VISITA MINUCIOSA – Paccar estuda investir no Estado

Grupo de executivos da fabricante de caminhões americana avalia terreno na região metropolitana e formação de mão de obra

Um dos locais oferecidos pelo governo para a fábrica é a região do Distrito Industrial de Guaíba

Foi cheia de mistérios a visita ao Estado dos executivos americanos da montadora de caminhões Paccar, que pretende investir US$ 200 milhões na instalação de uma fábrica no Brasil – e o Rio Grande do Sul é candidato a abrigar a unidade. Blindado pela Secretaria do Desenvolvimento e Promoção do Investimento, o grupo veio conhecer de perto a formação de mão de obra, a capacitação técnico-científica, a legislação de licenciamento ambiental, além de um terreno no Distrito Industrial de Guaíba.

Desde terça-feira no Estado, o vice-presidente da empresa, Bob Christensen, e o vice-presidente de Recursos Humanos, Jack Levier, cumpriram um roteiro de perguntas, ainda que de forma discreta, nos locais que visitaram. Essa é, pelo menos, a segunda visita da empresa ao Estado, cujo investimento deve gerar mil empregos, com o objetivo de obter 10% do mercado nacional do segmento. A atenção da Paccar ao Brasil apareceu no relatório anual da empresa, divulgado em abril, que aponta o crescimento do mercado nacional de caminhões para atender a sétima maior economia do mundo. A planta deve começar a produzir em 2012 e fabricará três modelos de caminhões com a marca DAF.

A empresa ainda estaria dividida entre cinco Estados e aproximadamente 20 cidades para instalar a planta. Na sexta-feira, o grupo teve reuniões em Lajes (SC), e a segunda-feira foi de visitas a Ponta Grossa (PR).

Zero Hora encontrou o grupo em um dos terrenos oferecidos pelo governo do Estado, em Guaíba. Por volta das 9h, ontem, visitavam a área do Distrito Industrial do município, à margem da BR-116 – a região é a mesma que seria utilizada pela Ford. Carlos Alberto Scalco, chefe de gabinete da prefeitura de Guaíba, apontou que o local está pronto para receber a montadora por questões logísticas e pela agilidade do licenciamento ambiental. Montenegro também estaria cotada para receber a montadora.

Com a chegada da reportagem, Christensen e Levier disseram que não gostariam de falar, e aproveitaram para embarcar no micro-ônibus e seguir o roteiro, que passaria ainda por sindicatos e por uma reunião da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs).

– Há muito estávamos pensando em investir na América Latina e escolhemos o Brasil em função do mercado – afirmou Christensen na visita à Fiergs, onde estavam o secretário do Desenvolvimento, Mauro Knijnik, do secretário de Ciência e Tecnologia, Cleber Prodanov, e do presidente da entidade, Paulo Tigre.

A direção da montadora conheceu universidades

Knijnik informou aos executivos sobre a alteração no Fundopem, que incentiva as empresas a investir em ciência e tecnologia a montar centros de pesquisa e, como contrapartida, abater parte do investimento no imposto devido. A comitiva também conheceu as instalações do Senai, incluindo o Centro Automotivo e a Faculdade Senai. No dia anterior, a programação já tinha incluído a PUCRS e a UFRGS, onde conheceram laboratórios de pesquisa em engenharia e a formação de profissionais das instituições.

– O grupo também está interessado em instituições que possam estabelecer parcerias e na competência dos alunos – afirmou a diretora da Escola de Engenharia da UFRGS, Denise Dal Molin.

A definição sobre o local de instalação deve sair apenas quando os executivos retornarem aos EUA.

TÁSSIA KASTNER

A Paccar
– Líder na fabricação de caminhões no mundo, com as marcas Kenworth, Peterbilt e DAF
– Em 2010, a empresa faturou US$ 10,3 bilhões e teve lucro de US$ 457 milhões
– Opera em mais de 100 países. Na América Latina, chegou em 2010, com um centro de distribuição de peças
– No relatório de 2010, apontam os BRIC’s como foco para o crescimento dos negócios

Nova investida

O crescimento da economia brasileira atraiu os grandes grupos mundiais do setor automotivo. Não apenas dos fabricantes de automóveis e comerciais leves, mas também das montadoras de caminhões.

Num país sobre rodas, em que mais de 80% da riqueza é movimentada por estradas, as listas de espera por veículos em determinados modelos chega a seis meses, principalmente nos destinados para o escoamento das safras agrícolas. O salto de 26% na venda de caminhões no primeiro trimestre sobre igual período de 2010 e a previsão de fechar 2011 com 230 mil unidades incluindo ônibus, mexeram com a Paccar. A americana de Bellevue, Washington – uma das maiores montadoras de comerciais do mundo e conhecida pelas marcas Peterbilt, Kenworth e DAF – agiliza sua decisão de instalar uma linha de montagem no país.

Se o grupo levar em conta a estrutura, o Estado é sério candidato. Conta com o segundo maior polo metalmecânico do país, fornecedores especializados e mão de obra qualificada.

Seria a volta da DAF, que nos anos 80, montadora holandesa, hoje integrante do grupo americano, esteve próxima de instalar uma fábrica aqui. Espera-se que agora para ficar.

ZERO HORA



Categorias:Economia Estadual

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1 resposta

  1. O Beto Richa, governador do PR, disse hoje pela manhã que está em avançadas conversações com empresas para que se instalem no estado, mais precisamente no interior. Essa empresa Paccar esteve em Ponta Grossa alguns dias atrás. Está deflagrada a guerra fiscal. E esse Beto Richa parece ser, digamos assim, bem aberto a negociações fiscais. Lançou logo no início do governo um programa chamado Paraná Competitivo, que nada mais é do que concessão de descontos ou diferimentos (adiamentos) no pagamento de ICMS – carro-chefe do pacote do governo Beto Richa –, uma prática comum para atrair indústrias e outros investimentos produtivos. (Fonte: Gazeta do Povo). O RS tem de abrir os olhos.

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