Porto Alegre protegida contra enchentes como a de 1941

No mês em que completa 70 anos de sua maior cheia, a Enchente de 41, Porto Alegre tem muito a saber sobre as ações de combate aos alagamentos e enchentes. Nos últimos anos a Prefeitura investiu R$ 14,6 milhões no Programa de Recuperação do Sistema de Proteção Contra as Cheias da cidade. Para que uma calamidade como a de 1941 não volte a ocorrer, a cidade possui um Sistema de Proteção Contra as Cheias, composto por 68 quilômetros de diques, 2.647 metros de Muro da Mauá e suas 14 comportas de vedação e 19 casas de bombas.

As casas de bombas estão localizadas em pontos específicos da cidade para bombear as águas da chuva para o Lago Guaíba e o Rio Gravataí, num total de 83 bombas com capacidade de bombear 159 mil litros de águas pluviais por segundo. As casas de bombas 1, 2, 10 e 5 foram totalmente reformadas, sendo que a 10 e a 5 tiveram suas capacidades de bombeamento ampliadas. A casa de bombas 3 e a da Vila Farrapos estão com suas reformas quase concluídas.

A casa de bombas 11 no Cristal, foi totalmente reformada em contrapartida a construção do Barra Shopping Sul. Uma nova casa de bombas foi construída, a casa de bombas Santa Terezinha na rua Jacinto Gomes esquina avenida Ipiranga. Outra casa de bombas está sendo construída na Vila Minuano, Sarandi. Outra casa de bombas será construída na Vila Asa Branca, também na Zona Norte.

Estrutura importante do Sistema de Proteção de Cheias, o Muro da Mauá, teve suas 14 comportas de vedação totalmente recuperadas. O DEP substituiu e reformou os 14 portões, que agora fecham em um tempo máximo de 50 segundos por acionamento hidráulico, em caso de enchentes. Se não existisse o Muro da Mauá, as águas invadiriam o Centro da cidade em caso de cheias, trazendo um prejuízo muito superior ao de 1941, já que a cidade possui hoje quase 1,5 milhão de habitantes e na época apenas 270 mil.

O conjunto de diques contabiliza 68 quilômetros de extensão constituídos de Diques Internos (Dique Santo Agostinho, Sarandi, Montante, Arroio Dilúvio, Sanga da Morte e Dique Cavalhada) e Diques Externos (Dique Auto-Estrada Freeway, Navegantes, Praia de Belas e Dique Cristal).

A Enchente de 41 – A maior enchente da história de Porto Alegre completa 70 anos neste mês de maio. A enchente de 1941 somou 791 milímetros de precipitação na capital, as águas chegaram a 4,76 metros de altura, desabrigando cerca de 70 mil habitantes, um quarto dos 272 mil habitantes de Porto Alegre na época (Censo realizado em 1940). O único meio de transporte da população eram os barcos e até hoje podemos ver as marcas da água nas paredes do Mercado Público. Aproximadamente 600 empresas demoraram meses para reabrirem. Foram 22 dias de chuva intensa entre abril e maio daquele ano. Porto Alegre voltou a encarar enchentes em 1967, porém não chegou a tais proporções. O Muro da Mauá foi construído de 1971 à 1974 pelo extinto Departamento Nacional de Obras e Saneamento (DNOS).

O DNOS existiu até 1990, mas desde 1973 o Departamento de Esgotos Pluviais (DEP) planeja, constrói, fiscaliza e conserva as redes pluviais da capital. De acordo com o diretor geral do DEP, Ernesto da Cruz Teixeira, “nunca, até os dias de hoje, foi apresentado um projeto que garanta à cidade a proteção contra as cheias do Guaíba que o Muro da Mauá oferece. Engana-se quem acha que só em 1941 houve uma enchente de grandes proporções e que, depois desse fato, nada mais houve que provocasse preocupações.Em 1967 tivemos uma inundação que atingiu a cota 3,13 metros e o muro ainda não havia sido construído. Em 1984 foram 2,50 metros de cota e as comportas chegaram a ser fechadas. Em 2002 a cota atingiu 2,46 metros, chegando à beira da murada do cais.”

A Prefeitura investe na Recuperação do Sistema de Proteção Contra as Cheias e seu famoso Muro da Mauá para que tragédias como a de 1941 não voltem a ocorrer. Na época um quarto da população ficou sem água e luz e muitas foram as vítimas fatais. Cerca de 70 mil pessoas ficaram flageladas, desabrigadas.

