Kenneth Anger, ícone do cinema do século XX, vem a Porto Alegre dia 1º/07

Cineasta Kenneth Anger abre exposição sobre sua obra na Usina

O norte-americano Kenneth Anger, ícone do cinema do século XX, vem a Porto Alegre especialmente para a abertura de uma exposição sobre sua obra no Mezanino da Usina do Gasômetro, no dia 1º de julho, às 19h30. A instalação é realizada a partir de alguns dos principais filmes de Anger, projetados em telas distribuídas em duas salas, revestidas de vinil vermelho e prata. A visitação acontece até 1º de agosto, de terças a domingos, das 9h às 21h, com entrada franca. (áudio)

A exposição tem curadoria da alemã Susanne Pfeffer, do KW Instituto de Arte Contemporânea de Berlim e do MoMA PS1 NY, e chega à capital gaúcha depois de passar por Nova York, em 2009, onde obteve grande sucesso de crítica e público. O evento é realizado pela Coordenação de Cinema, Vídeo e Fotografia da Secretaria Municipal da Cultura, com apoio cultural do Hotel Embaixador.

Na manhã do dia 30 de junho, véspera da abertura da exposição, às 9h30, será realizada uma entrevista coletiva de Kenneth Anger no Hotel Embaixador (Rua Jerônimo Coelho, 354). Interessados em participar podem inscrever-se pelo telefone 3289-8137 ou e-mail salapfgastal@smc.prefpoa.com.br. Às 19h, no dia 30, Anger e a curadora Susanne Pfeffer participam de uma conversa aberta ao público na Casa M (Rua Cel. Fernando Machado, 513).

No período de 12 a 24 de julho, a Sala P. F. Gastal da Usina do Gasômetro terá uma programação especial paralela à exposição. Serão exibidos alguns dos títulos de Anger e filmes que dialogam com sua obra, como Veludo Azul, de David Lynch, e Un Chant d’Amour, de Jean Genet.

O cineasta – Frequente colaborador da banda Rolling Stones e inspirador do hit Sympathy for the Devil, Kenneth Anger é o mais cultuado dos cineastas norte-americanos de vanguarda. Famoso pelas delirantes imagens de seus clássicos filmes experimentais (Scorpio Rising, Fireworks, Lucifer Rising), influenciou diretores como Gus Van Sant, David Lynch e Rainer Werner Fassbinder. Segundo Martin Scorsese, este “artista de extraordinária imaginação” é um dos nomes “mais assombrosos e secretos do cinema americano”.

Sinopses dos filmes de Kenneth Anger que integram a exposição:

Fireworks (Estados Unidos, 1947, 20 minutos)

Fantasia onírica sobre o desejo masculino, inspirada nos conflitos entre marinheiros e mexicanos ocorridos em Los Angeles, em 1944. Anger tinha apenas 20 anos quando dirigiu o filme, inteiramente rodado na casa dos pais, com uma câmera 16mm, e é também seu ator principal. Fireworks ganhou a admiração de Tennessee Williams e de Jean Cocteau, que o selecionou para o Festival do Filme Maldito, em 1949, onde foi premiado.

Puce Moment (Estados Unidos, 1949, 6 minutos)

Neste curta de apenas 6 minutos, Anger usa como figurinos os vestidos herdados de sua avó, que trabalhara como costureira para as atrizes de Hollywood. As roupas foram a base para a criação dessa abstração colorida, que homenageia o cinema mudo.

Eaux D’Artifice (Estados Unidos, 1953, 13 minutos)

Filmado em locações na Itália, na época em que Anger realizou uma viagem pela Europa em companhia da cineasta experimental Marie Menken. A partir do elaborado complexo de fontes da Villa d’Este, construção do século XVI em Tivoli, o diretor faz um celebração musical do excesso barroco. Na trilha sonora,  As Quatro Estações, de Vivaldi.

Inauguration of the Pleasure Dome (Estados Unidos, 1954-66, 38 minutos)

Uma constelação de deuses imaginados e coreografados por Anger, criada a partir de uma das legendárias festas a fantasia realizadas pelo decadente astro do cinema mudo Samson De Brier, em sua mansão em Hollywood. Entre as personalidades que participam do filme, estão a escritora Anaïs Nin, o cineasta Curtis Harrington e o próprio De Brier. Uma mistura delirante de imagens, reunindo desenhos de Aleister Crowley, e símbolos cabalísticos, ao som da Missa Eslavônica, do músico Leon Janáček

Scorpio Rising (Estados Unidos, 1963, 29 minutos)

Depois de voltar da França, Anger começou a documentar a vida da comunidade masculina dos motociclistas  do Hell’s Angels da área do Brooklyn. Uma reflexão sobre velocidade, morte, masculinidade, fascismo, religião, revelando as sombrias correntes presentes na cultura popular americana do pós-guerra.

Kustom Kar Kommandos (Estados Unidos, 1964-65, 3 minutos)

Um homem vestindo jeans apertados pole seu carro ao som de Dream Lover. Fragmento de um longa jamais realizado, centrado na cultura dos colecionadores de carros antigos do Sul da Califórnia.

Invocation of My Demon Brother (Estados Unidos, 1969, 12 minutos)

Curta experimental que combina cenas de Haight-Ashbury (centro difusor em São Francisco do movimento hippie e da contracultura na década de 1960), um ritual satânico protagonizado pelo próprio Anger, sequências de reportagens sobre o Vietnã, imagística homoerótica e cenas de apresentações da banda Rolling Stones. A trilha sonora foi composta em teclado eletrônico por Mick Jagger.

Lucifer Rising (Estados Unidos, 1970-1980, 29 minutos)

Uma das mais elaboradas produções de Anger começou a ser rodada por volta de 1966 e foi abandonada em 1967, com a denúncia de que as latas teriam sido furtadas pelo jovem Bobby BeauSoleil, contratado para atuar e compor a trilha musical. Anos mais tarde, as filmagens foram retomadas com a cantora inglesa Marianne Faithfull e o diretor escocês Donald Cammel no elenco. Participação especial do guitarrista Jimmy Page, do Led Zeppelin, numa cena em que ele admira um retrato do ocultista Aleister Crowley. Filmado em grande parte no Egito, o filme ficou pronto em 1972, mas só conseguiu distribuição em 1980.

Prefeitura de Porto Alegre



Categorias:Cinema, Cultura

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3 respostas

  1. É realmente dificil de acreditar que este cara venha exclusivamente à Porto Alegre, depois de ter passado somente em NYC. E o curioso é que estarei em NYC quando ele estará por aqui. É um grande artista, inspirou diretores como David Lynch(Twin Peaks, Veludo Azul), que também já esteve na Capital em 2008.

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