Tarso muda foco do Fundopem

Governo do Estado irá exigir contrapartida de grupos que receberem benefícios fiscais

O Palácio Piratini prepara um conjunto de medidas relacionadas aos investimentos privados no Estado para protocolar até o final de agosto na Assembleia Legislativa. Ontem, o governador Tarso Genro (PT) revelou as diretrizes de uma delas: a reforma do Fundo Operação-Empresa (Fundopem), programa de incentivos fiscais do governo estadual.

A intenção do governo é modificar o foco da concessão de benefícios tributários às empresas e intensificar a exigência de contrapartidas. “Os contratos de indução tributária e financiamentos através do Banrisul terão um rigoroso acompanhamento na relação custo-benefício e na criação de empregos”, advertiu Tarso.

O petista disse ainda que serão priorizados os empreendimentos que se dispuserem a fornecer tecnologia aos setores produtivos do Estado. “Vamos privilegiar as empresas que trouxerem novas tecnologias e estiverem dispostas a tranferi-las em associação com indústrias locais.”

As modificações no Fundopem aprofundarão as alterações que foram feitas no início do ano, quando um projeto aprovado pelo Parlamento incluiu mecanismos que beneficiam a atração de investimentos para a Metade Sul e para o polo naval de Rio Grande.

Agora, a ideia do Piratini é possibilitar a isenção de cadeias produtivas concentradas em determinadas regiões, rompendo com a concessão de incentivos para apenas uma empresa específica.

“O modelo anterior está esgotado. Eram incentivos concentrados em duas ou três grandes empresas pouco dedicadas à integração com a malha produtiva do Estado”, criticou o governador.

Tarso projeta que as mudanças proporcionarão ao Rio Grande do Sul “um novo padrão para financiar o desenvolvimento”. E também anunciará no próximo mês medidas para incentivar os investimentos na indústria oceânica.

Jornal do Comércio

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Certo o Tarso. Sou totalmente favorável a concessão de incentivos, mas tem que haver uma contrapartida para o estado, para a população. E esta realmente precisa acontecer, com severa fiscalização. Pelo menos se forem parcialmente descumpridos, que esteja previsto multas ou devolução de valores.



Categorias:Economia Estadual

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24 respostas

  1. Julião

    Há uma diferença entre Japão e China, o Japão era um Império fechado que não se expandia até o século XIX, a China sempre foi um Império de primeira linha que por motivos internos após o século XV se fechou e sofreu uma série de revezes, porém a China é um continente a ser respeitado, eles são o segundo país do mundo em área, o primeiro em população e breve serão a primeira economia do mundo.

    Eu fico meio passado quando vejo explicações na TV do tipo, a China está grande porque utiliza mão de obra escrava e daí por diante. O presidente Mao um certo momento disse que se conseguissem todos os chineses batendo o pé no chão ao mesmo tempo a Terra se deslocaria de seu eixo, e pior que é verdade. A capacidade da China produzir e crescer é incrível eles simplesmente crescem a taxas espantosas.

    Se considerarmos desde 1952 até o o ano passado a China cresceu 213 vezes (valores deflacionados), ou seja, considerando que durante este período a população triplicou, cada Chines teve um aumento per capita de 70 vezes. Continuando com uma taxa mais baixa de crescimento (8%aa) em oito anos eles atingirão um aumento per capita de 120 vezes em duas gerações. Muita pessoas criticam estes números com razão pois a base de crescimento chinês é muito baixa. Porém há um número verdadeiramente impressionante, o poder de compra real dos chineses em 1980 (cada chinês) em relação aos norte-americanos (cada norte americano) era de 2,04%, e em 2010 esta relação é de 15,9%. Se continuar o crescimento em menos de cinco anos cada um do um bilhão de chineses terão o poder de compra equivalente a 50% dos norte-americanos.

    Coloco estes dados para seguirmos com a conversa, primeiro qual a origem desta taxa vertiginosa de crescimento, aí tenho minhas teorias que ficaria muito longo para desenvolvê-las, mas o principal é que em cinco anos o mercado Chinês superará em muito o mercado norte-americano em poder de compra (não esqueçam que a moeda chinesa é artificialmente desvalorizada), logo se temos que nos organizar para vender para alguém é para os chineses, não os norte-americanos nem os europeus.

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  2. Outra coisa, propaganda e marketing aumentam o custo de um produto, jamais a qualidade de um produto, este é o grande erro dos MBAs da vida, se dá ênfase a propaganda e marketing, e quando vem alguém sem propaganda e marketing, como são os produtos chineses, vem com o custo mais barato, e nós ficamos com o custo Xuxa no nosso produto (e os Xuxos responsáveis pela propaganda e marketing). Se remunerássemos melhor os engenheiros e colocássemos os marqueteiros e propagandistas no seus lugares teríamos produtos melhores, mais baratos e mais competitivos, porém as firmas de propaganda dão polpudas propinas aos diretores e quem entra pelo cano são os acionistas.

