AEROPORTO NO LIMITE – MARTÍRIO AÉREO

FILAS SE CONFUNDEM no setor de embarque do terminal 1 do Salgado Filho, em Porto Alegre, que teve de recorrer ao desativado antigo aeroporto, e mesmo assim não consegue atender passageiros com conforto

Promessas de cumprimento de obras são renovadas enquanto infraestrutura permanece precária e número de passageiros aumentaInaugurado em 2001 envolto em uma aura de modernidade, o novo aeroporto Salgado Filho chega aos 10 anos saturado: há mais passageiros do que comporta de fato e deve conforto a seus usuários. No ano passado, foram mais de 6,6 milhões de pessoas circulando pelos corredores do terminal, que oficialmente tinha capacidade para receber 5 milhões de passageiros. A abertura do terminal 2 para voos comerciais, em dezembro do ano passado, agregou mais 1,5 milhão à capacidade atual do complexo, mas o crescimento da demanda indica que em 2011 o movimento vai beirar as 8 milhões de pessoas. Se o número for confirmado, continuará a faltar espaço.

Além disso, o conceito de aeroporto associado a um shopping center que caracterizou a inauguração foi abandonado pela Infraero – empresa estatal que administra o complexo. Ainda consta da página oficial do aeroporto, mas não há lojas abertas 24 horas nem uma praça de serviços capaz de animar os consumidores. Os três cinemas, que apareceram como a grande novidade na época da inauguração, estão fechados há quase um ano, sem perspectiva de reabrirem. O espaço ocioso das salas está com tapumes e deverá ceder lugar para atividades comerciais.

O edifício-garagem também não comporta mais o fluxo de passageiros, que enfrentam até falta de táxis em dias muito movimentados. O serviço de transporte público inclui sete linhas de ônibus e uma de metrô até o centro de Porto Alegre, mas a distância da estação mais próxima desaconselha qualquer pretensão de usá-la. Os balcões de check-in são os mesmos 32 há 10 anos, apesar de o movimento ter duplicado nesse período.

A notícia que intriga é que há novas promessas no ar. A ampliação do terminal 1, com início previsto para o final de 2012, promete elevar a capacidade total para 10 milhões de passageiros em 2014 (incluindo o terminal 2), quando a carga de pessoas na unidade, de acordo com estudo realizado pela Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), deverá ser de 9,8 milhões de passageiros. Também haverá obras emergenciais, que começam na semana que vem. Mais 20 balcões de check-in vão ocupar uma ala ociosa no segundo andar, à esquerda das atuais posições. Serão acompanhadas de uma nova sala de embarque com capacidade para 280 passageiros, além de mais três posições de raio-X para inspeção de bagagem.

Mas, até tudo estar pronto, os usuários deverão continuar convivendo com filas nos balcões, falta de vagas nos estacionamentos, cancelamentos, atrasos de voos em dias de neblina e até, como registrado há uma semana, insegurança com relação à bagagem. O estudo do Ipea colocou o Salgado Filho entre os 14 aeroportos do país cuja situação é classificada como “crítica”. A ocupação média, segundo o estudo, foi de 166,9% em 2010.

– Mesmo com projetos adiantados, as obras em Porto Alegre não deverão levar menos que seis anos e meio para serem finalizadas. Isso indica que a situação crítica vai persistir – diz o pesquisador Carlos Campos Neto, do Ipea.

O superintendente do Salgado Filho, Jorge Herdina, contesta. De acordo com ele, a capacidade dos dois terminais já foi ampliada e não há problemas de conforto nos saguões:

– Em 2010, duplicamos os canais de embarque. Até dezembro, estaremos operando com capacidade para 8,5 milhões de passageiros.

Segundo Herdina, até 2016, quando ele estima que a ampliação definitiva estará concluída, os dois terminais terão capacidade para receber 12 milhões de pessoas por ano.

NEBLINA REINA NA TERRA DA PROMESSA

MINISTRO JOBIM garantiu em agosto de 2007 uma solução para o Salgado Filho em três meses. Infraero prometeu para 2009

O maior problema do Salgado Filho, 10 anos depois da inauguração do terminal 1, continua sendo a neblina – especialmente quando maio chega. A falta de um equipamento adequado para permitir operações com teto de até 30 metros e visibilidade de 400 metros, o que melhoraria em 50% a performance do aeroporto, deve persistir até 2014, segundo o superintendente do terminal, Jorge Herdina. Só nesta primeira semana do mês, foram mais de cinco horas fechado e 55 voos cancelados, além de atrasos superiores a 30 minutos em mais de uma centena deles.

O índice de fechamentos em maio é quase quatro vezes maior do que a média do ano, tradicionalmente situada entre 1% e 1,5% do total de horas de operação. No ano passado foram 32 horas e 19 minutos de fechamento no mês, o que representou 4,34% do período de funcionamento. Apenas para dar um exemplo, em julho do ano passado, o aeroporto fechou por 12 horas. Em fevereiro, por apenas uma hora e meia.

A habilitação do Salgado Filho para nível 2 é prometida desde 1997, quando começou a construção do novo terminal. Dez anos depois, em agosto de 2007, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, prometeu uma solução para dali a três meses. Em quase quatro anos, a mudança de categoria não evoluiu. Agora, Herdina garante que a solução está próxima. De acordo com o superintendente, a obra de ampliação da pista – tratada como necessária para instalar o equipamento antineblina classe 2 – pode começar em junho.

