O GUAÍBA QUE TEMOS E NÃO TEMOS, por Percival Puggina

Mês passado, minha mulher e eu realizamos um antigo sonho. Percorremos longo trecho dos Alpes, viajando de leste para oeste, através da Áustria, Suiça e Itália, naqueles cenários de Noviça Rebelde. Ainda trazemos nas retinas lagos esplêndidos, encostas verdejantes, picos nevados e vilarejos no belo estilo bávaro, que começam no jardim da primeira casa e terminam no jardim da última, em verdadeiro concurso de sacadas floridas, capricho e harmonia com a natureza. A todo momento era preciso descer do carro para contemplar, como num êxtase, o que chamávamos “protagonismo da paisagem”. Em viagens anteriores, centrávamos nossa atenção, principalmente, nas obras que a humanidade ofereceu a Deus – as catedrais, os mosteiros, a arte sacra. Desta feita, desfilavam diante dos nossos olhos muitas das mais belas obras oferecidas por Deus à sua criatura. Entre elas, os lagos alpinos. O roteiro incluía vários: o Zeller, o Hallstatter, o Thun e o Birenz em Interlaken, o Genève e o Maggiore.

Pois é sobre os lagos que quero escrever. Aliás, é menos sobre eles e mais sobre o Guaíba. Acontece que aqueles lagos nos faziam lembrar, todo tempo, deste que temos aqui, perto do coração e longe dos olhos. Por quê? Porque era forçoso, em face do que víamos nos Alpes, fosse admirando o conjunto, desde fora, fosse contemplando as orlas em passeios de barco, lamentar o abandono do nosso Guaíba, sentenciado ao ostracismo. Ostracismo? Sim, ostracismo. O Guaíba é um isolado, um ermitão, um misantropo solitário, patrulhado por uma mentalidade sociofóbica que afasta as pessoas e reserva suas margens às ruínas e ao inço.

Se essa mentalidade, que primeiro o segrega e, depois, o abandona, orientasse o uso dos lagos de lá, não haveria turismo, nem charmosos hotéis, nem clubes, nem parques, nem piers, nem restaurantes, nem ocupação residencial, nem empresas de navegação transportando, diariamente, milhares de passageiros ávidos por fotografar o harmonioso convívio da urbanização com o cenário natural. Tudo seria barrado, proibido. Promoveriam abraços ao lago, assembléias e passeatas. Haveria candentes discursos e abaixo-assinados em defesa do lago – “O lago é do povo!”. Qualquer uso significaria privatização de um patrimônio natural, apropriação capitalista da paisagem e lucro auferido em prejuízo das barrancas, das capoeiras e das rãs. O bom é manter a orla inacessível, perigosa e suja. Já pensava em escrever esta crônica quando recebi um levantamento fotográfico das margens do Guaíba, mostrando exatamente isso em 30 deprimentes imagens. Pois é. Bilhões de pessoas considerariam inexcedível privilégio viver num sítio como o de Porto Alegre. Dezenas de milhares de cidades do mundo inteiro ralariam cotovelos de inveja diante do nosso Guaíba! E ele, como tudo neste Estado, está aí, sendo surrado pela ideologia do atraso.

Outro dia, indagado sobre o metrô (aquele que ia ficar pronto para a Copa) afirmei que dificilmente sairá do papel. Quando começarem a cavar, descobrirão que a linha vai causar prejuízo ao trânsito de tatus e tuco-tucos, às minhocas e à fauna subterrânea. Pára tudo! E, se os duríssimos debates a esse respeito forem superados pelo bom senso, reze, leitor, para que não encontrem, nas escavações, algum fragmento de cerâmica indígena. Aí, o metrô pode acabar passando por cima da sua casa.

Twitter: @percivalpuggina 

E-mail: puggina@puggina.org

Fonte: Blog do Percival Puggina



Categorias:Artigos, ORLA, TURISMO

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77 respostas

  1. Gilberto, andas tão silencioso.

    Tens colocado diversos posts com artigos sobre a orla, é verdade. Também fostes conversar sobre o Cais com o Assessor do Prefeito para Grandes Projetos. Excelente iniciativa.

