Copa 2014: Obras terminarão no prazo limite, segundo cônsul geral da África do Sul

Entidades alertam para o cumprimento do cronograma somente na véspera do Mundial

Yusuf Omar diz que a experiência da África do Sul o deixa confiante no processo brasileiro. Foto: Marcelo Ribeiro / JC

Os prazos das obras de infraestrutura para a Copa de 2014 voltaram a ser defendidos nesta quinta-feira em seminário promovido pelo Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea-RS) do Estado. Apesar de reafirmarem a finalização de todos os investimentos para o evento, autoridades do poder público e da área de engenharia civil concordaram que as entregas serão feitas em data próxima a julho de 2014.

O prefeito José Fortunati usou a abertura do seminário para responder aos questionamentos quanto aos prazos das obras e criticou a imprensa que, conforme ele, está torcendo contra a realização da Copa na Capital. Fortunati voltou a afirmar que, dado o momento atual de apresentação dos projetos e licitação, os processos estão dentro do tempo estipulado. “Prazos que nos angustiam, apertados, mais ainda assim estão sendo seguidos”, desabafou.

O presidente do Crea-RS, Luiz Capoani, crítico ao Regime Diferenciado de Contratações (RDC) – em que uma só empresa é responsável por todo o empreendimento, do projeto à execução -, constatou que a nova regra deve despertar para a importância da criação de uma cultura de planejamento das obras. Conforme ele, a falta de planejamento instituída pelo RDC não decorre somente do evento. “Obras têm que ter bons projetos. Se a lei dispensou isso, vamos para frente, e que isso sirva como lição, para que tenhamos mais planejamento público das obras”, argumentou. Para ele, a qualidade dos 70 mil profissionais e 15 mil empresas no Estado garantirão investimentos prontos até 2014.

O secretário de Esporte e Lazer do Estado, Kalil Sehbe, assegurou que as licitações que ainda faltam estarão na rua até o limite estipulado, 31 de dezembro. Além disso, completou os questionamentos à transparência dos processos com o fato de o Rio Grande do Sul contar com a câmara da transparência para a Copa e de o Estado estar sendo visto como exemplo para a implementação de investimentos. Conforme ele, Porto Alegre vai sediar, em setembro, a primeira reunião com os secretários de segurança de todo o Brasil e deve servir como piloto para o sistema de controle nacional, que terá ligação direta com a Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol).

O cônsul-geral da África do Sul, Yusuf Omar, avaliou que a experiência do país africano o deixa confiante no processo brasileiro, ainda que com datas apertadas. “O único jeito que posso descrever é que, se a Copa começa ao meio-dia, o Brasil vai estar pronto às 11h45min”, comparou. Ele destacou que o maior legado do evento para a África do Sul foi a possibilidade de o país começar a crescer com sustentabilidade e que a nação soube se utilizar de mecanismos de transparência para evitar irregularidades no processo, como grupos de auditoria independentes do governo para o controle público das contas. Conforme ele, o Brasil tem ainda mais condições de aproveitar os benefícios da Copa, por ter políticas públicas mais desenvolvidas.

Jornal do Comércio



Categorias:COPA 2014

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4 respostas

  1. Um dos termos modernos que mais me irritam é esse; “políticas públicas”. Que maldito discursinho sociológico/demagógico. Não aguento mais ler e ouvir essa babaquice engana-bobo.
    E essa FIFA hein? Tremenda MÁFIA. Joseph Blatter: diga-me com quem andas (Ricardo Teixeira) que eu te direi quem és.

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  2. Com todo respeito a este cidadão que venho da África para dar palpite com referência as obras da Copa do Mundo, o mesmo deveria também, se manifestar com referência a miséria que a população africana continua, mas recursos públicos para a Copa do Mundo não faltaram.

    Os resultados obtidos com a Copa do Mundo na África na verdade não trouxeram os resultados que se esperava.

    Seria importante que este porta voz falasse sobre as áreas de saúde, educação e segurança do seu país de origem, como se encontram neste momento. Ao que parece a África do Sul vive os melhores momentos de sua história, em que a miséria é uma bandeira.

    O Brasil num momento bem próximo terá o resultado que a Copa do Mundo traz aos países como África, Brasil, que ao que parece não foram os melhores.

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  3. Eles deixam pra ultima hora pra superfaturar e falar que o preço mais alto foi por que tiveram de gastar mais para terminar em tempo.

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  4. Deixar tudo para a última hora deve ser uma “técnica” pouco comprendida para tocar obras públicas

    Já os países desenvolvidos “preferem” planejar e construir com antecedência, para depois, em testes, poderem adaptar e ir corrigindo os problemas que inevitalmente vierem a aparecer. Além disso, quando uma obra é feita com antecipação, o gasto menos; pois obras urgenciais, feitas às pressas, tendem custam mais caro, com resultado normalmente de pior qualidade.

    Mas eles são desenvolvidos. Só não sei se nossa maneira de fazer as coisas é consequência ou causa dos nosso subdesenvolvimento. Tendo a achar que é causa, pois a final de contas que gastou mais numa Copa, a Alemanha ou a Africa do Sul? E quem gastará mais nos jogos olímpicos, Reino Unido ou Brasil?

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