Fortunati: “Não discuto 2012. Minha tarefa é cuidar da cidade”

Em entrevista ao Sul21, o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, analisa o andamento das obras da Copa do Mundo e diz que não está se envolvendo com as negociações para a eleição municipal: "A minha tarefa é cuidar da cidade. E a tarefa do PDT é fazer as negociações para 2012" | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Natural de Flores da Cunha, José Fortunati (PDT) fez sua vida política em Porto Alegre, cidade que administra desde março de 2010, quando o então prefeito José Fogaça (PMDB) renunciou ao cargo para correr ao governo do Estado. Candidato do PDT às eleições municipais de 2012, Fortunati deixou de tratar do assunto, depois de tentar atrair o PT para o seu governo. O assunto agora está com o partido.

Fortunati não está se envolvendo pessoalmente nas negociações partidárias para a eleição municipal de 2012. Motivos não faltam: um deles é a disputa interna pelo comando do PDT metropolitano. “Essa disputa não tem permitido que o PDT faça movimentos muito claros em relação aos demais partidos”, admite. Outro motivo é o foco na preparação de Porto Alegre para a Copa do Mundo de 2014. “A minha tarefa é cuidar da cidade, da melhor forma possível. E a tarefa do meu partido é fazer as negociações para 2012″, diz.

Nesta entrevista concedida ao Sul21, Fortunati fala de suas ações administrativas e políticas. E garante: as obras exigidas pela FIFA para a Copa do Mundo estarão todas concluídas no dia 13 de dezembro de 2013. “Tenho um prazo a cumprir e não posso pensar em 2012 como um ano eleitoral. Tenho de pensar em 2012 como um ano decisivo para que as obras da Copa comecem, pois se não começarem em 2012, elas não acontecerão”, afirma o prefeito.

Leia os principais trechos da entrevista.

Sul21 – Já faz mais de um ano que o senhor assumiu a prefeitura. Qual o balanço que faz da sua administração?

José Fortunati – É claro que o meu governo tem de ser compreendido como um governo de continuidade. Começou em 2008 com o prefeito José Fogaça. Mas, além de dar continuidade aos programas importantes que vinham sendo pensados para a cidade, como o Programa Integrado Sócio-ambiental (PISA), investimos na drenagem urbana e no chamado aluguel social. O PISA é o principal programa de saneamento feito hoje no Brasil, um programa revolucionário, conforme a ministra (do Planejamento) Miriam Melchior. As obras começaram em 2005 com o prefeito Fogaça e nelas estão sendo investidos R$ 37 milhões. Na área da drenagem urbana, nós fortalecemos Porto Alegre. Tanto é que, apesar do acúmulo de chuva, que inundou praticamente toda a Região Metropolitana, tivemos poucos focos de inundação ma cidade. Isso não se deve somente à graça divina, mas à ação efetiva da prefeitura.

Sul21 – Recentemente, o senhor trocou o secretário que tocava as obras da Copa. Podemos chamar de desentendimento o que aconteceu?

José Fortunati – Não é desentendimento. Fiz isso exatamente porque tenho dados concretos. Um levantamento feito pelo Setor de Comunicação da CBF, em todo o Brasil, mostra que a cidade que recebe mais críticas da imprensa é Porto Alegre. Disse e vou repetir: busca-se o que acontece em outras cidades e, simplesmente, atinge-se Porto Alegre. Um exemplo: critica-se o fato de Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Natal, Maceió, Brasília, entre outras cidades, estarem usando dinheiro público para reformarem ou construírem os estádios. E esquecem que, em Porto Alegre, nós não estamos colocando um único centavo na reforma do Gigante da Beira Rio, que é totalmente bancado pelo Sport Club Internacional numa parceria feita com uma empresa privada. Uma crítica descabida em relação a Porto Alegre.

Sul21 – Há outras críticas.