    Todavia, considerando que os políticos quando procurados adoram dar desculpas esfarrapadas ou silenciar, sinto falta de um post aqui no blog que seja mais contundente, que dê uma sacudida nas pessoas, que dê um grito nos ouvidos das pessoas para que elas acordem do sono profundo. Sabemos que muitos políticos lêem os posts da página principal do blog, não daria então para ti fazeres um post cobrando uma nota pública oficial da Prefeitura Municipal justificando porque NADA será feito na orla e no mirante para a Copa? Acho que o que está faltando é uma declaração pública e oficial da Prefeitura Municipal confessando que não tem absolutamente NADA em mente para a orla e para o mirante, pois parece que as pessoas “off-blog” ainda não se deram conta disso e estão achando que encontrarão uma nova POA na Copa de 2014, o que só será verdade no que se refere ao Cais. E, sem pressão da sociedade e da imprensa, aí é que os políticos vão mesmo continuar sem pensar em fazer nada mesmo para a orla e para o mirante.

    Veja os cuidados de Brasília com o seu lago (fotos do calçadão da região do Pontão do Lago Sul):

    E veja o que eles lá em Brasília também estão fazendo para a região do Lago Norte:

    O Pontão do Lago Sul virou o lugar mais badalado de Brasília, com restaurantes charmosos (tem até um restaurante da Mormaii). Considerando que já teremos restaurantes no Cais, talvez não fosse viável mais restaurantes na orla, mas uns quiosques e um calçadão decente seria plenamente plausível para Porto Alegre.

    Por fim, um exemplo de calçadão que vem do exterior, tirado do google:

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    • Esta última imagem seria um sonho para Porto Alegre. É inaceitável que uma organização do espaço como esta seja taxada de “privatização da orla” (o que ocorreria por aqui). A orla está ali, bela, organizada, limpa, segura e AO ACESSO DE TODOS.
      Se as torres fossem construídas onde está o jardim aí EU diria que há “privatização da orla”, mas do jeito que está vejo problema algum.

      Quanto mais afastarmos as pessoas dos espaços públicos mais estes estarão sujeitos a ação de vândalos, drogados, bandidos e à prostituição. O uso misto dos espaços é o desejo de qualquer cidade do MUNDO atualmente, justamente porque proporciona a circulação de pessoas ao longo das 24hrs do dia, o que é interessante tanto para a segurança quanto para a viabilidade econômica do local.

      Vou reunir algumas fotos como estas e distribuir na imprensa, e pedir que comparem com a orla de Porto Alegre.

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      • Boa, João! Excelente iniciativa!

        É preciso que se explique para a mídia e para a sociedade que as diretrizes da prefeitura para a orla da cidade (marinas públicas e etc), como o Rogério explicou, não são um projeto e que então nada de concreto está ou pensa-se fazer nesse sentido, senão já estariam licitando algo como o fizeram com relação ao Cais. Já no caso do entorno do Inter, a área na maioria nem é do referido time, como o Ricardo falou, e, portanto, mais um projeto que não sairá do papel. Foi o que tentei falar para o Gilberto, pois as pessoas hoje olham para a orla jogada às traças, mas ficam relativamente traqüilas, pois equivocadamente acham que ambos os projetos estão em vias de ser executados para a Copa, o que está longe de ser verdade, infelizmente.

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  2. O Augusto gosta de chamar o Fortunati de Professor Girafális, mas eu diria que ele errou o personagem do seriado mexicano Chaves que corresponde ao digníssimo prefeito municipal, pois ele na verdade é o carteiro Jaiminho, aquele de Tangamandápio, que nunca faz nada “para evitar a fadiga”.

    Quando é que alguém grande da imprensa vai peitá-lo e apontar o microfone ao vivo para ele e questioná-lo do porquê que a orla do Gasômetro e da Avenida Beira-Rio e o Mirante do Morro Santa Teresa não receberão nem mesmo uma revitalizaçãozinha com laje-grês?

    Tim Maia imortallizou a orla carioca com a letra da música que assim diz: “do Leme ao Pontal [do Recreio] não tem nada igual”. Já Fortunati, seguindo a linha poética musical de Fogaça, comporá uma música em homenagem à capital parodiando Tim Maia, mas o refrão será assim: “Do Gasômetro ao Pontal [do Estaleiro] só tem MATAGAL”.

    Pelo jeito só fazendo como os índios, que fecham estradas para protestar, e como os próprios moradores do Morro Santa Tereza, que interromperam parcialmente a Avenida Padre Cacique. Parece a única forma de conseguir espaço na mídia e talvez assim constranger Fortunati a fazer algo na marra pela orla.