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    • Depende se você quer competir com a China (uma batalha perdida) ou com a Itália ou França, em produtos de alto valor agregado? Ou mesmo em achar um caminho próprio vendendo produtos finos, mas de preços razoáveis?

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      • Produtos finos tem que ter alta qualidade, não é porque as pessoas decidem que os produtos são finos que eles serão, e o nosso empresário é mais ou menos assim, ele declara que o que ele faz é fino e quer que todos comprem por um preço mais alto o que ele produz sem uma contrapartida de qualidade.

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  3. Disseste “investimento em tecnologia e, principalmente, em publicidade e marketing”, principalmente significa que a tecnologia é assessória.

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    • Eu posso ter o produto mais moderno do mundo; mas, se ele não for conhecido, eu não ganho nada a mais com isso, por isso é importante investir princilmente na imagem. Ou alguém desconhece que a maior parte do preço de um sapado Prada, por exemplo, decorre de sua marca conhecida e reconhecida mundialmente.

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      • Julião

        Eu propriamente não conheço a China, mas tenho um primo que é engenheiro que nem eu, mas ele é empresário da construção civil bem realizado. Pois bem, ele foi com um grupo até a China e veio surpreso com determinadas coisas que ninguém chamava a atenção. Primeira das coisas é que as empresas chinesas tem como diretores e gerentes quase somente engenheiros, e que engenheiro tem um status enorme, se vem alguém com um cartão escrito, diretor presidente, e o outro simplesmente engenheiro, eles dão bola somente para o engenheiro, o outro que acompanhe atras.
        A seguinte coisa que lhe chamou atenção é o total despojamento das indústrias chinesas de meios que não sejam fins. Eles tem setores de engenharia forte, e publicidade, marketing, setor jurídico, e outros simplesmente não existem. O marketing que eles fazem é fabricar algo bom e barato, e quem estiver interessado que compre.

        As nossas empresas se preocupam com as perfumarias, tem CEO’s ganhando rios de dinheiro e um setor de produção que é uma segunda linha. Se perdeu um pouco o rumo, e isto não é só no Brasil, é em todo o ocidente.

        Quanto ao teu exemplo do sapato Prada é algo interessante, o que os chineses fazem, eles começam a fabricar para uma grife famosa um determinado produto, durante o tempo que esta grife está lá eles desenvolvem outros produtos, no momento em que a grife sai eles começam a fabricar algo melhor, com a mesma qualidade e sem todo o custo de propaganda, quem quiser que compre.

        Os chineses não inventaram nada, eles reinventaram algumas idéias do Ford que dizia:

        -Quem quiser compre um carro Ford da cor que desejar, desde que seja preto.

        Ou seja, limitando a escolha e se dedicando a produzir algo bom e barato, Ford vulgarizou o automóvel e criou um império, se ele tivesse um departamento de propaganda e outro de marketing ele fabricaria carros de vários modelos com diferentes cores e jamais montaria o império que montou.

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        • Pode apostar que o próximo passo dos chineses será se dedicar a fabricar produtos de alto valor agregado e para isso investirão altou em publicidade, mundo a fora, para alavancar as marcas chinesas. E, em 2 décadas, talvez menos, estará tudo dominado.

          Alias, os chineses não estão inventando a roda, mas copiando (mais uma vez) o modelo de desenvolvimento antes já trilhado, por exemplo, pelo Japão. Quantas marcar japonesas, hoje em dia, em vários ramos são consideradas de ponta? Há 30 anos essas marcas não eram nada e hoje dominam o mercado.

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  4. Mais uma, não precisamos de propaganda e marketing, precisamos é de produto com qualidade. O Europeu não compra o sapato brasileiro por um preço mais alto porque ele na sua maioria não presta, e na Europa como neva e tem muito barro mesmo as mulheres querem sapatos que não se desmontem quando pegam umidade. Aqui no Brasil se pensa que com propaganda e marketing se consegue tudo. Isso pode ser para o consumidor brasileiro que coloca a Xuxa de garota propaganda e se conseguia vender para as crianças um sapato de plástico com dez a vinte vezes o preço de produção, se o consumidos brasileiro é deslumbrado, o consumidor europeu não o é.

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    • Como eu disse: TECNOLOGIA e marketing – tudo o que valoriza (e consequentemente aumenta os preços de) um produto e uma marca.

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  5. Quanto a calçados, sabes qual foi o impacto que sofreu a indústria Italiana com a concorrência chinesa. ZERO. E sabe porque, porque além de comprar BMWs os empresários italianos investem em design e tecnologia, aqui os nossos ficam só com a primeira parte, as BMWs, e depois eles preferem ficar explorando ao máximo os sapateiros demitindo-os e terceirizando com o mesmo a sua mão de obra. Em resumo, a maior parte dos empresários do setor de sapato não produzem produtos de qualidade, produzem qualquer coisa que qualquer país com mão de obra mais barata consegue competir.

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    • Os chineses AINDA não estão competindo com os italianos, porque trata-se de uma setor que ainda não tem vantagem comparativa, mas, pode esperar, brevemente isso acontecerá também,.

