Revitalização do Cais é criticada

O projeto de revitalização do Cais Mauá enfrenta resistência na área portuária. Eduardo Rech, que representa os trabalhadores no Conselho de Autoridade Portuária da Capital, não poupa críticas: “O prefeito de São Leopoldo está na China em busca de recursos para implantar um porto fluvial. O prefeito de Viamão, com apoio do competente Wilen Mantelli, da ABTP, quer ter o seu porto. Canoas quer melhorar os seus terminais portuários. Industriais gaúchos, à falta de opções, buscam os portos catarinenses para escoar seus produtos, já que o de Rio Grande está mais distante e é mais caro (cinco pedágios). Em Porto Alegre, na contramão, as autoridades estaduais e municipais, por meio de um processo de grilagem sobre áreas públicas da União, tratam de trocar o nosso porto, pronto e livre, por um shopping, acompanhado de algumas quinquilharias, sob o olhar perplexo da comunidade portuária. A velha frase de Cícero ”quousque tandem Catilina abutere patientia nostra” (Até quando abusará Catilina de nossa paciência?) continua absolutamente atual”.

Denise Nunes – Correio do Povo

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Nota do Blog:

– O centro de Porto Alegre não tem condições de manter atividade portuária com eficiência, devido à falta de retro-área, espaço para armazenar mercadorias em conteineres, ou para veículos por exemplo. Antigamente, os armazéns eram suficientes, mas atualmente um porto para ser rentável e competitivo deve ter um grande terminal de conteineres, o que é impossível no centro de Porto Alegre. 

– Descarregamento de fertilizantes e cereais nos armazéns do Cais Mauá é inviável pois causa poluição do ar na área. Quem já não viu até 2005 pelo menos, navios desembarcando estas mercadorias com formação de grande poeira sobre os prédios da Av. Mauá, causando transtornos aos moradores e trabalhadores do centro.

– Outras cidades da região metropolitana de Porto Alegre podem desenvolver os seus portos, até mesmo Guaíba, em detrimento da área portuária do cais Mauá.

– Lembrar sempre que o Cais Navegantes e o Cais Marcílio Dias continuam operacionais normalmente até hoje, com atracação de grandes navios.

– É bom lembrar também a este cidadão que está criticando a modernização do porto de Porto Alegre, que a construção de um porto em São Leopoldo e Canoas é praticamente inviável para navios de grande porte, atracariam aonde no Rio dos Sinos? no Gravataí? Piada, se apenas com os navios do polo e dos navios de transporte de gás, a ponte do Guaíba já é um inferno. Mais útil seria se o prefeito de São Leopoldo fosse a China pedir financiamento para a construção de uma estrada de ferro Ligando Porto Alegre e Grande Porto Alegre ao porto de Rio Grande, aí sim teríamos um transporte de containers qualificado, tirando centenas de caminhões da BR116 sul, este seria um exemplo de planejamento, coisa rara em políticos no RS. (comentário feito pelo leitor Jorge B) 



Categorias:Projeto de Revitalização do Cais Mauá

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32 respostas

  1. Por mim não teríamos nem os tais Cais Navegantes e Marcílio Dias. Mandemos tudo de trem para Rio Grande. deveriam revitalizar toda a orla de POA para seus cidadãos, desde a área da orla junto á Arena, na divisa com Canoas, até o extremo sul de POA, na divisa com Viamão/Itapuã. 72km de orla para seus cidadãos.

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  2. Augusto,

    Mais uma observação desta não te chamo mais de Gugu. Não precisa o mar se elevar para que haja uma cheia que atinja 1m ou 1,5m acima do nível do cais do porto. O que há, e isto eu não estou chutando, várias ciclicidades de longo período no clima, passamos por um período que as cheias eram baixas, podemos no momento estar no início (isto é uma suposição, que não se confirma totalmente no momento) de um ciclo de maiores vazões, se ocorrer isto todo o complexo poderá ficar com no mínimo 50cm (menor do que a cheia de 1967 e muito menor do que a de 1941) , o suficiente para fazer um grande estrago.