    Será que ninguém [fora do âmbito blog] percebe que é um ABSURDO a orla não ter nem mesmo os simples equipamentos públcos que eu falei e o mirante idem?

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  3. Pessoal, não tem tanto mistério assim revitalizar a orla para a população e nem é caro!

    Vejam que simples:

    Já temos a ciclovia, como viram, falta apenas um calçadão ao seu lado, pois hoje pedestres e bicicletas dividem o mesmo espaço. Mas pode ser um calçadão simples assim:

    Para os freqüentadores terem um mínimo de estrutura, basta que se faça alguns quisoques simples assim, espalhados pelo calçadão, a ser construído ao lado da pista da ciclovia e da avenida Beira-Rio (tais quiosques bancariam a criação do calçadão):

    Para dar segurança aos freqüentadores, bastaria colocarem lá um pequeno e simples posto policial assim:

    E os policiais poderiam ficar indo e vindo policiando a orla assim:

    E, quem sabe, se construíssem também algo assim (píer/trapiche), apesar de nem precisar até, pois o calçadão já bastaria e seria de grande valia já:

    Acho que o mais difícil talvez fosse o píer, mas o resto é barato e plenamente viável. Será que nem isso a Copa pode fazer por nós? Será que a Prefeitura não encontraria interessados? Em último caso, que cobre isso como contra-partida à construção de novos empreendimentos.

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    • Não, nosso lago não-glacial iria engolir tudo e nos levar à pré-história… haha

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    • O Portofan abordou o ponto certo, mais uma vez. Pelo menos pra mim, o que me deixa mais “furioso” com este descaso da orla é que as soluções para resolvê-la são extremamente SIMPLES.

      Realmente, a estrutura mais complicada a ser construída seria o píer, o que, a nível de engenharia atual, representa a menor das dificuldades. Ciclovias, calçadão, lixeiras, bancos e quiosques não requerem muito dinheiro nem muito tempo para serem realizados.

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      • Pois é, João! Quem sabe um dia a população acorda e cobra da administração municipal o básico do básico! O que nem um mega evento como o é uma Copa dará jeito em POA.

        Isso acontece todo dia em POA:

        Mas a maioria nem sabe que tem. Repete a frase de que temos um pôr-do-sol belíssimo, mas sequer realmente contempla ele, senão cobraria um mínimo de equipamentos públicos no local.

        Quem gosta acaba tendo que curtir assim mesmo:

        Em POA, fora o Cais, que parece que agora está andando, só o que cresce é o mato do gasômetro e isso aó embaixo:

        Não falta gente da população e da classe política para fazer isso:

        E até isso:

        Mas para defender intervenções simples para a orla essa mesma gente aí desaparece.

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  4. Obrigado Gilberto, como escrevi no item 5, minha sugestão seria incentivar construções do tipo Green Building ( http://www.greenbuilding.com/ ) que respeitam as características naturais do ambiente. Independente do que forem construir, que seja sustentável. A impressão que eu tenho de Porto Alegre é medo de ousar, tanto do poder público quanto privado. Temos uma série de restrições físicas (naturais) e legais (humanas) e com uso de tecnologia poderíamos criar diversos ambientes diferentes e interessantes para a população.

    Ao meu ver, devemos nos comparar menos com outros locais do mundo e criamos nossa própria identidade respeitando nossas limitações. Paremos de nos comparar com Porto Madero ou Alpes suíços, somos diferentes e temos uma cultura muito rica pra ser desperdiçada dessa forma.

    Talvez se não houvesse tanto ranço (em todos os sentidos) poderíamos encontrar um ponto de consenso e prosperar quanto possível. Abraços,

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    • Eu acharia ótimo postares sobre este tipo de construção. Não nos comentários, como postagem mesmo.

