Na Capital, só 27% do esgoto é tratado

Situação deverá ser revertida com a conclusão das obras do Pisa em 2012

Obras no Guaíba devem elevar índice de tratamento de esgotos para 77% Foto: Arthur Puls

Apenas 27% do esgoto de Porto Alegre é tratado. Diante do crescimento da cidade, a situação é ainda mais crítica, pois o saneamento básico é fator importante na qualidade de vida da população. Para o integrante do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Ufrgs, Carlos André Mendes, se for levado em consideração os quatro componentes do saneamento ambiental (coleta de esgoto, abastecimento, coleta de lixo e drenagem fluvial), a nota da Capital seria 5. “A cidade evoluiu muito nos últimos anos, mas ainda tem muitas coisas que deixam a desejar ou estão incompletas”, afirmou.

A avaliação fica ainda mais evidente quando analisa a chamada “cidade real”. Para o professor, existe uma grande faixa em Porto Alegre que vive na clandestinidade e não integra os dados oficiais. As comunidades mais carentes, que fazem parte dessa realidade, são as que mais sofrem com os problemas. Mendes acredita que o grande desafio é a interlocução das ações, envolvendo poder público e sociedade. A implantação do Projeto Integrado Socioambiental (Pisa) deverá transformar e mudar totalmente essa realidade. O seu principal impacto está relacionado ao Guaíba. Com o projeto concluído, serão retirados 145 metros cúbicos diários de esgoto não tratados, que são jogados no Guaíba. A obra é realizada pelo Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae). Esta é apontada como a maior obra de saneamento da história da Capital. Ela impacta ainda em outras áreas, como a ambiental e social, já que provocou a remoção de famílias de áreas de riscos, como junto ao arroio Icaraí.

De uma maneira geral, o Pisa prevê a recuperação gradual da balneabilidade das praias do Guaíba, como resultado da ampliação do índice de tratamento de esgotos da Capital, dos atuais 27% para 77% até 2012. Pelo andamento das obras, o diretor do Dmae, Flávio Presser, assegura que as obras estarão concluídas dentro do prazo e que o seu funcionamento estará assegurado até o final do próximo ano. O empreendimento pode ser visto na região junto à orla do Guaíba, no Parque da Harmonia, onde enormes canos e retroescavadeiras trabalham diariamente.

O projeto inclui, por exemplo, a Estação de Bombeamento de Esgotos (EBE) Ponta da Cadeia, junto à Usina do Gasômetro, onde ocorrem as obras do emissário terrestre, que passa na lateral do Parque Marinha do Brasil, junto à orla do Guaíba, e do emissário subaquático, na área do antigo Estaleiro Só. Há obras ainda na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), na Serraria.

Correio do Povo



Categorias:Programa Sócio Ambiental

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66 respostas

  1. O vídeo é muito bom mesmo, e um dos caras fala o que considero mais importante, que é integrar o uso de bicicletas com os demais tipos de transporte. Daí que entra uma discordância entre nós, pois atacas a perimetral, que tem transporte público mas achas uma boa a Ipiranga ter ciclovia sem corredor de ônibus…

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  2. Bem, depois desta discussão eu acho que a conclusão é óbvia: a prefeitura devia ter deixado de fazer a perimetral para fazer o PISA há 10 anos. Ele estaria de qualquer forma “obsoleto” hoje, mas ao menos não teríamos uma avenida mais para criticar. Bobear até sobrava uma graninha para fazer uma ciclovia de quatro faixas na Carlos Gomes.

    Ah, e todos nós estaríamos argumentando por que a perimetral devia ser feita na frente da sua casa. Como ela corta a cidade, passa perto da casa de quase todo mundo, então imagina, 20 anos de discussão.

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    • Sim, o PISA era mais fundamental, e desde antes até deveria ter investido mais em saneamento básico do que em infraestrutura viária para carro, teríamos hoje 100% do esgoto coletado e tratado.

      A terceira perimetral, para o fluxo de carros, já está obsoleta! Plano cicloviário em Porto Alegre é mais antigo que o PT na prefeitura e nunca saiu.

      Felipe X, olhaste os vídeos que indiquei, vemos claramente que mobilidade urbana se resolve de forma muito diferente do que o Brasil vem fazendo. O x da questão a Renata deixa bem claro, é transporte coletivo(público ou não) integrado se complementando.

      E uma ciclovia de duas faixas na Carlos Gomes já estaria de bom tamanho.

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    • Olavo, digo mais uma vez: a perimetral incluiu transporte público. Ou ninguém lembra que aquela avenida não tinha corredor de ônibus? Que em alguns trechos não ouve novas pistas para automóvel, apenas para os ônibus? Não sei onde vcs moram, mas aqui para a zona sul fez muita diferença ainda mais com o crescimento recente. O problema é não ter ciclovia, né? Os BrT’s logo saem também, não é como se não estivéssemos fazendo nada pelo transporte público.

      Falas que o pisa está obsoleto, que a perimetral está obsoleta (ou seja, antiquados)… pois é, isso não é por que eles nunca foram necessários ou nem deviam ter sido feitos. Isso é por que não tiveram a dimensão necessária talvez, mas isso não quer dizer que estaríamos na mesma sem eles.

      Outra coisa, não é como se a prefeitura não tivesse feito nada além de estradas nos últimos anos, apesar de eu saber que é esse o discurso. E o conduto lá na região do Moinhos? Realocação de favelas? Revitalizações no centro? Ouço bastante esse papo que a prefeitura só investe em trânsito mas onde estão os números?

      Vou ver o vídeo agora.

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      • Realmente não tenho números a mão, tens ai? De qualquer forma em relação a mobilidade urbana os investimentos estão muito aquém do que o necessário, no meu ponto de vista por ter prioridades erradas (focada em obras para carros).
        Em relação a saneamento básico também.

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  3. Lixo, esgoto, água tratada, etanol, biodiesel, tudo é resposabilidade do estado, quero dizer 90 % do meio-ambiente, ele são culpados.

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  4. Depois dessa tua afirmação:
    “É óbivio que todo o empresário, e o Estado deveria ser igual, tenta pagar o mínimo aos seus empregados, assim como os empregados tentam receber o máximo de sálario possível, isso é a lógica do mercado de trabalho e é o que garante o máximo de eficiência ao sistema.”
    Achando que isso é correto, e isso deve ser aplicado ao gerenciamento da água, não tenho mais nada que discutir contigo, continue com sua invejável inteligência.

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    • E tu fica com a tu lógica achando que água é um problema de saúde e um risco se for privatizado porque a empresa pode fazer alguma “maldade” pra corta custo, fico imaginando o que tu come e bebe todo dia, já que toda a comida e bebida é fornecida por empresas. A tua lógica não vale pra o leite que tu compra no supermercado?
      E eu realmente não quero que o meu dinheiro que vai pra impostos não seja deperdiçado pagando mais a alguém ou a alguma empresa do que o mercado avalia.

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