BOMBA: Azaleia fecha fábrica e demite 800 funcionários em Parobé (atualizado)

Empresa encerra atividades na unidade instalada no RS há mais de 50 anos

Funcionários foram informados do fechamento da fábrica na tarde desta segunda-feira - Ricardo Fuchs / Especial

A fábrica cinquentenária da Azaleia no Rio Grande do Sul encerrou a produção em Parobé, no Vale do Sinos. O fechamento da unidade resultou na demissão de 800 funcionários. A informação foi confirmada por nota divulgada pela companhia na tarde desta segunda-feira.

— A concorrência com os calçados importados está cada vez maior. Foi uma medida absolutamente necessária por questões de competitividade — justitificou o presidente da Vulcabras/Azaleia, Milton Cardoso, que também presidente a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados).

Conforme Cardoso, a decisão de fechar a unidade gaúcha foi tomada pela mesma ser a menor em termos de volume de produção. Com o fechamento, segundo a Azaleia, haverá uma redução de 8 mil pares por dia na capacidade total de produção da empresa.

Atualmente a empresa tem 44 mil funcionários em quatro unidades instaladas no Nordeste e na Argentina.

— Reduzir empregos é sempre uma medida penosa, porém necessária. Na atual conjuntura econômica brasileira os setores intensivos em mão de obra (entre eles a indústria de calçados) têm sido obrigados a realizar ajustes em função de vários fatores adversos que já foram extensivamente diagnosticados, mas que seguem intocados pela política econômica e, incompreensivelmente, com perspectivas cada vez mais claras de consolidação — informa a empresa em nota.

A Azaleia argumenta que os ajustes de produtividade que “poderiam ser feitos com ‘maior produção com os mesmos meios’ têm que ser feitos na base de ‘mesma produção com menores meios”.

De acordo com a companhia, essa situação levou a empresa a acelerar as reduções de custos “para a velocidade determinada pelo avanço das variáveis externas à companhia”.

Pelos próximos três meses, os benefícios de cesta de alimentos, assistência médica e creche para crianças continuarão a ser concedidos para os funcionários demitidos, segundo a empresa.

Presidente do sindicato lamenta fechamento da fábrica: “Comunidade depende do setor calçadista”

João Nadir Pires destacou, no entanto, perspectiva de contratação em outras fábricas da região

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Calçados, Vestuário e Componentes de Parobé (SINDVEST), João Nadir Pires, afirma que a entidade se surpreendeu com a decisão da Azaleia de encerrar as operações de produção na cidade e demitir 800 funcionários.

— Fomos surpreendidos pela convocação da reunião com a gerência de RH da Vulcabras e o jurídico da empresa às 13h30min, quando foi comunicado o fim da produção de calçados na cidade. Eles deixaram claro que a decisão é irreversível — lamenta Pires.

Segundo o presidente do sindicato, dentro da região do Vale do Sinos, o município é o que mais depende da indústria de calçados:

— Isso nos deixa em uma situação complicada. A comunidade é dependente do setor calçadista. A nossa preocupação agora é com os cerca de 1,7 mil funcionários que continuam trabalhando na empresa, em modelagem, matrizaria, projeto e outras áreas.

No entanto, Pires destaca que existe a perspectiva de recolocação para os funcionários que perderam o emprego na fabricação de calçados da unidade, uma vez que outras fábricas na cidade enfrentam falta de mão de obra qualificada:

— Felizmente o setor vive um bom momento, não tanto quanto em 2010, mas ainda assim bom. Na região, falta mão de obra qualificada para a indústria de calçados. A nossa expectativa é que essas empresas possam recolocar os trabalhadores, porque tem gente com 20, 30 anos de trabalho na Azaleia, extremamente qualificada. Uma das empresas, a Bottero, tem até ampliado a produção em outros municípios porque não tinha mão de obra qualificada suficiente na cidade. Vamos tentar intermediar contratações.

