Governo do RS planeja a construção de novo centro administrativo

Será construído novo centro administrativo próximo ao atual. Foto: Gilberto Simon

Além dos quatro projetos de lei que o governador Tarso Genro (PT) enviará para a Assembleia Legislativa na terça-feira, o plano de sustentabilidade financeira elaborado pelo Palácio Piratini prevê medidas administrativas que não passarão pelo Parlamento. Uma delas é a venda – ou, como se diz em termos legais no poder público, alienação – de imóveis do Estado.

Na semana passada, a secretária de Administração e Recursos Humanos, Stela Farias (PT), apresentou ao governador o projeto que trata da gestão dos cerca de 18 mil prédios do governo.

Dentro do chamado programa de gestão do patrimônio está prevista a construção de um novo centro administrativo para o Estado, na mesma área em que funciona o atual Centro Administrativo Fernando Ferrari (CAFF), no Centro de Porto Alegre, onde estão sediadas 19 secretarias estaduais. Stela adianta ao Jornal do Comércio que os recursos para a obra viriam da venda e da permuta de prédios públicos que não são utilizados.

No projeto elaborado pela Secretaria de Administração há, inclusive, a possibilidade de se realizar uma permuta com o prédio do Instituto de Previdência do Estado (IPE), que poderia render R$ 35 milhões para a construção do novo CAFF. “Precisamos de um prédio que possa contar com centro de convenções e serviços que facilitem a vida dos mais de 4 mil servidores que trabalham no CAFF”, defende Stela.

ENTREVISTA COM STELA FARIAS – SECRETÁRIA ESTADUAL DE ADMINISTRAÇÃO E RECURSOS HUMANOS

Jornal do Comércio – Como se dará o reaproveitamento do patrimônio do Estado?

Stela Farias – Apresentamos na semana passada ao governador Tarso Genro (PT) o programa de gestão do patrimônio. Queremos reduzir o custo de locação dos imóveis, que é altíssimo. São R$ 46 milhões por ano só em locação. O Estado hoje é proprietário de 18 mil imóveis, dos quais pouco mais de 11 mil estão registrados. Os cerca de 7 mil restantes são basicamente oriundos da extinta Cohab. São conjuntos habitacionais que eram do Estado e estão em processo de patrimonialização.

JC – Há também o custo de manutenção dos prédios.

Stela – Os imóveis do Estado nunca foram tratados com a devida responsabilidade e o devido cuidado. Os recursos para a manutenção e reforma não chegam a 10% do orçamento. No ano passado, foram investidos apenas R$ 160 milhões. É muito pouco. Vamos fazer reforma naquilo que de fato valha a pena e vamos alienar (vender) o que não serve mais. Então poderemos fazer recursos para reformar o que interessa. É um trabalho que visa a, por um lado, diminuir o custo de locação e, por outro lado, gerir adequadamente e de forma sustentável o patrimônio do Estado.

JC – A partir de quando esse programa começará a funcionar?

Stela – Na semana que vem, o governador vai enviar as propostas (do plano de sustentabilidade financeira) para a Assembleia Legislativa. Elas não se restringem a projetos de lei. Há um conjunto de medidas que serão tomadas, com protocolos e decretos, no que compete ao tema do patrimônio.

JC – O governo anterior elaborou um estudo para reformar o Centro Administrativo Fernando Ferrari (CAFF) a partir de uma Parceria Público-Privada (PPP). Esse projeto já está descartado?

Stela – Era uma PPP para construir um novo CAFF. O projeto arquitetônico não é ruim, estamos aproveitando parte dele. Mas não temos interesse em uma PPP nessa área. O estudo previa que a iniciativa privada construiria um novo prédio e teria 30 anos para explorar diversos serviços, como estacionamento, recepção, vigilância e monitoramento. Tudo ficaria refém desse contrato. Achamos que isso é complicado.

JC – E como o atual governo pretende fazer as adequações no CAFF?