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  5. Algumas considerações:

    1) esse blog é muito raivoso! gente, qualquer coisa é motivo pra denegrir a imagem alheia? ironias, chacotas, não se tem mais respeito nessa cidade? eu acho que podemos maneirar um pouco nos comentários. Trazer ideias e argumentos (fatos, principalmente), vamos deixar xingamentos para mesa de bar? (ja to vendo que vao me chamar de viado depois dessa, nao me importo mesmo)
    2) sempre se politiza as conversas por aqui? a dicotomia esquerda = retrograda, direita = progressista é sempre vista assim? Eu acho que está faltando um pouco de humildade pra tentar entender o outro ladoantes de retrucar. (existe isso? tentar entender?)
    3) Percival Puggina, parabéns pelo site, mas lamento que seja uma pessoa igualmente raivosa (raivosa no sentido que mete o pau e não se importa com as consequências, entende?, mas com maior respeito a sua pessoa)
    4) Rogério Maestri, parabéns pelo site, mas não tente argumentar com dados concretos, leis e a realidade, infelizmente ainda é duro pra gente que quer ver uma cidade bem desenvolvida e não pode por uma serie de defeitos geográficos que pessoas insistem em colocar a culpa na politica. Deixemos que um dia venham construir uma orla perfeita e ver se a natureza será mais forte que a nossa tecnologia. Dai sim veremos quem tinha razão nisso tudo.
    5) Eu adoro esse site e sempre que possível eu gosto de ler e contribuir. Da mesma forma, creio que é possível construir sustentavelmente, apesar de jogarem pedra em mim dizendo que sou ecoxiita. Então, que tal incentivar o movimento de Green Building em Porto Alegre? Tenho certeza, que encontraríamos um ponto em comum.

    Abraços a todos

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    • Obrigado pelo comentário caue. Todos os comentários são bem-vindos aqui. Eu procuro moderar as ofensas pessoais e nomes chulos, coisas assim. Nada se constrói com repressão e censura. Portanto, procuro moderar o menos possível. Aguardo as tuas colaborações, com certeza. Ao meu ver seria bem melhor em vez de criticares os demais comentários, trazeres valiosas contribuições com o intuito de elevar o nível dos comentários. Abraço!

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    • Em relação ao teu ítem 4, juro que tentei entender a comparação com lagos glaciais, mas jogar essa informação sem argumentar bem e explicar os porquês fica complicado né.

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    • Legal! O Caue está trazendo uma visão diferente da maioria que aqui frequenta. Inclusive, a ideia do Green Building, apesar de estar em pauta a nível mundial, ainda não é tão discutida por aqui. Espero que possas participar mais frequentemente.

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  6. Bah, achava que essas diretrizes fossem pelo menos um ante-projeto. Que lástima que nem isso o é. Concordo totalmente com o que tu dissestes agora sobre a administração pública, Rogério. Estás certíssimo nas tuas palavras.

    É incrível que uma cidade como Porto Alegre consiga passar décadas como se não tivesse o Guaíba e que nem a Copa do Mundo conseguirá dar um jeito nisso. Somos uma terra de cegos, surdos e mudos, formada por políticos de merda e infelizmente cidadãos idem, que de tão apáticos e nada críticos não conseguem perceber o absurdo que é o fato do Guaíba ser ignorado e rejeitado e que nem uma Copa do Mundo dará um jeito nisso. Anunciaram cada coisa como sendo um legado da Copa para Poa e justamente o que se esperava como, por motivo óbvio, o maior legado da Copa, não ocorrerá e sequer está sendo cogitado, lembrando que já estamos quase em agosto e que, assim que virar o ano, estaremos em 2012, há um ano de 2013, ano da Copa das Confederaçoes, quando passaremos a ser vidraça, em vez de vitrines, e a Copa da África passará a ser considerada um sucesso, se comparada à de 2014.

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    • Portofan

      O meu falecido sogro foi engenheiro residente do departamento de saneamento da secretaria de obras lá por 1950 (não sei se era realmente este nome, era o que antecedia a CORSAN), naquele bom tempo esta secretaria com um quadro bem reduzido, projetavam construiam e administravam as obras, o custo era quase 20% do que é hoje e ele construiu várias hidráulicas (hoje chamadas ETA), principalmente nas praias. Após foi criada a CORSAN para dinamizar tudo (!!!!?????) e pouco a pouco esta foi perdendo o seu quadro técnico chegando a um ponto de ter um engenheiro mecânico para acompanhar todas as instalações de bombas do Rio Grande do Sul (felizmente isto foi corrigido no tempo do governo Rigotto). Hoje em dia tanto a Corsan como o DMAE, praticamente não projetam mais nada, não porque não conheçam, mas por política das companhias, isto vale tanto para a água como para qualquer outras coisas, estradas, escolas, etc, é tudo terceirizado.