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  3. Há uma observação FUNDAMENTAL que acho não ter sido feita em relação ao projeto. E se der enchente? Qual o plano de contenção das águas..já que o muro fica do outro lado do projeto?
    Olha…eu acho uma temeridade se colocar um mega empreendimento à beira de um rio que demonstrou até aonde pode subir. Podem me argumentar que isso foi há muitas décadas…mas em algum momento isso vai se repetir…ainda mais com essa elevação global dos mares. Eu sou favorável à revitalização ampla do cais…mas esse aspecto natural tem que ser muito bem analisado. Não dá pra fechar os olhos e simplesmente fazer um oba-oba. Deve haver um projeto muito bem detalhado de como impedir que uma enchente devaste todo o complexo.

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  4. Lembrei dele… ele escreveu isso em uma carta ao Jornal do Comércio sobre a pesquisa que foi feita para saber se o porto-alegrense queria ou nao a revitalizacao do Cais Mauá em 2009, com essas palavras….:

    “Diz que 83,4% dos porto-alegrenses aprovam a transformação da área portuária em área não portuária. Coincidentemente, orquestrado por Himler, o mesmo percentual de Hitler. ”
    http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=14852

    Pelo uso desse tipo de argumento acho complicado discutir diretamente de forma racional com o Sr. Rech. Portanto minha sugestão é escrever um texto sucinto criticando a manutenção de atividades portuárias no Cais Mauá. Eu acho que esse tipo de opinião, se não for contestada, acaba sendo aceita por um público mal-informado e criando problemas no futuro.

    Pensei agora numa comparação engraçada… imaginem alguém contrário a revitalização da Usina do Gasômetro para manter a sua primeira função, a produção de energia elétrica pela queima de carvão. Claro que se alguém procurar até pode encontrar argumentos a favor da queima do carvão, mas o fato é que a usina como equipamento cultural se transformou de uma ruina em uma das marcas de identidade da cidade. Contruir uma usina, uma indústria, um porto pluvial, é uma coisa, até aceitável, em qualquer lugar, criar um símbolo da cidade, é outra bem diferente.

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  5. Pessoal, o sobrenome é Rech, e não Rec. Saiu errado no Correio do Povo.

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  6. Movimentar grandes cargas pelo cais Mauá não passa de uma utopia, de estratégia para convencer a população que Porto Alegre vai perder o porto. Ora, o cais Mauá praticamente não funciona para os fins que se destinava implesmente porque sua localização não permite a circulação de grande fluxo de conteineres e equipamentos pesados. Até mesmo uma estação ferroviária de carga seria prejudicial, em virtude do avanço urbano que ocorreu sobre a área.
    Ademais, existe o cais Navegantes, como já citado por outros companheiros. O fato é que Porto Alegre precisa valorizar sua orla e esta valorização passa pela revitalização do cais Mauá como ponto de comércio,serviços e turismo. Não há motivo para querermos que a cidade tenha no centro um grande conglomerado logístico, pois este pode ser transferido para outras cidades ou mesmo outras áreas da capital.
    Uma ligação ferroviária com o porto de Rio Grande por exemplo, poderia muito bem acabar com este problema, além de garantir o acesso de todo o Estado àquele porto (desde que, evidentemente, ferrovias fossem contruídas).
    A declaração do senhor Eduardo Rec não resiste à mínima análise de seus argumentos que não passam de pura retórica típica dos movimentos “contra-tudo”.
    Triste, porém, é verificar que nossos prefeitos estão precisando ir a outros países em busca de financiamentos para obras de infra-estrutura, enquanto o governo imperial de Brasília suga praticamente todos os tributos e impostos dos Estados-Membros da nossa pseudo-federação, porque além do poder econômico que é preciso para se sustentar no poder, o Estado brasileiro é caro, pesado e ineficiente. E o resultado é este que vemos.
    Falta, como sempre, visão estratégica, de longo prazo, e não apenas medidas eleitoreiras e efêmeras que nada trazem para a cidade e o estado como um todo. O gaúcho continua com uma mentalidade provinciana que faz com que a cada dia que passa, o RS empobreça mais, tanto na capital quanto no interior, especialmente na metade sul.
    Engraçado é que foi justamente o centralismo do Império Brasileiro que desencadeou a Revolução Farroupilha. E é precisamente isso que acontece nos dias atuais, e estamos inertes.
    O grande problema é que a minoria que quer barrar todo e qualquer projeto é organizada. Nós, a maioria, que queremos desenvolver nossa cidade não somos. Corremos o risco, pois, de que o projeto de revitalização do cais Mauá nunca saia do papel, o que seria profundamente lamentáel.

