Aeroportos: Saturados, mesmo com obras

Saguão do Aeroporto lotado - Foto: Geraldo Barbosa

Estudo divulgado por empresas aéreas mostra que investimento em ampliações é insuficiente para atender demanda em 2014

Mesmo com as obras de ampliação previstas até 2014, os principais aeroportos brasileiros continuarão operando acima da capacidade, aponta novo estudo divulgado ontem. Em três anos, os terminais deverão receber 33 milhões de passageiros a mais do que o inicialmente previsto.

São esperados cerca de 225 milhões de passageiros nos aeroportos do país no ano da Copa do Mundo. A diferença equivale a mais de um aeroporto como o de Guarulhos, em São Paulo, considerando a capacidade atual do maior terminal nacional, de 20,5 milhões de usuários por ano.

Os números constam de estudo encomendado pelo Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea) e realizado pela Coppe – instituto de pós-graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A pesquisa aponta que os investimentos de aumento de capacidade previstos pelo governo federal estão defasados.

– A demanda de passageiros requer um esforço maior do que o planejado. Há necessidade de uma intervenção adicional – afirma o professor de transporte aéreo da Coppe Elton Fernandes, responsável pelo estudo.

No aeroporto Salgado Filho, a demanda atual de 6,67 milhões de passageiros passará até 2014 para 9,8 milhões anuais – mais de 20% acima da projeção das companhias aéreas.

Para ampliação do terminal 1 do Salgado Filho estão previstos investimentos de R$ 345,8 milhões. Na próxima sexta-feira, a Infraero abrirá as propostas para a contratação dos projetos de engenharia. Com as obras, o terminal quase dobrará de tamanho, passando para 66,7 mil m² até 2014.

No entanto, na avaliação do estudo, a ampliação será insuficiente para atender a demanda de passageiros na principal rota do Mercosul – que cresceu 19,1% em 2010.

– O aeroporto de Porto Alegre é um ponto crítico do país, pois já opera acima da capacidade – avalia Fernandes, lembrando que hoje a demanda é atendida com a utilização do terminal 2 pelas companhias Webjet e Azul.

Diferentemente do estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgado há duas semanas, o levantamento encomendado pelo Snea não leva em conta o tempo médio necessário para a conclusão de obras aeroportuárias – considerando a realização da Copa do Mundo de 2014.

– A Copa será apenas uma gota d’água em um copo cheio. A questão a ser discutida é a reprogramação de obras diante de uma demanda que não para de crescer – diz Fernandes.

Snea projeta “caos completo”

O estudo do Snea foi apresentado na Comissão de Infraestrutura do Senado, ontem à tarde, em Brasília.

– O que vai ocorrer (no ano da Copa) é o caos completo – diz José Márcio Mollo, presidente do Snea.

O estudo dá a dimensão do aperto vivido pelos brasileiros nos aeroportos. Os terminais recebem 165 passageiros por m2, enquanto na Europa a média é 143, e nos EUA, 127. As obras previstas deverão adicionar perto de 400 mil m2.

Porém, com a previsão de demanda, o índice de aperto aliviaria pouco a situação, passando para 171 passageiros por m2. O estudo sugere que, para que os aeroportos brasileiros se adaptem à média mundial, seria preciso adicionar 366 mil m2 além das obras já previstas. Isso equivale a duas vezes a área de Cumbica.

A atualização das projeções de aumento de demanda leva em conta a mudança de patamar de crescimento do setor nos últimos dois anos. Antes, as empresas aéreas trabalhavam com previsão de expansão de 9,2% ao ano e agora estimam em 10,7%.

Para acelerar obras, Dilma vai privatizar terminais

Áreas ampliadas em aeroportos no centro do país deverão ter a exploração concedidas à iniciativa privada.

A medida, proposta pelo governo federal, será uma tentativa de acelerar a realização de obras nos terminais.

No início de maio devem ser lançados os editais propondo a concessão de Guarulhos (SP), Brasília e Campinas (SP). Para o fim de junho ou início de julho, será a vez de sair as propostas para Confins (Belo Horizonte) e Galeão (Rio de Janeiro). As concessões não devem incluir a exploração de espaços já administrados pela Infraero.

A decisão de fazer concessão de aeroportos a empresas privadas foi tomada pela presidente Dilma Rousseff na segunda-feira, em reunião com representantes do setor e anunciada ontem pelo ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, durante discurso na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES).

O total de investimentos estimados pela Infraero para esses cinco aeroportos é de R$ 3,987 bilhões. O modelo vinha sendo pleiteado pela iniciativa privada e a demora na realização das obras estava incomodando a presidente Dilma. As obras previstas incluem a construção de novos terminais de embarque, reformas e modernização.

Pelo modelo de concessão, a empresa vencedora da licitação executa a obra necessária e em contrapartida explora comercialmente o aeroporto, com aluguel de lojas.

– Queremos combinar a urgência das obras com a necessidade de investimento público e privado para que a gente possa dar resposta a essas questões no menor espaço de tempo possível – disse Palocci.

Zero Hora (impressa)



Categorias:aeroportos brasileiros, COPA 2014

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23 respostas

  1. Carlos, então fica combinado assim: qualquer concessão não é privatização, ou não?

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