Acessibilidade: Arquiteta diz que autonomia deve ser garantia das cidades

Na tarde desta terça-feira (5/07), durante o ciclo de palestras e debates do Seminário Cidade Acessível, Cidade de Todos, realizado no Auditório Ana Terra, da Câmara Municipal de Porto Alegre, a arquiteta e urbanista do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA), Belkis Moraes, apresentou aos participantes a necessidade das cidades se adaptarem às normas e técnicas de acessibilidade. “Porto Alegre está aquém do que de fato uma capital precisa para incluir seus cidadãos”, afirmou. Segundo ela, um município acessível é aquele que garante segurança e autonomia para as pessoas se locomoverem e serem livres para desempenhar suas funções sociais.

Em sua apresentação, elencou uma série de calçadas e vias públicas de Porto Alegre que devem ser melhoradas para que possuam atributos de mobilidade urbana. Para a arquiteta, atinge-se à plena satisfação na mobilidade das pessoas quando elas de fato possuem facilidade de deslocamento dentro das suas limitações. Conforme dados levantados pelo CREA, 35,9% da população total brasileira, possuem algum tipo de limitação para locomoverem-se plenamente.

Incluem-se na porcentagem pessoas com deficiência física, auditiva e visual, idosos, grávidas e crianças. “Existem muitas barreiras físicas, que são entraves ou obstáculos que limitam o acesso e acabam excluido as pessoas do convívio social”, argumentou ao listar escadarias, meio-fios, faixas e principalmente o mobiliário urbano das cidades mal projetados para lidar com todos as limitações individuais. “Telefones públicos, marquises, luminosos e até árvores mal posicionadas nas calçadas são barreiras enfrentadas por muitas pessoas”, registrou.

De acordo com ela, as cidades devem prever no planejamento urbano espaço para atender a população de uma forma integral. “Rebaixamento de calçadas, instalação de piso tátil, recursos humanos capacitados para atendimento dessas pessoas são algumas das exigências”, enumerou. Para Belkis, é da responsabilidade do Executivo, do Legislativo e da propriedade privada planejar e contratar arquitetos e engenheiros para executar. “É preciso integração para chegarmos a um ideal de cidade inclusiva e acessível”.

Câmara Municipal de Porto Alegre



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6 respostas

  1. E não é só o acesso a cadeirantes, mas pessoas idosas, mães com carrinho de bebê, usuários de muletas… Etc…

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  2. Pior é que muitos dos acessos para cadeirantes nas calçadas, estão com os meio fios desnivelados ou são muito íngremes dificultando o acesso da cadeira, quando não temos um carro estacionado na frente. Sem contar na baixa qualidade de nossas calçadas; quebradas, desniveladas e estreitas cheias de obstáculos físicos quase intransponíveis.

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  3. Nos EUA a coisa mais comum que tem é ver cadeirantes nas ruas, aeroportos… acho que nem tanto pq tem mais do que aqui, mas sim pq lá eles tem infraestrutura para se locomover nas ruas.

    Lá as calçadas são sempre feitas de concreto… material simples, barato, bonito, e fácil de moldar. Todas as calçadas tem rampas no meio fio e seguem um padrão (não sei se é definido pelo bairro, prefeitura ou apenas bom senso). Abaixo um exemplo:
    http://maps.google.com/?ll=45.549511,-122.818085&spn=0.000568,0.001206&t=h&z=20

    Não entendo pq esta mania dos Brasileiros de fazer calçada de lajota… feio, mais caro, estraga mais rápido, entra água embaixo qd chove e molha a perna…
    O pior é que quando fui comprar as ferramentas básicas para moldar o concreto quenem fazem nos EUA… sequer vendem estas ferramentas no Brasil, só encontrei no eBay.

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  4. Ótimos pontos. Aliás, esta semana arrancaram todo meio fio do canteiro central da Icaraí e além de eu não entender o que estão fazendo, não aproveitaram para fazer passagens de cadeirantes.

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