“Vi pessoas mais idosas que quase desmaiaram”, afirma funcionário demitido da Azaleia

Funcionários receberam com pesar a notícia do fechamento da fábrica

Os funcionários da Azaleia receberam com pesar a notícia do fechamento da fábrica em Parobé na tarde desta segunda-feira. Eles voltaram do almoço por volta das 13h30min e uma hora depois começaram a ser informados de que a produção na unidade seria encerrada.

Assim que receberam a notícia da demissão, as pessoas foram encaminhadas para assinar o aviso prévio. Por volta das 18h, ainda havia funcionários deixando a fábrica. Muitos deles passaram mal ao ouvir a notícia e precisaram ser atendidos no ambulatório.

— Eu vi pessoas mais idosas que quase desmaiaram e tiveram que ser levadas para o ambulatório. Isso por conta da maneira como foi dada a notícia, sem qualquer justificativa. Fomos pegos de surpresa — afirma Oziel Santos de Jesus, 28 anos, funcionário da montagem que trabalhava na empresa há dez anos.

Nos dias 16, 17 e 18 de maio serão assinadas as rescisões de contrato no sindicato.

ZH DINHEIRO

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Governo sem política para a economia do Estado é isso que dá. Temos que ter um governo de verdade. Não temos atualmente. Se todos os estados oferecem vantagens às indústrias, temos que oferecer também, senão iremos voltar a ser um estado essencialmente agrícola.  



Categorias:Economia Estadual

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40 respostas

  1. Manda estes caras voltarem para o campo, produzir alimentos tem muita getne trabalhando na cidade….

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  2. Ja nfiz meu modesto comentario.

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  3. A politica de incentivos fiscais tem que ter regras claras . Deve prever os beneficios que a concessão trara ao Rio Grande . Com isso, evitar- se-a o que aconteceu com A azaleia. Recebeu milhões em beneficios fiscais e na hora que bem entendeu fechou a fabrica e mandou 8oo trabalhadores para a RUA. O dinheiro do povo abocanhado pela Azaleia foi retirado da saude, da educção e da segurança publica do esta. Gostaria de saber quanto essa empressa doou para a campanha de politicos.

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  4. Na realidade quanto mais desempregados mais desculpa para o Estado criar mais tetas.

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  5. ” que eles são aves de arribação, que deixam os incautos chupando o dedo …”

    A esquerdalha tá em festa hoje, comemorando efusivamente mais uma empresa que se vai.
    Quanto menos emprego, melhor. Ideologias são estranhas mesmo.
    Que se danem os desempregados. O que interessa é que se tenha bastante teta pra mamar no estado. Se tiver teta….eles estão satisfeitos.

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  6. Exato Phil. Se aproveitam que essa fábrica ganhou benefícios para inventar teorias, mas e todas outras que nunca ganharam e estão indo embora? Nem balanças se consegue produzir no Brasil e a nossas fábricas mandam a produção que era em Canoas para China. E por mais que a comparação com gafanhotos seja bonitinha, estas indústrias nasceram aqui, não vieram acabar com nosso lindo pampa e agora estão indo embora.

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  7. Olha os coministas saindo da toca!!! Nessa sua tentativa bizarra de armar uma teoria de conspiracao satanica envolvendo o ex-governador tu nao menciona o montante de encargos trabalhistas que estas firmas tem que arcar, sem falar em total falta de infraestrutura para logistica e distribuicao de produtos e cambio desfavoravel mantido por 12% de juros. Essas sao as verdadeiras razoes de eles sairem, mas para nossos politicos e seus dissipulos tambem com uma cabeca comunistinha, nao estao nem ai, o deles ja esta protegido. Ganham seu dinheiro atravez do suor do trabalho alheio e dos impostos que deveriam serem usados na infraestrutura etc…

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  8. É verdade, Everton. Por falar em nuvem, lembrei-me dos gafanhotos – eles chegam, devoram a lavoura, e depois vão embora em busca de outra lavoura. Até os jornalistas da grande mídia, favoráveis aos “mimos” fiscais, estão “chateados” com esses mercenários, pois descobriram o óbvio – que eles são aves de arribação, que deixam os incautos chupando o dedo …