– Estamos na fase de revisão do projeto. Se começarmos a construção em agosto, podemos ter a pista ampliada no começo de 2014 – estima Herdina.

A extensão da pista em 920 metros é importante para o equipamento de segurança, mas não essencial. De acordo com Herdina, o sistema de luzes de aproximação (chamado de ALS, na sigla em inglês) é o fator indispensável para garantir uma operação segura em dias de névoa forte. Porto Alegre não tem um equipamento capaz de operar na categoria 2, a mais indicada para as condições meteorológicas da cidade. A licitação para a compra e instalação do equipamento será aberta no dia 17 de maio. Também fazem parte do sistema o localizer (localizador) e o glide slope. Os dois sistemas, que o terminal de Porto Alegre já tem, não precisam ser substituídos.

A ampliação da pista é importante para adequar o Salgado Filho a rotas mais longas, que exigem aviões mais potentes. O terminal de carga, que está sendo construído ao lado do terminal 1, só saiu do papel porque a pista será ampliada. O novo prédio, que tem investimento de R$ 98 milhões, elevará a capacidade de carga do aeroporto das atuais 35 mil toneladas por ano para 100 mil em 2013.

 

POR QUE VIAJAR É UM DRAMA

A lista de tormentos para quem chega e parte do Salgado Filho é longa. Da inexistência de vagas no estacionamento às filas para embarcar, não faltam reclamações em relação ao desconforto do aeroporto da capital gaúcha. Nestas páginas, confira os principais problemas dos terminais 1 e 2


 

Zero Hora Impressa – 08/05/2011



Categorias:aeroportos brasileiros

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9 respostas

  1. London:
    Heathrow 66.0 milhoes/ano….2 pistas
    Gatwick 32.3…..1 pista
    Stanstead 20.0….1 pista
    Luton 9.1….1 pista
    City 2.8….1 pista

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  2. jeclecler.
    Londres possui 5 aeroportos: Alem de Heatrow e Gatwick(os maiores), ainda tem Stanstead, Luton e City.
    O numero de passageiros pode estar crescendo em torno de 10-15% ao ano em POA agora, mas a tendencia e’, apos alguns anos em se estabilizar. Acho que pelos proximos 50 anos nao teriamos que nos preocupar com a necessidade de outra pista.

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  3. Uma pista pode ter 45 movimentos por hora, com tranqüilidade, mas necessita ampliar para 3.200 metros, assim como está tem capacidade é de 15 mov/hora. Quanto a novo aeroporto, onde???
    Quebrar e abrir o capital da Infrazero, e ai na minha fazenda, posso construir um aeroporto, e parte do $$$$ coloco na Infrazero.

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  4. Gerson, pelo que sei Londres tem 3 aeroportos, não?
    O Heathrow tem duas pistas e geometria para ampliar o numero das mesmas, se necessário.

    Sei la, o Salgado Filho talvez não precise, mas isso é pensar no futuro além.

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  5. se ao menos se as pessoas se ajudassem fazendo check-in pela internet….oera aí que tenho que ir na agencia verificar meu saldo e pegar folhas de cheques.

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  6. Que agilidade!

    “Um estudo preparado pela Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) e pela Secretaria de Aviação Civil (SAC) prevê que o leilão de concessão dos aeroportos para a iniciativa privada só deverá ser realizado em MAIO DE 2012, prazo muito curto para a execução das obras para a Copa do Mundo de 2014. “http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&local=1&section=Economia&newsID=a3302310.xml

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  7. ^^ Ja falei dezenas de vezes, mas vou repetir:
    O Salgado Filho NAO PRECISA de outra pista, o que ele necessita eh de aparelhos de 1a geracao para auxiliar nas decolagens/pousos e a ampliacao da pista.
    O aeroporto de Gatwick em Londres opera tranquilamente seus 35 milhoes de passageiros/ano em uma so pista. Basta saber gerenciar com eficiencia!

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  8. Na minha opinião, acho que não vale a pena construir um novo terminal aí.
    Com o tempo, o aeroporto deve crescer. E não há espaço para isso, basta olhar no google maps. Só há uma pista, que vai ser ampliada. Mas não há espaço para outra.

    Creio que deveriam construir um aeroporto de grande porte na área próxima onde sairá a BR 448, na área de Canoas.

    Apenas uma opinião…, se for pra construir novo, que seja já pensando no futuro.

    Ah, achei o fim da picada o aeromóvel não passar no terminal 2.

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  9. Esses jornalistas de ZH não olham nem o banco de dados deles antes de saírem falando besteira. Os cinemas, segundo ZH mesmo noticiou à época, quando inclusive entrevistou o proprietário da rede que ali havia, foram retomados pela Infraero, que não quis renovar o contrato quando a licitação expirou. Ele disse que queria renovar e até protestou na época, ams a Infraero disse que precisava do espaço para utilizar na administração do aeroporto, pois faltava salas para eles trabalharem. Perdeu a população.

    E quanto à modernidade do aeroporto, leiam no comentário que coloquei no post referente ao editorial de SH sobre o salgado Filho a tecnologia morena que tem lá e não é utilizada e poderia pelo menos diminuir a falição que é pegar um vôo nele.

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