José Fortunati – Criticam a falta de transparência. Esquecem que Porto Alegre tem uma tradição de 22 anos com o Orçamento Participativo, em que a comunidade acompanha, através de comissões de obras, as obras do OP. Tomei a iniciativa de apresentar ao OP as obras da Copa e eles assumiram estas obras como do OP. Tem total transparência. Além disso, buscamos o Ministério Público do Estado, que formou uma comissão para acompanhar as obras. Temos uma parceria com o Tribunal de Contas, que também acompanha todas as obras no sentido de orientar. Há, também, o nosso site, o site transparência, que hoje é reconhecido como um dos melhores sites de transparência do país. As obras estão sendo lá colocadas. Não aceito que questionamentos feitos em relação a algumas cidades e mesmo em relação à própria CBF, já que há uma disputa muito grande com o Ricardo Teixeira, sejam simplesmente repetidos em Porto Alegre, como se problemas outros nos atingissem. Aqui em Porto Alegre temos a máxima tranquilidade, com transparência e participação democrática.

Sul21 – E quanto ao calendário?

José Fortunati – Cobra-se muito a questão do cumprimento de prazos. Foi em dezembro de 2007 que Joseph Blatter anunciou ao presidente Lula que o Brasil seria a sede da Copa. Durante todo o ano de 2008, uma empresa de consultoria, contratada pelo governo federal, a ABDIB (Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base) fez um estudo nas então 18 cidades candidatas. Ficaram aqui um ano. Fizeram levantamentos das áreas de segurança, turismo, hotelaria, mobilidade, saúde pública infraestrutura, estádios de futebol e aí por diante. Disso resultou um caderno de encargos com os pontos fortes e fracos de cada cidade. Em 31 de maio de 2009 é que nós ficamos sabendo quais seriam as 12 cidades sedes. Durante 2009, discutimos com o governo federal as fontes de financiamento. O governo federal negou financiamento da União, mas ofereceu financiamento via Caixa Econômica Federal. Esta negociação não foi simples. O prefeito Fogaça foi quem assinou esta matriz de responsabilidade no início de 2010. Na prática, um projeto só pode ser executado a partir do momento em que tem a fonte de financiamento e que as coisas estejam determinadas. O problema é que o prazo da Copa do Mundo é exíguo, levando em consideração a complexidade de algumas obras.

Sul21 – Por exemplo?

José Fortunati – A duplicação da Avenida Tronco. Alguns gostariam que a gente simplesmente passasse o trator ali. Isso não é possível. Existem 1,5 mil famílias, que moram no leito gravado da avenida e que terão de ser remanejadas. Eu pessoalmente fui àquela área, por mais de dez vezes, falar com a comunidade em assembleias amplas, abertas, para convencer a comunidade da importância da avenida, dos benefícios que ela trará, com o corredor de ônibus que faremos, dizer às famílias que elas serão remanejadas para lugares próximos da avenida Tronco, através do programa Minha Casa, Minha Vida. Este é um projeto de engenharia social extremamente complexo. Fizemos o levantamento socioeconômico, o levantamento cadastral para que elas possam ser abrigadas ou não pelo Minha Casa, Minha Vida, ou outra forma de financiamento. A prefeitura respeita as pessoas que lá moram há 30, 40 anos. Este foi um diálogo demorado, mas necessário. E está tudo resolvido. Estamos terminando o cadastro, as pessoas já discutem para onde irão, já há vários lotes desapropriados. O programa habitacional foi apresentado à CEF e ao ministério das Cidades e, totalmente, aprovado. Isto faz parte de um calendário, que não é somente o calendário de quem fica na prancheta, ou literalmente com a bunda na cadeira em escritórios, definindo o futuro da cidade. Nós lidamos com a vida concreta das pessoas. Com seus medos. O medo de serem simplesmente remanejadas à força, o medo de perder a sua casa, o medo de ir para longe do local onde trabalham. Nós trabalhamos isso. E estamos conseguindo, com diálogo, uma solução adequada.

Sul21 – Os prazos então serão cumpridos?