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  9. Aqui sobre o mesmo assunto na fabrica do Ceará- ITAPETIGA – que tb passou pelas mesmas dificuldades:

    Além da China a India, tá no roteiro produtivo…

    EXCLUSIVO: EX-GERENTE DA AZALÉIA ABRE O JOGO SOBRE AS DIFICULDADES DA INDÚSTRIA EM ITAPETINGA

    Azaléia pode estar a caminho das Índias

    ITAPETINGA: Um colaborador do Sudoeste Hoje, que pediu para não ser identificado, esteve conversando por telefone com o com o ex-gerente da Vulcabrás/Azaléia, Sr. Lauro Saldanha, obtendo algumas informações sobre o destino da empresa, principalmente sobre a atual onda de demissões, além de uma possível transferência de parte da unidade sediada em Itapetinga, para uma nova fábrica que deverá ser aberta na India. Embora a conversa do nosso interlocutor com o Sr. Lauro Saldanha tenha sido bem esclarecedora, algumas coisas chegam à assustar. Vejam um resumo do que foi conversado:

    1. A Vulcabrás / Azaléia, no seu projeto de expansão global, realmente vai abrir uma filial na Índia (perto de Nova Delhi). Saldanha deverá assumir essa fábrica, levando daqui, inclusive, parte das máquinas utilizadas na produção. Com isto, parte da produção da Bahia passará para a fábrica indiana, demitindo aqui, de quatro a cinco mil trabalhadores. O salário na Índia é 85 dólares, enquanto aqui este custo chega a quase 10 vezes mais;

    2. O governo cearense teria oferecido á Vulcabrás/Azaléia uma isenção fiscal por 50 anos. A direção da empresa teria procurado Jaques Wagner para tratar deste assunto, mas até agora não obteve resposta do governo da Bahia ;

    3. A empresa alega que o índice de faltas de colaboradores (operários) na fábrica em Itapetinga gira em torno de 20% do efetivo/mês, o que causa um grande prejuizo à indústria. Só para comparar, em Sergipe esse índice não chega a 2%;

    4. Que a direção da fábrica não sente confiança no prefeito José Carlos Moura, que, segundo Saldanha, não se mostra disposto a ajudar a empresa na questão das isenções estaduais e municipais, só procurando a empresa quando precisa de patrocínio;

    5. Lauro finalizou afirmando que, pelo planejamento macro da Vulcabrás, a planta de Itapetinga não será desativada, pois é a que mais dá lucro. Mas, a depender do apoio nao encontrado aqui e encontrado em outro lugar, eles podem “migrar” a unidade fabril, já que tudo é composto de galvanites e divisórias (sem paredes e concreto).

    Assim, é necessário que os nossos políticos e autoridades abram bem os olhos e arregassem as mangas, pois como dizem os economistas modernos, “o capital não tem pátria”.

    Por DAVI FERRAZ

    Foto: Sudoeste Hoje

    link ai:
    http://www.sudoestehoje.com.br/novoportal/2011/03/15/itapetinga-ex-gerente-da-azaleia-abre-o-jogo-sobre-as-dificuldades-da-industria-na-regiao/

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  10. Informações de 2006 sobre já essa compra e produção da Azaléia na China…

    Indústria do Brasil contrata produção na China

    http://www.portalbmk.org.br/noticias/index.php?id=335&pesquisa=ajuste&pagina=25

    9/5/2005 – Indústria importa da China para defender mercado

    Empresas como Gradiente, Hering e Gulliver vendem produtos chineses com suas marcas

    Indústria importa da China para defender mercado

    http://www.sindlab.org/noticia02.asp?noticia=132

    Obs: procurem na rede e constatarão o histórico desse processo não tão divulgado…

    Fica a pergunta: a que interesse/s é conveniente a não visibilidade sobre isto??

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