Arquiteta justifica grande atraso nas obras da Praça da Alfândega

A arquiteta do Projeto Monumenta, Dóris Oliveira, disse que atrasos foram gerados por descobertas arqueológicas.

A partir do mês de setembro, os gaúchos poderão voltar a frequentar uma das mais tradicionais áreas de lazer de Porto Alegre: a Praça da Alfândega. A parte interna será entregue à comunidade para a montagem das bancas e da estrutura da Feira do Livro, que ocorre de 28 de outubro a 15 de novembro. O anúncio foi feito ontem pelo prefeito José Fortunati durante vistoria às obras no Centro de Porto Alegre. Segundo ele, a prefeitura está investindo R$ 3 milhões na reforma da praça. “Estamos recuperando a principal praça da cidade. A ideia é que o local possa ser ocupado com segurança pela população”, destaca.

O secretário municipal da Fazenda, Urbano Schmitt, informou que estão sendo recuperadas as luminárias, o calçamento com pedra portuguesa, os bancos e o espaço de passeio que foi ocupado pelos jardins. A previsão é de que os trabalhos na parte externa da praça como, por exemplo, na Rua dos Andradas estejam concluídos em 2012.

Segundo Schmitt, muitos profissionais especializados na colocação das pedras portuguesas tiveram que ser contratados em outros estados, como Goiânia e Paraná. “O investimento resgatará o desenho original da praça, concebido em 1924, incluindo o traçado, a vegetação mais baixa e uma maior iluminação natural”, comenta.

Atualmente, os trabalhos dos 30 operários estão concentrados na instalação de paralelepípedos no prolongamento da avenida Sepúlveda até a rua Siqueira Campos, escavações para novos dutos da rede elétrica para iluminação da praça, recuperação e pintura das grades nos canteiros e intervenções da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Smam) na vegetação. Após a liberação do interior da praça no mês de setembro, a obra segue no entorno com a aplicação de pedras portuguesas nos passeios públicos.

A arquiteta Dóris Oliveira, do Projeto Monumenta, disse que a obra iniciada em junho de 2009 sofreu alguns atrasos, uma vez que os operários encontraram verdadeiras raridades no local. Embaixo da praça foram localizadas as fundações do antigo prédio da Alfândega, do muro do Cais do Porto que vinha até próximo à rua dos Andradas, antes de a área ser aterrada. “Descobrimos escadarias, pisos e fontes que estão embaixo da praça e que contam a história de Porto Alegre”, comenta. De acordo com Dóris, na avenida Sepúlveda foi encontrada uma rede do Departamento de Esgotos Pluviais (DEP) que estava totalmente deteriorada, o que acabou atrasando os trabalhos. As obras na Praça da Alfândega estão previstas para serem concluídas em julho de 2012.

Jornal do Comércio

Título original da matéria:  Dóris justifica prolongado atraso nas obras da Praça da Alfândega



Categorias:Parques da Cidade

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6 respostas

  1. Que demora! Quantos anos somente com uma PRAÇA? Quanto tempo esta cidade não levará com um metrô?

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  2. Há um equipamento que se chama GPR, com este equipamento antes de escavar uma área que se acha que possa ter algum vestígio de sitio arqueológico de passa primeiro o GPR. Para maiores detalhes vide: http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0926985101000672
    Antes de se fazer um serviço deste numa área que se sabe a priori que tem resquícios arqueológicos é só fazer uma prospecção, aí se cava só a onde pode ou quando cavar já se está preparado.

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  3. Vão ser podadas Gil.

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  4. Ficaria muito melhor se podassem aquelas árvores.
    Em qualquer lugar do mundo fazem isso, não sei por que aqui não pode.

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  5. Foram encontrados fósseis datados do período cretácio e jurássico. Alguns dos fósseis estavam relativamente bem preservados, o que possibilitou até saber-se detalhes sobre suas vidas e hábitos.
    Paleontólogos e antropólogos conseguiram em conjunto, descobrir que as criaturas viveram num remoto período em que não havia politicagem nem enrolação no setor público. Sabe-se agora, que em suas épocas, obras minúsculas eram realizadas em tempos minúsculos e que os líderes tribais tinham bem mais vergonha na cara do que hoje. Era uma época em que os machos-alfa incapazes de comandar, eram defenestrados do seu grupo e exilados pelo resto da vida.
    São fósseis preciosos, pois contam uma história que não se repetirá nunca mais.
    Assim sendo, acho correta a decisão de extender a obra da Praça por pelo menos mais uns 10 anos, e a criação de um Museu Arqueo-antropológico com exposição permanente dos fósseis encontrados, para que a população saiba que aqui, em uma remotíssima Era, havia líderes com bagos entre as pernas.
    Nossos Neanderthais ainda tinham um pingo de decência.

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