Stela – Queremos alienar imóveis de valor alto que possam nos conferir a construção de um novo centro administrativo dentro do complexo do CAFF. Não descartamos, inclusive, a necessidade de construir um prédio vertical de estacionamento. Não é possível que uma área nobre como essa seja utilizada para estacionamento. Precisamos de um prédio que possa contar com centro de convenções e serviços como farmácia e minimercado, por exemplo. Serviços que facilitem a vida dos mais de 4 mil servidores que trabalham no CAFF, onde funcionam 19 secretarias estaduais. Tudo está sendo pensado com recursos que viriam da alienação e da permuta por área construída de outros prédios.

JC – Como se dará a permuta por área construída?

Stela – É um processo novo, apesar de ser permitido por lei. Consiste em abrirmos uma licitação para habilitação de interessados em imóveis do patrimônio estadual. Ao invés de pagarem em dinheiro, devolvem para o Estado o valor do imóvel em área construída. Ou seja, com a construção de um outro prédio. Assim como para a alienação, precisamos de uma lei autorizativa aprovada pela Assembleia e de uma avaliação técnica para realizarmos esse processo.

JC – Dos 18 mil imóveis do Estado, quantos poderão ser vendidos e qual a estimativa de recursos que podem ser arrecadados?

Stela – Há uma estimativa muito preliminar de que com a alienação daquilo que já temos lei autorizativa
aprovada – em torno de 560 imóveis – poderíamos chegar a R$ 25 milhões em entrada de recursos. Estamos fazendo outros levantamentos e contratando técnicos especializados para fazer avaliações. Não temos dados atualizados sobre esses 560 imóveis aptos a serem alienados. Esperamos, com contratação de técnicos, ter o maior número possível de prédios avaliados até setembro.

JC – E como regularizar os imóveis que ainda não estão registrados?

Stela – Estamos finalizando a avaliação de 33 imóveis da antiga Cohab em Rio Grande. São apartamentos ocupados “irregularmente”. Estamos negociando com o Banrisul a construção de uma linha de crédito que possibilitará que o proprietário de fato desses imóveis – ainda não de direito – possam fazer financiamento e comprá-los para regularizar sua situação. Essa linha de crédito também está sendo pensada de forma mais global. Ela poderá permitir o interesse da pessoa jurídica, não apenas física. Estamos pensando na possibilidade de o Banrisul aportar financiamento para que outros prédios possam ser alienados.

JC – Há um mapeamento de quantos prédios o Estado aluga e como reduzir esses custos?

Stela – São imóveis de coordenadorias regionais de educação e de saúde no Interior, de escritórios da agricultura… Um conjunto de imóveis que prestam um serviço ao Estado. Não possuímos salas em todas as regiões. Mas há lugares onde o Estado aluga prédios e há, no mesmo local, um número de imóveis do governo em condições de deterioração sem poder acolher o serviço. O desafio é fazer isso convergir.

JC – Como a senhora encara as críticas de parte dos servidores públicos em relação ao Comitê de Diálogo Permanente (Codipe)? Eles reivindicam um espaço de negociação, não apenas de diálogo.

Stela – O que está posto é uma situação que não tem nada a ver com os temos sobre os quais foi constituído o Codipe. Essa instância é uma iniciativa deste governo. Diferentemente dos demais, que passaram décadas sem receber os servidores, determinamos que teremos um espaço de diálogo permanente com os servidores. Tivemos apenas duas reuniões ordinárias. As câmaras de negociações setoriais com as categorias estão andando. Temas como diretrizes para planos de cargos e salários serão discutidos. Nunca tivemos um debate como esse do governo com os servidores. Vamos discutir uma reformulação possível dos planos de cargos e salários. Ninguém é chamado ao Codipe para abrir mão das suas tarefas. Nossa origem é sindical, sabemos muito bem qual o papel das entidades representativas. Mas queremos que entendam também o papel do governo.

JC – O embate se dá principalmente por causa dos projetos do plano de sustentabilidade financeira do governo.

