Prefeitura de Porto Alegre perde prazo e não leva 1,5 milhão de reais da União para Praça da Juventude

Assim, a “praça” na Bom Jesus deve continuar

A Praça da Juventude em Porto Alegre se foi. A realidade indesejada foi mostrada hoje pela repórter Carolina Rocha, do Diário Gaúcho. Mesmo com a Prefeitura assegurando que a praça sairá, nem que seja através de recursos próprios, fica difícil de acreditar. O repasse de quase R$ 1,5 milhão do Governo Federal tinha data para ser usado pelo município: 30 de abril. Não era novidade para ninguém que o dinheiro poderia voltar aos cofres da União se a Prefeitura não assinasse o contrato com a Caixa. E foi o que aconteceu.

O ex-presidente Lula e o então ministro da Justiça, Tarso Genro, subiram em palanque montado na Bom Jesus, em junho de 2009, e anunciaram a construção da Praça da Juventude – símbolo do ‘Território da Paz’ no Rio Grande do Sul. O objetivo do programa é reduzir a criminalidade e evitar que jovens entrem na marginalidade. É um projeto do Pronasci e acontece em diversos municípios do país, inclusive aqui no Estado. Alguns municípios da Região Metropolitana terão Praça da Juventude. Porto Alegre não. Canoas, Esteio, Viamão e Alvorada são exemplos de cidades que souberam aproveitar melhor os recursos federais do que a Capital e que, ao que tudo indica, terão a praça construída. Matéria publicada em setembro de 2009, no site da Prefeitura, comemorava a parceria com o Governo Federal e prometia a entrega do projeto ainda em novembro daquele ano.

De 2009 para cá, a negligência e demora dos governos faz com que os projetos do Território da Paz na Capital pouco andassem. A praça sequer saiu do papel. Ainda em 2008, o Governo Federal liberou o dinheiro. A contrapartida do município seria de R$ 160 mil. Quando a Prefeitura entregou o projeto, pedia mais dinheiro do que o disponibilizado pela União. O pedido de mais recursos foi negado, e o projeto empacou.

Em janeiro deste ano, o governador Tarso Genro criticou a Prefeitura pela demora em construir a obra, já que o dinheiro ainda estava disponível. Depois disso, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente admitiu o atraso. O então secretário, Professor Garcia, disse que o projeto precisou ser readequado devido ao clima no Rio Grande do Sul. Justificou a construção de um ginásio coberto; o que elevaria custos.

A coordenadora do Gabinete de Planejamento Estratégico da Capital conversou com a reportagem do jornal Diário Gaúcho e admitiu que a verba foi perdida. Por e-mail, Izabel Christina Cotta Matte escreveu que o município enfrentou “dificuldades operacionais” para concretizar o contrato junto à Caixa. Izabel se disse surpresa com o recolhimento do dinheiro, e revelou que um apelo pode ser feito aos deputados para tentar reverter a situação. A possibilidade de os recursos serem devolvidos aos cofres da União não deveria surpreender tanto a Prefeitura da Capital, já que até artigos na internet apontavam para essa possibilidade, inclusive mostrando um prazo anterior: a promessa inicial era de que o dinheiro voltasse aos cofres da União, se não utilizado pela Prefeitura, no final de setembro do ano passado.

No início do mês, o Esquina Democrática esteve na Bom Jesus para conversar com a comunidade e ver se, de fato, a área destinada à Praça da Juventude estava tomado de mato. Os moradores eram só desolação. Ao mesmo tempo em que lembravam com alegria da presença do ex-presidente Lula, lamentavam que de lá pra cá, nada havia acontecido. Eles não sabiam de quem era a culpa, mas prometeram jamais esquecer das palavras do ex-presidente: “Daqui um ano eu e o Tarso voltaremos aqui. (…) Se nada acontecer, somos um zero à esquerda”. Antes mesmo de ter a confirmação da perda dos recursos federais, há cerca de um mês, a líder comunitária da Bom Jesus, Maria Elisabeth Alves, já não tinha mais esperanças: “Isso só pode ser rixa entre governos. Nós não sabemos quem mentiu, quem falou a verdade. Mas a Praça não veio”.

Mais uma vez, quem saiu perdendo com a falta de atitude dos governos foi a população mais carente.

Blog do André Machado – RBS



Categorias:Parques da Cidade

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6 respostas

  1. Muito me admira terem reeleito esse governo. O Fortunati é uma lesma, mas o Fogaça não era nem um pouco melhor.

    Na verdade esses comentários me lembraram de outra fala do atual prefeito há poucos dias. Quando anunciou o começo do não-pagamento pela segunda passagem de ônibus em julho (acredite quem quiser…o link está aqui: https://portoimagem.wordpress.com/2011/05/13/passageiros-pagarao-apenas-um-bilhete-ao-tomarem-2%C2%B0-onibus-na-capital-a-partir-de-julho/) ele afirmou que atualmente se paga só metade do segundo bilhete (segundo parágrafo da reportagem).
    Alguém confirma que isto está em funcionamento? Como e em que casos? Eu não lembro de uma vez sequer ter pago só meia segunda passagem.

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  2. Votem neles de novo.

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  3. Fracasso total da atual administração! Péssima administração!
    O que será de nós? PT novamente, Deus me livre….

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  4. A desculpa é sempre a falta de dinheiro. E agora, qual será a desculpa? Perder dinheiro assim é o fim da várzea, podem fechar a Prefeitura ou botar um boneco inflável de posto de gasolina para comandar a cidade.

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  5. Este é só MAIS UM dos projetos que não saíram do papel, por mais simples que seja.

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  6. Incompetência pura. Já vi prefeituras lesmas, mas essa ganha de longe. Quando alguem resolve falar sobre determinado assunto o prefeito, com toda sua sabedoria, vem e fala como se tudo fosse se arrumar. Ele é tão burro e mal assessorado que ontem em entrevista pro Lazie Martins da Rádio Gaúcha, falou que um gari ganhava R$.1500,00 reais. Adivinha se não deu bosta isso…
    E ainda quer se reeleger…

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