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  6. É tudo custo Brasil, tirar empréstimo no BNDES a juro subsidiado não é dinheiro público?
    O custo-brasil é responsabilidade deste e dos governos anteriores que não fizeram nada em termos de infra-estrutura, é só olhares os investimentos.

    Mas há também o Lucro Brasil, sabias que um carro no Brasil (descontado todos os impostos) é vendido em média de 8000,00US$ a 10.000US$ do que em outros países. Já ouvisse falar de “trust”. Se estivéssemos nos USA 50% dos nossos empresários estariam em cana por combinarem preços.

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    • Pois é, mas a indústria automobilística, que cobra o tal lucro-Brasil (na verdade, trata-se de margem de lucro que são as mais altas do planeta para cobrirem exatamente o custo-Brasil ou o custo para se manter uma empresa no Brasil), é 100% estrangeira e isso acabará acontecendo também com a indústria calçadista, se ela não for protegida, incentivada, financiada.

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      • Não, Julião, lucro acima do custo. Não queira desculpar. Uma coisa é custo outra coisa é lucro sobre este custo. Foi calculado da seguinte forma. Pega-se um automóvel exportado, verifica-se o custo de exportação (que é retirado os impostos), retira-se o frete e se tem o custo real do produto (com custo Brasil) soma-se a este valor, o frete no Brasil, todos os impostos e chega-se o valor do produto. O valor de venda menos o valor do produto é o Lucro Brasil.

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        • Aí é que tá o custo-Brasil não influi só na produção, mas também na comercialização, incluindo o transporte, e principalmente na existência em si da empresa, despesas todas que são cobertas pela margem de lucro. Por isso, porque servem para cobrir o custo-Brasil, as margens de lucro no Brasil são as mais altas do planeta.

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          • Também cobrem os impostos indiretos.

            Aliás boa parte da carga tributária brasileira, de cerca de 35% do PIB, vem de impostos indiretos, como CSSL, COFINS, IOF… que tiram a competitividade da indústria brasileira.

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    • Por outro lado a necessidade de empréstimos a juros subsidíados do BNDES para empresários brasileiros se justifica exatamente porque os juros brasileiros são os mais altos do planeta. Se fossem juros “normais”, como em todos os outros países do mundo, não precisaria haver subsídio.

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      • Nenhum grande empresário paga o juro do reles mortal, tudo juros TJLP + 1%, isto dá abaixo da inflação em alguns momentos. O choro é para mamar mais.

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        • O que dá 7% (se forem essas condições), taxa alta em qualquer parte do mundo, exceto no Brasil, terra onde aplicar no mercado financeiros é mais garantido e dá mais retorno do que investir no mercado produtivo.

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  7. Ainda, o governo é o culpado pelo CUSTO-BRASIL, ao não conseguir organizar-se para investir em infraestrutura, apesar da “montanha” de recursos que lhe é disponibilizado, e por manter um estrutura burocrática que dificulta o desenvolvimento privado. É o culpado por manter os juros básicos da economia mais altos do planeta, 3 vezes a média mundial, que fazem com que a moeda brasileira seja sobrevalorizada artificialmente, encarecendo os produtos brasileiros e barateando as mercadorias importadas. Também é culpado por manter um sistema tributário caótico que insiste em cobrar menos sobre a renda e a propriedade e mais sobre o consumo e a produção, tirando ainda mais competitividade das empresas brasileiras.

    Por isso, só quem tira tanto, pode dar alguma coisa. Não serão os governo da Alemanha ou da china que darão incentivos para empresas investirem no Brasil. E, pode contar que esses incentivos são a devolução da ínfima parte do que o Estado brasileiro, explorador e perdulário, tira das empresas e dos brasileiros.

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  8. Por outro lado, não importam “o foco”, os requisitos ou a forma desses incentivos, pois as empresas só os pegaram se tiverem vantagem e enquanto tiverem vantagens. Logicamente todos os empresários farão sempre a conta, contrabalançando os prós e contras, e ninguém se guiará pelos interesses do governo do estado ou os benefícios a comunidades.

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  9. Não, a Grendene pegou incetivos fiscais do estado e cumpriu tudo que prometeu no contrato e durante esse período manteve empregos e gerou empregos e desenvolvimento, Depois fez o que qualquer empresa tem de fazer para se manter, quando se esgotam as condições de competitividade de um lugar, buscou lugares mais vantajosos para sua atividade. Poderia ter ficado, como muitas ficaram, e quebrado, como muitas empresas quebraram. Quantas empresas já faliram na região do sapateiro?

    Todo mundos sabe que não tem como competir com a China em termos de calçados de baixo custo, ainda mais produzindo no Brasil com o custo-Brasil e o real valorizado (que parece que veio para ficar). O que deve ser feito é qualificar o produto brasileiro para competir com calçados mais caros. Mas, para isso, precisa muito investimento em tecnologia e, principalmente, em publicidade e marketing. Aliás tem de fazer logo, senão a China também tomara conta desse mercado.

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  10. Isto tudo é rescaldo da Grandene, que pegou incentivos fiscais tanto do Estado como da União, para montar uma fábrica na China!

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