Stela – No momento atual, com medidas que mexem direta ou indiretamente com interesses dos trabalhadores, já era esperado que vivêssemos essa situação de tensão. Quando tange o tema das RPVs (Requisições de Pequeno Valor) e da previdência, é natural sermos provocados pelos servidores, que querem saber se o Codipe vai ou não negociar. Quando eles dizem negociar, não é o termo de “negociação coletiva”. O espaço é de negociação coletiva, que pressupõe trazer propostas, ver o que é possível consensuar ou acordar. Nem tudo o que o governo vai propor será aceito pelos servidores e vice-versa. O governo tem o papel de governar, não os servidores. O eleito foi o governador Tarso Genro. Permanecemos de portas abertas e sabemos que, passado esse período de tensão natural, temos ações nas quais o conjunto de servidores estará conosco.

Jornal do Comércio



Categorias:Imóveis

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25 respostas

  1. Essa foto aqui do novo Centro Administrativo de Minas Gerais em Belo Horizonte me lembrou Brasília, numa versão atualizada:

    Premio Mineiro de Gestao Ambiental

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  2. Beleza, Ricardo! Hehe. Grande abraço.

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  3. Deviam é terminar o atual prédio do centro administrativo, esse nunca foi acabado construiram pouco mais que a metade da altura do projeto original.

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  4. Tudo esclarecido, Portofan. Grande abraço.
    Ps: eu quis te avaliar positivamente e por acidente cliquei na mão negativa. Desconsidere a mãozinha pra baixo. Heheh.

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  5. Ok, beleza, Ricardo!

    Fica passada uma borracha nesse assunto então! Te peço desculpas também!!

    Essa inércia geral do governo nos enerva tanto que às vezes isso acaba se refletindo nas nossas relações pessoais.

    Sei que não foi a tua intenção ser rude e te graranto que também não foi a minha.

    Tenho o maior apreço e carinho por todos os que querem uma POA melhor, seja da forma como cada um acredita ser, e em especial por todos aqui do Blog.

    Confesso que me emploguei com o Centro Adm. Mineiro, pois vi ali a possibilidade de evitarmos os alugueis que são pagos para a utilização d emuitos prédios públicos pela cidade e, em especial, daria até mesmo para desocupar alguns prédios históricos ocupados pelas secretarias (como o belíssimo prédio da Secretaria da Fazenda do RS) e utilizar um prédios desses, perfeitamente localizado junto ao cais para outro fim, mas quem sabe encontramos alguma outra forma alternativa à utilizada pelo governo mineiro, algo diverso de um centro adm. unificado. Mas confesso que tenho medo do que possa sair ao lado do belo prédio da CAFF (CAERGS), espero que não seja nada que o encubra no skyline da cidade, pois é uma das poucas coisas ousadas que temos.

    Um grande abraço, meu amigo!!

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  6. Portofan, não critiquei por criticar. Longe de mim. Não faço isso. Gosto muito dos teus exemplos, são muito pertinentes e certamente ajudam deveras no debate sobre as necessárias e muitas melhorias pelas quais deve passar POA. Tenho certeza que a sua pesquisa é feita com as melhores intenções, com o carinho, enfim, de um cidadão que verdadeiramente ama a sua cidade. Foi apenas em relação a essa construção mineira, que, data vênia, não penso ser um modelo adequado, seja arquitetonicamente, seja na questão de gestão pública. Apenas isso. Grande abraço e mais uma vez perdão se fui de qualquer forma arrogante ou rude.

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  7. E só completando o comentário que acabei de escrever para ti (peço cordial e encarecidamente que leias, pois lá expus as minhas razões – AINDA AGUARDA LIBERAÇÃO DA MODERAÇÃO -POR FAVOR LEIA ELE QUANDO FOR LIBERADO), o Centro Administrativo mineiro acabou não virando um elefante branco, pois todas os órgãos e as secretarias estaduais estão sendo removidos para lá à medida que os contratos de aluguel vão acabando. Ficará inteiramente ocupado e já o é em boa parte já.

