Polo naval vai desenvolver todo o Estado, diz Ronaldo Zulke

Deputado federal quer qualificar os investimentos realizados no Sul do Estado

Investimentos de R$ 10 bilhões até agora. Um estaleiro já construindo navios e mais três se instalando. Esse é o polo naval de Rio Grande, que nos próximos quatro anos vai ter uma fatia dos R$ 224 bilhões a serem investidos na cadeia produtiva do petróleo. E, como é um investimento da Petrobras, não vai sofrer com os cortes no orçamento anunciados pelo governo federal. Mesmo assim, sobrevivem gargalos como a falta de mão de obra, a infraestrutura precária e dúvidas sobre a capacidade da indústria brasileira de conseguir dar conta do recado. Além disso, existe o desejo do governo do Estado de aumentar a participação de empresas gaúchas de 2% para 10%, projeta o deputado federal Ronaldo Zulke (PT-RS), responsável por um pedido para se formar uma comissão especial para debater o polo naval.

Jornal do Comércio – Existe algum programa para dar prioridade às empresas do Rio Grande do Sul?

Ronaldo Zulke – Há uma definição do governo federal e da Petrobras que estabelece um percentual de conteúdo nacional. Portanto, é preciso agora verificar se teremos condições de responder a essa convocação. É preciso que o setor produtivo esteja apto, qualificado, para produzir essa parte dos equipamentos que vão ser absorvidos. Quando se fabrica um navio, tem o casco. Mas sobre esse casco existem módulos. É preciso verificar se todos os elos dessa cadeia tem um setor produtivo capacitado e habilitado a produzir todas as peças.

JC – Existem informações sobre a capacidade da indústria brasileira para produzir isso tudo?

Zulke – É isso que nós queremos debater. Queremos propiciar uma discussão no Congresso Nacional para auxiliar o setor produtivo brasileiro a ocupar esse espaço. Por outro lado, a Petrobras ao anunciar esses investimentos preocupa-se com um provável gargalo da mão de obra. A potente indústria naval que se organiza precisa de mão de obra especializada. E nós precisamos formar técnicos que vão dar conta dessa demanda toda.

JC – Há alguma ação para resolver o gargalo da mão de obra?

Zulke – O governo federal lançou agora um programa específico para ampliar o Ensino Técnico no País. As universidades brasileiras também estão constituindo cursos específicos para essa indústria naval. O que importa é que temos uma potente indústria naval que se organiza no País, que é estratégica, já que vai gerar muito emprego e renda, e que temos que fazer com que a sociedade brasileira descubra isso, as instituições de ensino formem mão de obra e precisamos fazer também que a Câmara dos Deputados tome iniciativas para viabilizar e garantir o conteúdo nacional.

JC – Além de Rio Grande, outras cidades se beneficiam?

Zulke – Aí que entra outro aspecto. A indústria naval não necessariamente concentra todas as atividades no mesmo local. Ela pode e deve estimular toda a cadeia, no caso do Rio Grande do Sul, da indústria metalmecânica, que não precisa se constituir só na cidade de Rio Grande. O governo do Estado tem um projeto de fazer com que a própria produção seja levada à Rio Grande através da navegação.

JC – Com a emenda do senador Pedro Simon e do ex-deputado Ibsen Pinheiro para distribuir os royalties igualmente entre os estados, como fica o Rio Grande do Sul com o polo naval?

Zulke – Se o veto cair, o Rio Grande do Sul ganha. Não somos produtores de petróleo. A emenda é só para os produtores de petróleo, não para o resto da cadeia produtiva. Caso o veto continue, o Rio Grande do Sul vai continuar permanecer na mesma situação.

Jornal do Comércio



Categorias:Polo Naval de Rio Grande

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1 resposta

  1. Mais noticias de RG e expansão de energia eólica no estado:
    Navio E-ship 1 descarrega peças para o Parque Eólico de Livramento “O navio é o primeiro cargueiro do mundo movido à propulsão híbrida, à base de energia eólica (40%).”

    http://www.jornalagora.com.br/site/content/noticias/detalhe.php?e=8&n=11731

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