José Fortunati – Os prazos de engenharia serão cumpridos. A presidenta Dilma deu um prazo até 31 de dezembro de 2011 para que todas as obras sejam licitadas e todas as obras de Porto Alegre serão licitadas até 31 de dezembro de 2011. E há uma exigência de que todas as obras estejam prontas até 31 de dezembro de 2013. E todas as nossas obras ficarão prontas até 31 de dezembro de 2013. Neste sentido, estou muito tranquilo.

Leia a entrevista completa no site do SUL21, clicando aqui.

Por Nubia Silveira



Categorias:COPA 2014

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10 respostas

  1. “Alguns gostariam que a gente simplesmente passasse o trator ali.” (Fortuna)

    Não, prefeito. Todos gostariam que simplesmente o projeto fosse executado. Vocês da PMPA podem executar o projeto? Podem ou não podem?
    Então chaga de papo e mãos à obra.

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  2. Podem atér terminar no prazo, mas vai ser tudo meia boca… que horror.

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  3. José Fortunati – “A duplicação da Avenida Tronco. Alguns gostariam que a gente simplesmente passasse o trator ali. Isso não é possível. Existem 1,5 mil famílias, que moram no leito gravado da avenida e que terão de ser remanejadas. Eu pessoalmente fui àquela área, por mais de dez vezes, falar com a comunidade em assembleias amplas, abertas, para convencer a comunidade da importância da avenida, dos benefícios que ela trará, com o corredor de ônibus que faremos, dizer às famílias que elas serão remanejadas para lugares próximos da avenida Tronco, através do programa Minha Casa, Minha Vida. Este é um projeto de engenharia social extremamente complexo.”

    Ah me poupe….tá doido…só lorota….Que ouvir comuniddade o quê!!!….Tem que passar o trator mesmo…É interesse público….Decreta a utilidade, desapropria e paga o valor real devido pelo imóvel e deu….Agradar a todos nunca será possível, por isto as coisas não andam…Eu não acredito em mais nada. Em 2010 já se dizia que Poa estaria cheia de obras em 2011 e até agora não se vê uma saca de cimento pela rua…Quem quiser acreditar em papai noel e coelho da páscoa que fique bem à vontade..

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  4. Tenho medo desse “corredor de onibus” da Padre Cacique!!….uiiiiiii

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  5. Esse sitezinho do Sul21 ta’ se mostrando competente; tera’ o privilegio de fazer parte de meus favorites de agora em diante.

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  6. Eu adoro contradições, antinomias, incongruências e discrepâncias; Inicialmente o prazo para a construção da tronco foi OFICIALMENTE anunciado como sendo DOIS anos. Agora…que os prazos já foram pro espaço há muito tempo, estão anunciando que a duração das obras será de apenas 1 ano e meio. Isso é que é REENGENHARIA de ponta. rsss

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  7. Maravilha. Quam sabe mais uma campanha? “Ajude a tocar as obras da Copa.”
    Tem tanta gente que adora campanha. Vamos nessa, galera!

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    • Não, nós vamos ficar se queixando em fóruns e não vamos fazer nada, Augusto.

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      • Eu não vou fazer nada mesmo. Não sou prefeito e tampouco fiz campanha pra me eleger ao cargo. Que se virem os que quiseram administrar a cidade e SÃO PAGOS para tal.
        Eu faço a minha parte trabalhando e cumprindo com minhas obrigações profissionais na PMPA…e de lambujem, ainda dou algumas sugestões de como as coisas deveriam ser feitas.

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  8. “A presidenta Dilma deu um prazo até 31 de dezembro de 2011 para que todas as obras sejam licitadas e todas as obras de Porto Alegre serão licitadas até 31 de dezembro de 2011. E há uma exigência de que todas as obras estejam prontas até 31 de dezembro de 2013. E todas as nossas obras ficarão prontas até 31 de dezembro de 2013. Neste sentido, estou muito tranquilo.”

    1) Obras licitadas não significam obras iniciadas!

    2) Alguém acredita que tudo estará realmente pronto até dezembro de 2013?

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