve ser concluída em abril de 2014. Esse prazo está no cronograma apresentado ontem ao governador Tarso Genro pelo consórcio vencedor da licitação.

Na apresentação do projeto, considerado “muito bom” e “muito interessante” pelo governador, os empresários brasileiros e espanhóis reafirmaram a previsão de investimento de R$ 450 milhões.

Tarso convidou o prefeito José Fortunati e a presidente da Câmara, Sofia Cavedon, para o encontro, no Palácio Piratini. Aos investidores, reafirmou a disposição de negociar com o governo federal a liberação da área, para que deixe de ser considerada portuária.

O pedido de “desafetação” já foi encaminhado à presidente Dilma Rousseff. Como a solução nasceu na própria Agência Nacional de Transportes Aquaviários, o chefe da Casa Civil, Carlos Pestana, acredita que a resposta positiva sairá nos próximos dias.

ALIÁS

As previsões sombrias do Ipea ainda podem ser revertidas, mas para isso será necessária uma mudança radical na postura das autoridades da área da aviação, que só reagem depois do caos

Zero Hora



Categorias:Opinião

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5 respostas

  1. ^^ Deus nos livre….a de Belem e’ uma coisinha de nada…custou so R$ 10 milhoes.

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  2. Vai ser muito bom ter em Porto Alegre algo semelhante ao que se tem em Belém do Pará:
    http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=609570

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  3. Copa de 2014 fora do Brasil JÁ!!

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  4. Pelo que eu entendi, a ANTAQ apresentou 3 propostas para o governo do Estado:
    1a: Que os 2,5 milhões anuais de aluguel passassem para a agência, e se fizesse um pedido oficial de desculpas pela ousadia de “não terem pedido permissão” para o projeto.
    2a: o projeto fosse refeito, com a volta do uso portuário, o fim das torres e do shopping, uma feira de produtos indígenas e a expulsão de todos os capitalistas exploradores da cidade.
    3a: a desafetação da área, de maneira que a ANTAQ não recebesse nenhum dinheiro nem tivesse mais possibilidade de dar pito ou interferir em nada.

    Ou então quais foram as propostas para o governo escolher a terceira?
    Me parece muito conveniente toda essa discussão para no final a solução ser tão simples e tão óbvia. A presidente Dilma aparece como alguém que num surto de bondade e voltando seu olhar para nós reles mortais decidiu assinar a desafetação. O governador aparece como alguém que com muita diplomacia conseguiu vencer o monstro da burocracia alimentado pelo governo anterior. A ANTAQ como tendo feito um sacrifício de abdicar de seus direitos sagrados de decidir sobre o bem estar ou não da população de Porto Alegre.

    Mas pelo menos a revitalização vai acontecer…

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  5. “O pedido de “desafetação” já foi encaminhado à presidente Dilma Rousseff” –

    No final, a Dilma, nossa grande líder chefe suprema substituta, será a grande redentora do projeto de revitalização do Cais de Poa. Ou seja eles criam o “entrave” para depois alguém iluminado vem para retirar o entrave, rendendo dividendos políticos em meio a ignorância generalizada.

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