Fechamento da Azaleia antecipa instalação de Câmara Temática

Tarso disse que a empresa não deu qualquer tipo de aviso ao governo e a Fiergs. Foto: Caco Argemi - Palácio Piratini

Será instalada nesta quarta-feira (11), às 11h a Câmara Temática do setor Coureiro-Calçadista do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES-RS). Na reunião do Conselhão na última quinta-feira (5), esta Câmara foi aprovada juntamente com outras cinco que serão instaladas neste mês.

A instalação desta Câmara estava prevista para o dia 18 de maio. “Porém, em decorrência dos últimos acontecimentos neste importante setor da economia gaúcha, decidimos antecipar o início do trabalho”, adianta o secretário executivo do CDES-RS, Marcelo Danéris.

As conselheiras e conselheiros que declararam interesse em debater o assunto estão sendo convidados para a atividade que também terá a presença do presidente Agência Gaúcha de Desenvolvimento e Promoção do Investimento (AGDI), Marcus Coester, de representantes do Banrisul e Badesul além de representações sindicais do segmento.

Também participam da atividade os órgãos do governo que integram a Câmara: Secretaria da Fazenda, Casa Civil, Trabalho e do Desenvolvimento Social; Economia Solidária e Apoio à Micro e Pequena Empresa; Desenvolvimento e Promoção do Investimento; Secretaria da Agricultura, Pecuária e Agronegócio e Assessessoria Superior do Governador.

Governador Tarso Genro lamenta o fechamento da Azaléia

O governador Tarso Genro lamentou o fechamento da Azaléia, em Parobé, mas criticou a forma como a empresa calçadista encerrou as suas atividades na cidade do Vale do Paranhama. “Estamos surpresos. Não fomos comunicados do fechamento da Azaléia e nem mesmo a Fiergs foi avisada”, declarou. Ao falar para jornalistas no lançamento da 7ª Feira Nacional de Agronegócios do Sul (Fenasul) e 34ª Expoleite, no Galpão Crioulo do Palácio Piratini, nesta terça-feira (10), Tarso disse que a empresa tem o direito de fazer isto, porque “nós vivemos numa economia onde vigora a lei de mercado e existe uma guerra fiscal e problemas cambiais. Mas não é esta a atitude de uma empresa que recebeu benefícios fiscais homéricos do RS”, ressaltou.

Para o governador, a Azaléia poderia ter feito um aviso prévio e ter realizado uma saída concertada do Estado. Ele adiantou que uma equipe do Governo está trabalhando na realocação dos trabalhadores da empresa para que eles não fiquem desempregados. “Mas o Estado precisa pensar bem para não dar mais incentivos para empresas que têm este tipo de atitude”, declarou Tarso

A Secretaria de Desenvolvimento e Promoção do Investimento (SDPI) pretende, em 15 dias, concluir um estudo com um programa de recuperação de polos econômicos tradicionais da economia gaúcha, entre eles o coureiro-calçadista. De acordo com secretário de Desenvolvimento e Promoção do Investimento, Mauro Knijnik, o programa encomendado não tratará somente de incentivos fiscais. Uma das estratégias é apostar em outros diferenciais para garantir e atrair investimentos, como a qualificação de mão-de-obra, centros de treinamento e pesquisas tecnológicas.

O estudo será entregue ao governador Tarso Genro, que depois deverá discuti-lo com a sociedade. “O programa terá como objetivo encontrar um caminho alternativo para entrar na disputa por investimentos sem apostar na guerra fiscal”, afirmou Knijnik. Com o fechamento da fábrica da Azaléia, em Parobé, cerca de 800 empregos deverão ser fechados.

Na visão da SDPI, o fechamento da unidade, a última que a empresa mantinha no Rio Grande do Sul, faz parte de um processo de deslocamento estratégico da companhia para outros pontos do País e terá impactos negativos, do ponto de vista da receita, no município e no Estado. No entanto, a convicção preliminar é que a mão-de-obra dispensada da Azaléia seja absorvida por outras empresas do setor.

A atual gestão tem criticado a política de guerra fiscal como mecanismo de disputa entre os Estados por investimentos. Dentro deste espírito, o Governo gaúcho promoveu um ajuste na legislação do Fundopem, incluindo uma regra que incentiva as empresas a instalar centros de desenvolvimento tecnológico, principalmente na metade Sul do Estado.

De acordo com Knijnik, o caso da Azaléia comprova a necessidade de se pensar em uma política de desenvolvimento que seja à prova de crises cíclicas provocadas por empresas que desistem de seus projetos depois de usufruírem os benefícios fiscais concedidos.

Jornal do Comércio



Categorias:Economia Estadual

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2 respostas

  1. Caro Wilson Ramos; esta azaleia do fundador só tem o nome. ( foi vendida 3 anos atras). Tem que ser investigada sim, tem incetivos enormes no nordeste e só pegou dinheiro do estado sem nada em troca. Parabéns ao governo Tarso, que não se eludiu com mentiras.

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  2. Acredito ser uma irresponsabilidade o fechamento de uma grande empresa gaúcha.
    Lembro-me da história da Azaléia, desde seu fundador/presidente que lutou de sol a sol, sempre com vista ao desenvolvimento da empresa, como também das família que ali trabalhavam.

    É lamentável, estamos de luto por iniciativas dessa natureza.

    Torço pelos funcionários que deram seu suor ela grande e amada Azaléia.

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