Algumas fotos da histórica e famosa enchente de 1941:

A Av. Borges de Medeiros e o Mercado Público tomados pelas águas

Marechal Floriano, em frente ao Hotel Jung, esquina com Otávio Rocha

Foto aérea, mostrando o Cais Mauá e o Mercado, coração da cidade em baixo d'água

Rua da Ladeira (atual General Câmara)

Fotos retiradas do Blog Porto Alegre, um História Fotográfica, de Ronaldo Marcos Bastos



Categorias:Projeto de Revitalização do Cais Mauá

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18 respostas

  1. Aos nossos amigos leitores Luis Antonio, Portofan e Felipe X e a todos outros leitores os nossos agradecimentos por terem visitado o nosso Blog Pregopontocom @ Tudo e terem nos honrado com as suas presenças.O assunto VLT bem como tudo que se locomove sobre os trilhos é para nos um verdadeiro fascínio,objeto de muito estudo pesquisas e debates,infelizmente as nossas ferrovias ao longo de 60 anos foram abandonadas e sucateadas em detrimento unica e exclusivamente do transporte rodoviário,uma politica equivocada e prejudicial ao desenvolvimento de um país de dimensões continentais como o nosso Brasil.Trabalhamos para ajudar a reverter essa situação,e os expls. começam a aparecer em cidades do Nordeste com um bom trabalho desenvolvido pela recuperada CBTU com apoio da Bom Sinal ( empresa com tecnologia de ponta) unica fabrica de VLTs do Brasil instalada em Barbalha a 400 klms de Fortaleza capital do Ceará. Sugiro também conhecerem o nosso movimento “Eu Quero VLT em Salvador” através do nosso blog consorciado -http://vltemsalvador.blogspot,com/- O VLT do Cariri ( Crato a Juazeiro do Norte) o pioneiro e primeiro a a ser projetado e implantado no Nordeste fabricado pela Bom Sinal concorreu ao premio Green Best – http://greenbest.greenvana.com/2011/vlt-do-cariri/#more-464 – (premio de consumo de iniciativas sustentáveis) sendo o vencedor do júri popular.Ponto para o VLT.Os trens e VLTs de Maceio e João Pessoa ( os quais tive a oportunidade de conhecer pessoalmente bem como Recife,Natal,Fortaleza) estão sobre o controle e administração da CBTU.Quanto ao VLT de Teresina curiosamente existe uma ligação entre ela e P.Alegre,pois o primeiro VLT de Teresina que começou a operar em 1999 usou durante 10 anos os famosos trens Húngaros (na mesma época S.Paulo também recebeu esse trens importados da Hungria que eram consideradosde alto luxo) que eram usados ai no RS que foram adquiridos pelo governo do Piaui reformados e transformados em VLT e recentemente foram desativados sendo substituidos por outros trens que ainda usam partes mecânicas do antigo trem Hugaro.Quanto ao aeromovel trata-se de um projeto revolucionário desenvolvido ai no RS por institutos e Universidades locais – http://www.pucrs.br/aeromovel/ – Infelizmente pouco posso falar sobre a nossa ferrovia pois a mesma sofreu um grave processo de deterioração após a CBTU passar a administração para a Prefeitura de Salvador e o nosso metro (vitima de chacotas e ridicularizado) uma vergonha para todos baianos com quase 15 anos esperamos por uma obra de 13 klms dos quais apenas seis estão quase prontos vitima de embargos e ações judiciais do TCU e MPF.Lutamos agora pela implantação do VLT (metro leve) no corredor da Av Paralela que ligara Salvador a RMS.Agradeçemos a todos pela atenção e continuem sempre nos visitando -Atenciosamente – Pregopontocom

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  2. Os VLT’s são mais caros que o sistema BRT e os resultados são bastante semelhantes. Lembrando q o BRT é conhecido como “metrô sobre rodas”…

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  3. Agora, pessoalmente, prefiro o aeromóvel do que os vlt’s, pois ele não ocupa uma faixa das ruas que poderia estar sendo utilizada por carros e assim estar escoando mais rapidamente o transito da cidade. Prova disso é o sucesso od monorails pelo mundo afora, cuja única diferença considerável em relação ao aeromóvel é que o monorais é movido à eletricidade e o aeromóvel é movido pelo vento que circula pela tubulação de ar que há na sua via elevada.

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  4. Exatamente, Luis Antonio!

    Muito bacana essas fotos e informações que tu trouxestes!!

    Felipe X, pode até ser. No caso de Maceió, por exemplo, não sei se eles também tem algum trem lá como o Trensurb, todavia, tendo ou não tendo, a vantagem do VLT é que ele segue trilhos pelas ruas da própria cidade, como se fossem bondes, ficando muito mais fácil e barata a sua instalação e utilização, bem como não causa aquela divisão na cidade, como ocorre com o trensurb em Canoas, por exemplo.

    Em João Pessoa tem trem como o Trensurb ligando as cidades de Cabedelo, João Pessoa e Santa Rita e mesmo assim está em andamento um projeto de VLT para a cidade (só que o VLT ainda está na fase d eprojeto, ao contrário dos VLT’s de Maceió e Juazeiro do Norte, que já estão funcionando). Já no caso de Teresina me pareceu ser um trem como o nosso trensurb.

    O mundo todo se locomove através de monorails e vlt’s, há bem mais deles do que metrôs pelo mundo. Miami, por exemplo, tem monorails e VLT’s.


    Essa última foto é de Buenos Aires e é digna de cidade européia, em todos os sentidos.

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  5. Não sei se é tanto questão de estarmos atrasados, entendo que o VLT pra eles é o transurb para nós… pecamos em não expandir mais o serviço talvez, visto que começamos a implementar ele há tanto tempo.

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  6. Porto fan…não conhecia os VLT’s e fui pesquisar…realmente nossa capital é atrasada…

    http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=318076

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