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    • Lenilton, concordo com teu ponto de vista, uma ferrovia que saia do porto de Rio Grande resolveria o problema do transporte de cargas, navios descarregariam em Rio Grande e trens transportariam para os seus destinos no interior do estado e vice-versa. Não entendo como Porto Alegre não tem ligação direta por via ferroviaria co Rio Grande.

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  7. Concordo com as avaliações de que o Cais Mauá não é mais apropriado para a movimentação de cargas – não possui armazéns/quipamentos graneleiros (tampouco retroárea), nem área/instalações para movimentação de cargas unitizadas (cargas em contêineres, dentre outras). Os acessos ao Cais Mauá são inviáveis, e interferem com as atividades urbanas. O ciclo da carga geral fracionada (caixarias, sacarias, etc.) acabou. A melhor alternativa é o reaproveitamento dessa área para outras finalidades, não portuárias tradicionais; é a sua reurbanização (com uso portuário restrito à navegação de turismo, esporte e lazer) . Como vai ocorrer essa reocupação do espaço portuário, com que tipo de projeto (concepção), é outro assunto. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa …
    Por outro lado, as operações portuárias que ocorriam no Cais Mauá, basicamente de fertilizantes (com alguns embarques de cargas especiais), foram transferidas para o Cais Navegantes durante o governo Rigotto. O novo cais operacional foi previamente preparado para isso (obras de reforço estrutural) e, desde então, as cargas a granel e especiais já estão sendo movimentadas nesse trecho. Se houver demanda por contêineres, também é no Cais Navegantes que existe área adequada para isso. O Cais Marcílio Dias, que possui estrutura leve em tubulões, não é indicado para operações portuárias, e também não possui retroárea portuária. A rigor, o Cais Navegantes é mais do que suficiente, até é excessivo, para a pequena movimentação do porto da Capital, que movimenta menos do que alguns terminais do Canal do Gravataí (barcaças). A discussão correta, no meu entender, é quanto ao MODELO de reocupação urbana do Cais Mauá, para fins não portuários tradicionais. O ciclo portuário clássico acabou no Cais Mauá.

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    • Agradeço ao Hermes por ter esclarecido, desde um ponto de vista técnico, que uma coisa é a função que o Cais Mauá deve ter, e que nao cabe mais uma discussao sobre uso portuário.

      Muitas pessoas falam em continuar usando o Cais Mauá como porto, o que é um total absurdo, por razões técnicas. Temos que deixar bem claro isso. Por isso, acho que seria bom escrever ao correio do povo levantando os argumentos aqui dados contra o uso portuário do Cais Mauá.

      O Eduardo Rec é apresentado como representante dos trabalhadores no Conselho de Autoridade Portuária. Procurei confirmar esse dado e nao encontrei nada…. alguem pode confirmar? Ainda é, ou foi representante?

      Acho que poderiamos enviar um email com os mesmos argumentos em nome do blog Porto Imagem (e, se quiserem, do Movimento Quero Cais também) ao Conselho de Autoridade Portuária, para deixar claro que discussoes desse tipo apenas confundem e nao ajudam.

      Eu discordo da opiniao do Hermes, pelo que li no blog dele, sobre as novas funcoes da área do Cais Mauá, mas isso é outra coisa, uma outra discussão.

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      • O conferente Eduardo Rech, que também é advogado, é representante do bloco dos trabalhadores no Conselho de Autoridade Portuária. Respeito a opinião do Rech, até porque ele é legítimo representante dos portuários, mas entendo que o Cais Mauá tornou-se obsoleto para a atividade de movimentação de cargas; mais, acho que o porto da Capital (Cais Navegantes), um terminal interior (de águas rasas) deve dedicar-se à navegação interior, e não continuar insistindo nas navegações de longo curso e de cabotagem.

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  8. De acordo com Einstein a estupidez humana nao tem limites…..mas isso e’ para “humanos”!! selviculas como estes criticos, nao sao limitados pela fisica nem razao, eles vao alem de tudo e todos e chagam a sociopatia, nao ha outra explicacao.

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