Porto Alegre sepulta os PORTAIS DA CIDADE

Apontado até o início deste ano como fundamental para organizar o transporte de Porto Alegre para a Copa de 2014, o projeto Portais da Cidade foi sepultado pela prefeitura, informa a Zero Hora.

A proposta evoluiu para um sistema integrado com municípios vizinhos.

Os Portais da Cidade nasceram prevendo a construção de três grandes terminais (Zona Norte, Cidade Baixa e Azenha). Pela proposta, os passageiros dos ônibus procedentes dos bairros da Capital e Região Metropolitana desembarcariam nesses portais, onde tomariam ônibus articulados especiais para seguir viagem em corredores melhorados. Cada terminal teria lojas e ofereceria serviços, uma espécie de minishopping. A intenção era reduzir o volume de ônibus no Centro.

Ao assumir a prefeitura no início de 2010, José Fortunati mandou aprofundar os estudos técnicos sobre os Portais da Cidade e a proposta inicial foi sendo descaracterizada. Técnicos avaliaram que os terminais não poderiam ter o perfil de minishoppings porque os passageiros não passariam muito tempo neles. A proposta também tinha de ser mais abrangente, contemplando todos os corredores, e levar em conta a possibilidade de o metrô de Porto Alegre sair do papel.

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62 respostas

  1. “Os indivíduos econômicos reagem a incentivos financeiros.”

    Nem que o governo subsidie 90% das passagems de ônibus…a população vai querer deixar de ter um carro. Aposte todas as tuas fichas nisso.

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  2. Caro: Tu achas que a economia do Brasil vai abrir mão de parceiros comerciais tão fortes quanto os do ramo automotivo? Cara…deixa de ser estúpido. A economia dessa porcaria de país está TOTALMENTE dependente do setor automotivo. Toda a infra gira basicamente em torno das estradas e postos de combustível. Eu não torturo a economia. Eu observo a conjuntura. A MAIORIA das pessoas QUER carro e terá carro. Não é porque um tal Mobus da vida quer o oposto ou não compreende o óbvio, que ela vai mudar.
    Não sou carrólatra. Sou realista…
    A situação é essa…queiras ou não.

    (editado parcialmente)

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    • > A MAIORIA das pessoas QUER carro e terá carro

      Quanto à primeira oração: sim, os desejos dos invíduos são ilimitados. Parece que começaste a estudar economia pelo menos. Um dos três embates fundamentais da economia é o das necessidades ilimitadas com os recursos finitos. Todo mundo quer ter tudo, mas só existe um tanto finito de tudo disponível; os mercados emergem para resolver esse problema através do preço.

      Quanto à segunda oração: se for possível alocar os recursos para que os carros sejam fabricados, sim, possivelmente. Perceba aqui que a escassez de recursos que toca à produção de carros é da matéria-prima, da energia e da mão-de-obra – fatores de produção suficientemente flexíveis, livremente substituíveis, e mais importante, escaláveis. O contraponto do desejo dos indivíduos de POSSUIR um carro é a finitude desses fatores de produção. Como bem citas, a lua-de-mel da indústria automotiva com o Estado brasileiro torna bem possível a realização da tua segunda oração.

      O que eu quero que tu entendas é que o desejo ilimitado dos indivíduos em UTILIZAR os carros para seus deslocamentos pessoais do dia-a-dia esbarra na escassez de um outro recurso: o espaço físico nas vias das cidades. Se tu te entende como um realista, tu concordas que o espaço nas cidades é ESCASSO. Claro, para as mentes tacanhas, a disponibilidade de espaço às margens da área urbanizada poderia sugerir que há espaço disponível e a escassez não está presente, e tudo está bem – essa parece ser tua crença com tua proposta do bairro planejado Augusto Dullius. Este raciocínio está errado, pois o que falta é espaço DENTRO da cidade para deslocamentos DENTRO da cidade, nos locais geográficos onde as pessoas precisam passar para chegar aos seus destinos.

      Adicionar uma segunda edição do teu bairro planejado nas proximidades da FAPA não vai resolver o déficit de espaço viário da Avenida Protásio Alves, pois pouco mudaria as necessidades de deslocamento dos indivíduos que já entopem a via. O espaço interno da cidade, visto como um recurso material requerido à utilização dos carros, tem características bem distintas dos recursos requeridos para produção do carro: é pouco flexível (as vias estão limitadas às áreas construídas adjacentes), pouco substituíveis (uma via construída a 5km de uma engarrafada não é um bom substituto) e apresenta retornos decrescentes em escala (vias engarrafadas tem menor velocidade e, portanto, menor capacidade)(incrementar a capacidade de uma via fica mais e mais caro).

      Se, digamos, Porto Alegre seguisse para atender o que julgas adequado, com 100% da população motorizada de acordo com seus desejos de consumo, haveria espaço na rua para todos estes carros serem utilizados?

      > Não é porque um tal Mobus da vida quer o oposto ou não compreende o óbvio, que ela vai mudar.

      Eu não estou pretendendo que as pessoas deixem de querer ter os carros, pois eu não desafio a premissa econômica dos desejos infinitos dos indivíduos. O que eu afirmo é que a realização conjunta de tais desejos individuais é fisicamente impossível e qualquer opção social na direção de atingir essa alocação sabida impossível é necessariamente ineficiente.

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