      Na verdade independente de partidos nossos políticos entendem somente de aparelhar o estado, ou seja colocar seus apaniguados em postos chave, técnicos ou políticos, e termina com um monte de pessoas que não entendem nada do assunto mandando em quem entende, aí o funcionário público quando vê uma situação desta fica completamente desmotivado.

      Uma dica, as Universidades Públicas são boas né, um dos motivos é porque não tem CCs.

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  7. Rogério, mas, pelo menos em TESE, parece que já há esse projeto geral para a orla:

    https://portoimagem.wordpress.com/diretrizes-para-a-orla-central-projeto-orla/

    O que parece que falta é vontade política, a mesma vontade que fez Fogaça e Yeda tocarem o projeto do Cais e que parece que Fortunati não o tem de colocar o da Orla igualmente em prática (e isso para ficarmos só com a orla, sem falarmos no mirante do Santa Tereza, por exemplo).

    O problema é que a mesma Prefeitura que culpava Tarso pelo entrave do Cais (até com certa razão), quando chegar a Copa colocará exclusivamente no Inter a culpa por não termos nada junto à avenida Beira-Rio.

    Pôw, é só calçar a margem da avenida fazendo um calçadão com ciclovia e permitir a construção de quiosques padronizados ao longo dela, sob a condição de custearem a construção e a manutenção do calçadão e da ciclovia. Fora isso, bastaria podarem os galhos mais altos das árvores, que impedem a contemplação do lago e do pôr-do-sol, e uma guarita com uns guardinhas circulando pela área e estaria tudo resolvido. Simples, mas melhor do que nada, que é o que temos atualmente. Prevêem até marinas nessas diretrizes municipais sobre a orla, mas não fazem nem mesmo o básico do básico. Tchê, o que falta é vontade e o que sobra é preguiça! Coisa que se faz em meses, não se precisando esperar açoes conjuntas de várias administraçoes para tanto. Licitando direito, aí sim, quem sabe até um pequeno píer ou trapiche de madeira e uma marina pública também igualmente fossem ali bancados pela iniciativa privada.

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    • Portofan

      É mais um estudo preliminar do que um projeto! Este é um dos problemas da administração pública no Brasil hoje em dia, não são feitos mais projetos. O que temos é um estudo inicial que só serve para CONTRATAR UMA EMPRESA PARA FAZER O PROJETO, dá para entender. Não há nem um ante-projeto há um estudo que esse grupo pelo porte que tem deve ter demorado uma semana para fazer. Com o que tem não é possível nem fazer um estudo de viabilidade econômica, muito menos um diagnóstico de impacto ambiental. As coisas morem no detalhe e no detalhe que mora o problema.

      Com este material não dá para orçar nada, com este material não dá para pedir recursos para nenhum agente financeiro, isto é simplesmente um primeiríssimo passo, se quiséssemos na realidade revitalizar a orla, como todos desejamos, seria necessário um ante-projeto, não digo um projeto executivo, mas por exemplo toda e qualquer volumetria de equipamentos deveriam estar detalhados.

      Quanto ao item PREGUIÇA fecho contigo e não abro, o problema é que para se ter um anti-projeto que serviria para que fosse lançado a construção de partes do todo tem-se que TRABALHAR. Outro problema é o despreparo dos nossos prefeitos, mostram um estudo preliminar como este e um Tarso, um Fogaça ou até o Fortunati. Eles acham que tem alguma coisa em mãos, ficam olhando para estas apresentaçõezinhas em Power Point e acham que tão com tudo. Isto é o mesmo de alguém que vai construir uma casa e fala com a mulher e os filhos, a nossa casa vai ter três quartos, tantos banheiros e sala e cozinha. Depois disto com um papel escrito isto eles vão até o banco pedir dinheiro emprestado!

      Algo que me incomoda como profissional da engenharia é esta tendência dos órgãos públicos abdicarem de projetarem, tem muito jogo político e verba para eleições em torno disto, pois fazer arquitetos e engenheiros da prefeitura projetarem não dá para pedir 10% do salário dos mesmos para contribuição de campanha.

      No estado e na prefeitura temos excelentes profissionais, capazes de realizar tarefas bem mais sofisticadas do que examinarem propostas da máfia das projetistas.

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