    Enfim, aqui a gente apresenta idéias, os especialistas depois que busquem a melhor maneira de executá-las e a melhor forma de evitar os erros das iniciativas originais inspiradoras.

    Um grande abraço para ti também e desculpe-me também, se também o ofendi.

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  8. Ricardo, não foram coisas “catadas às pressas” nem “às escuras.

    À medida que sai algum post sobre algum assunto, se me lembro de algo que visitei ou li à respeito, procuro algumas imagens no google e as coloco para que haja alguma discussão da idéia no blog. Não vejo nada de errado nisso.

    Geralmente meus posts saem com erros porque digito rápido, pois o faço entre um trabalho e outro, pois trabalho de frente para o computador e em regime/horário de plantão, então quando está tudo tranqüilo escrevo algum comentário, mas não tenho muito tempo para revisão. Mas não se trata de idéias catadas no escuro e eu o faço tentando achar soluções para a cidade, não ganho nada com isso, pelo contrário, perco tempo, enquanto meus colegas batem papo e tomam café. Até a minha namorada reclama quando está comigo que dou muita atenção ao blog e à uma cidade em que atualmente estou à milhares de quilômetros de distância, penso até memso em reduzir um pouco a frequência, que é recente, porém intensa, mas o coração gaudério que bate aqui fala mais alto.

    No caso de BH, não sabia dos problemas estruturais da obra. Quis citar o conceito dela e por isso me ofendi com o teu argumento. As pessoas criticaram a estética e o volume de gastos. Ok, beleza. Mas você ficou batendo em cima de rachaduras, que não deveria ser o foco da discussão. Não estamos discutindo se queremos rachaduras ou não, apenas apresentei a idéia conceitual de termos um centro administrativo unificado como o deles, já que estão discutindo no governo gaúcho a criação de mais um edifício no centro administrativo. Elogiei a iniciativa deles (MG), não sabia dos problemas estruturais. E, se soubesse, teria postado mesmo assim, mas o teria feito com a ressalva de que apoiaria uma idéia parecida, desde com os devidos cuidados para que não se repetissem os mesmos problemas estruturais de lá.

    Minha idéia era discutir o conceito de um centro adm. unificado e achei bonito o de lá.

    Outro comentário que não gostei foi o do RicardoUK, falando que só demente visitaria o lugar, quando inúmeras pessoas o fazem lá em BH, pois o lugar é tipo um parque e as pessoas gostam de bater fotos em frente à prédios modernos, tanto que fazem o mesmo nos prédios de NYC e em qualquer predinho brasileiro que tenha uma ar mais moderninho do que as carcaças que existem pelo país.

    De qualquer forma peço desculpa se o ofendi dizendo que seu comentário foi infantil, é que me pareceu um argumento mais para criticar por criticar do que para refutar a idéia com uma maior seriedade, já que batestes só na tecla das rachaduras.

    Quanto ao RicardoUK, nem perdi muito o meu tempo dando uma explicação maior do que a que redigi naquele comentário para ele porque já me acostumei com o fato de que ele gosta de contra-argumentar qualquer coisa que eu escreva. Só para ser do contra.

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  9. Bom, a minha dica é você deixar de, às vezes, apontar coisas catadas às pressas e às escuras na internet, sem a mínima pesquisa, como solução (no entanto, admito que alguns de seus exemplos são pertinentes). Deu a entender que você achou o exemplo de BH muito bom: ”Mais uma vez os mineiros nos mostrando uma boa iniciativa.” Mesmo que você me tenha por uma criança, pense bem, é muito maduro, racional e equelibrado – adulto,enfim – considerar um elefante branco uma boa iniciativa? De qualquer maneira, não foi minha intenção ser arrogante. Se o fui, e se eu o ofendi, ”mille scuse”. Grande abraço.

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  10. Quanta arrogância.

    Melhore você os seus argumentos, argumente como adulto e, não como criança.

    Fica a dica.

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