Tarso Genro deve vetar projeto que propõe o fim dos estrangeirismos no Estado

Tendência é de veto em projeto polêmico

Tarso não deve sancionar lei que é contra uso de palavras estrangeiras

A lei que pretende retirar estrangeirismos do vocabulário gaúcho pode não sair do papel. O governador Tarso Genro deve se manifestar oficialmente até quarta-feira, mas, nos bastidores, é forte a pressão para que o Piratini vete o projeto aprovado na segunda quinzena de abril pela Assembleia Legislativa.

De autoria do deputado Raul Carrion (PCdoB), a proposta visa a proteger o idioma português de estrangeirismos considerados “desnecessários” pelo parlamentar. Pelo projeto, haveria a supressão de expressões já consagradas. Elas não seriam proibidas, mas precisariam ser acompanhadas de tradução quando empregadas em ambientes públicos. Caso seja sancionado, shopping, por exemplo, seria traduzido para centro de compras. Site receberia o nome de sítio.

Na avaliação da professora de linguística da Unisinos Ana Maria Stahl Zilles, uma tradução literal das palavras, em vez de facilitar, pode até dificultar a compreensão de uma frase.

– Sem falar que, do ponto de vista prático, é impossível determinar com rigor quais palavras são estrangeirismos e quais integram o vocabulário da língua portuguesa. O registro da grafia das palavras em português é feito pela Academia Brasileira de Letras, que não refaz o seu vocabulário ortográfico todos os dias. Onde o cidadão vai se apoiar? No caso de um processo judicial, com base em que critérios alguém vai julgar? – pondera ela que, em parceria com o professor de linguística da UFRGS Pedro Garcez, apresentou um documento ao governador Tarso Genro defendendo o veto.

Para os críticos, além de inócua, a nova lei não levaria em conta o processo de hibridação cultural decorrente da globalização. A própria internet seria uma das válvulas propulsoras da apropriação de palavras.

Consultados por Zero Hora, integrantes do primeiro escalão do Piratini preferiram não se manifestar sobre a provável decisão de Tarso, mas reforçam que a tendência é o veto.

Para Carrion, independentemente da manifestação do governador, foi positiva a discussão provocada pelo projeto.

– É difícil opinar sobre algo que não ocorreu. Mas o debate sobre o uso abusivo de vocábulos estrangeiros ocorreu e continuará ocorrendo. O saldo é positivo. Com veto ou sem veto, tenho absoluta certeza de que, a partir de agora, o governo terá uma política sobre essa questão – pondera o deputado.

Se sancionada, a lei precisará ainda ser regulamentada. O projeto do parlamentar comunista não aponta quem deve ser o responsável pela fiscalização e também não estabelece sanções a quem descumprir o dispositivo.

O que diz a proposta
– Institui a obrigatoriedade da tradução de expressões ou palavras estrangeiras para a língua portuguesa, em todo documento, material informativo, propaganda, publicidade ou meio de comunicação por meio da palavra escrita sempre que houver em nosso idioma palavra ou expressão equivalente
– Em casos excepcionais, em que não houver na língua portuguesa palavra ou expressão equivalente, o significado ou tradução da palavra ou expressão estrangeira deverá estar escrito
– A tradução deve ser do mesmo tamanho que as palavras em outro idioma expostas no texto
– Todos os órgãos, instituições, empresas e fundações públicas deverão priorizar na redação de seus documentos oficiais, sítios virtuais, materiais de propaganda e publicidade a utilização da língua portuguesa
PRÓXIMOS PASSOS
– Após audiência pública e discussão interna, o governador Tarso Genro deve se manifestar até quarta-feira sobre o projeto. Nos bastidores, fala-se que Tarso vai vetar o projeto
ALGUNS EXEMPLOS
Palavras que não poderiam ser usadas ou teriam de ser traduzidas:
– Shopping (centro de compras)
– Site (sítio)
– Home page (página inicial de um sítio)
– E-mail (correio eletrônico)
– Game (jogo)
– Download (baixar arquivo)
– Logoff (desconectar suário)
– On the rocks (com gelo)
– Check list (checagem)

Zero Hora



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6 respostas

  1. Me pergunto se o projeto do Carrion se preocupa também com estrangeirismos em LATIM usados no meio judiciário… com as tantas palavras portuguesas de origem francesa, árabe, etc!

    me parece isso sim que se preocupa somente com as palavras de origem inglesa. É o velho anti-americanismo se passando por “preocupação” com a língua portuguesa.

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  2. Um projetinho de m3rd4 desses não deveria nem sequer ser cogitado numa cidade que tem pretensão de sediar eventos de nível mundial como a copa de 2014.

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  3. Eu fico tentando imaginar quem e’ o sujeito que vota no Raul Carrion…

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  4. Finalmente, o bom-senso! Que o ilustre e desocupado deputado começe agora a usar a cabecinha brilhante para pensar em coisas mais importantes e pertinentes, can you, Mr CarryOn?

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  5. Em pensar que pagamos os salários dos nobres deputados para se preocuparem com besteiras, como a adoção de estrangeirismos que já estão totalmente consolidados não só no estado como em todo o país e no mundo, pois essas palavras foram adotadas em muitos países de línguas diversas do inglês, como o francês e o espanhol.

    É o que eu digo, temos deputados para pensarem em criar “dia do sei lá o quê” e por aí vai, mas que não querem pensar no que a sociedade realmente precisa. Enquanto precisamos de mais leitos hospitalares no interior, vem um babaca querer nos obrigar a chamar de “centro comercial” em vez de shopping e “correio eletrônico” em vez de e-mail.

    Enfim, finalmente Tarso fará algo útil em seu governo vetando esta bosta de projeto ridículo.

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  6. Tem que vetar mesmo. Tremenda babaquice ficar se preocupando com isso quando os problemas do Estado urgem. Poder-se-ia até obrigar a escrever, mas as pessoas continuariam a falar, então porque obrigar a escrever? Quanta preocupação com coisa inútil esses deputados, hein.

    Mas o pior é o MEC, que agora quer adotar a grafia da linguagem popular, já fez até cartilha para as escolas, teremos a pulverização em massa da linguagem coloquial utilizada pelo nosso presidente Lula. Além de não falarmos inglês nem espanhol, passaremos a deixar de falar o português também. Obrigado, “cumpanhêro”!

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