Brasileiro anda mais de ônibus e a pé, diz pesquisa

ANA CAROLINA OLIVEIRA

DE BRASÍLIA

O ônibus é o principal meio de transporte público usado pelo brasileiro, aponta pesquisa divulgada nesta quarta-feira pela CNI (Confederação Nacional da Indústria).

De acordo com o levantamento, 34% dos entrevistados afirmaram que esse é o principal meio de locomoção. Já para 24% da população, a caminhada é a forma mais usada de deslocamento.

Em seguida, como principal meio de locomoção na cidade, está o automóvel, utilizado por 16% dos entrevistados. Apenas 8% escolheram a bicicleta. Os demais utilizam outros meios, como táxi e moto.

Apesar de o ônibus ser o meio de transporte mais usado, o levantamento aponta insatisfação por parte dos usuários. Segundo a pesquisa, 24% consideram ruim ou péssimo, já 31% acham que é regular e para 45% das pessoas que o utilizam o ônibus é ótimo ou bom.

O metrô e os trens ainda são pouco usados pela população. Ambos são utilizados por apenas 1% dos brasileiros. No entanto, esses dois meios são bem avaliados pelos usuários. De acordo com a pesquisa, 70% consideram o metrô bom ou ótimo, 21% acham regular e apenas 9% acreditam que é ruim. Já o trem é bem avaliado por 58% da população, 30% consideram regular e 11% ruim ou péssimo.

Segundo a entidade, o transporte coletivo é usado por 61% da população, porém, apenas 42% o utilizam como seu principal meio de deslocamento. Nas grandes cidades, 58% dos brasileiros utilizam esse meio para sua locomoção. Já no interior, esse índice cai para 19%.

De acordo com a pesquisa, o nível de renda familiar é decisivo na escolha do meio de locomoção. Entre as pessoas que ganham acima de 10 salários mínimos, 63% optaram pelo automóvel como principal meio de deslocamento. Desses, 22% usam o transporte coletivo. Apenas 7% daqueles que ganham entre 1 e 2 salários mínimos usam o automóvel para se deslocar.

A pesquisa aponta ainda que mais de 50% da população tem medo de sofrer acidente ou ser assaltado utilizando o seu principal meio de locomoção. Segundo a pesquisa, os que mais se preocupam com assaltos ou acidentes são os usuários de motocicleta. Os que menos temem são os que se locomovem a pé.

DESLOCAMENTO

O estudo mostra ainda que 24% da população gasta mais de uma hora para se locomover de sua residência ao trabalho ou escola. Nas cidades com mais de 100 mil habitantes, esse percentual sobe para 32%. Para 43% da população, o gasto com deslocamento é de até meia hora por dia.

Segundo o levantamento, o tempo de locomoção é maior para os indivíduos com renda mais elevada. Entre a população com renda familiar entre cinco e dez salários mínimos, 31% gastam mais de uma hora para ir de casa para o trabalho ou para escola. O número sobe para 37% entre os indivíduos com renda superior a dez salários mínimos.

O estudo, realizado pela CNI em parceria com o Ibope, foi feito com 2.002 pessoas em 141 municípios, entre os dias 20 e 23 de março de 2011.

UOL / FOLHA.COM



Categorias:Meios de Transporte / Trânsito

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14 respostas

  1. Transporte coletivo no Brasil é um grande esquema $$$$ finaceiro (ajuda nas campanhas políticas..) . Para reduzir o preço, reduza os impostos do diesel(ICMS..), já reduzirá o preço da tarifa. Quanto as bikes, faz concorrencia com o transporte coletivo$$$.

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  2. Em termos de transporte público o que tem de ser feito é acabar com qualquer tributação sobre o setor, inclusive sobre os combustíveis usados pelos ônibus. Não é possível o governo, além de investir quase nada no transporte coletivo dos cidadãos, ainda cobrar impostos sobre esses serviços, ajudando a encarecer ainda mais as tarifas.

    Provavelmente, se houvesse essa isenção específica, as passagens de ônibus poderiam cair uns 40%.

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  3. Se perguntar para os pais dos alunos que estudam em escolas públicas, eles vão dizer que o nível delas é ótimo, apesar de sabermos que comparadas a outros países, inclusive de mesmo nível econômico do Brasil, estamos na rabeira em termos de nível escolar.

    Isso acontece exatamente porque a educação pública é totalmente gratuita, Se uma mensalidade escolar custasse 50 reais (10% do salário mínimo), por exemplo, os pais cobrariam qualidade no ensino da Escola e empenho de seus filhos. Da mesma forma, se uma consulta médica custasse 5 reais, por exemplo, duvido que as pessoas não se revoltariam por ficarem em filas de espera e por serem mal atendidas.

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  4. Sou totalmente contra!

    Nada poderia ser gratuito. No meu ponto de vista, nem saúde e educação pública deveriam ser grutuitos, muito menos outros serviços públicos, como transporte público, pois tudo que vem de graça é desvalorizado, é mal aproveitado, gera ineficiência e improdutividade.

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    • Um exemplo é nosso transporte coletivo um primor de eficiência e produtividade, mas claro bastante valorizado pelos donos das empresas.

      Julião, esse medo da coisa pública vem ainda do medo do comunismo, e é um absurdo, o que trás desvalorização, ineficiência e improdutividade é desonestidade, mau administração, falta de fiscalização, corrupção, gente ambiciosa que só pensa em enriquecer rapidamente.
      E outra coisa, tarifa zero não é de graça, nada é de graça!

      O SUS apesar de seus problemas é ainda exemplo de sistema de saúde, vem gente de fora ver como funciona aqui. Já tive experiências de ser muito melhor atendido no SUS do que em clínicas particulares, eu e familiares, a beleza luxuosa muitas vezes é só uma casca frágil. São muitas pessoas que já me falaram isso, ninguém aqui teve este tipo de experiência.

      Quanto a Educação, fui professor durante 8 anos, dei aula em escolas particulares, cursinhos, escolas estaduais e supletivos, e posso afirmar que o ensino público como o privado no Brasil é muito desvalorizado, a escola particular tem aquela capa de luxo que falei, mas o ensino e o professor são desvalorizados da mesma forma, e o pior na particular (em muitos casos) o aluno acha que paga o professor e pode fazer o que quiser.

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  5. Acho a idéia excelente! Ainda não conhecia; mas, acho complicado reunir recursos públicos através do IPTU progressivo (olha o caso do imposto de renda). Mas tem um cunho social profundo; afinal, se a educação pode ser universal e gratuita, se a saúde pode ser universal e gratuita, por que não o transporte coletivo? O Lúcio Gregori tem conhecimento de causa, mas, infelizmente, os “donos” do transporte coletivo não irão deixar: a população não contribui “cash” com campanha eleitoral, eles sim!

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    • A população contribui com o voto! Temos que aprender a votar melhor, exigir mais dos eleitos, denunciar as irregularidades e cobrar punição, e sempre retirar do poder quem não presta, pelo voto ou pelo impedimento. Cabe a cada um de nós melhorar as coisas.

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  6. Eu uso muito o transporte coletivo, pois tenho o privilégio de morar a 1 quadra do fim da linha do Jardim Ypu. Ônibus saindo na hora certa, quase vazio, muitos bancos disponíveis, etc. Mas dá até pena ver como fica o ônibus superlotado quando ele entra na Protásio. Seres humanos tratados como gado! Deveria haver um maior número de viagens no início da manhã e no final da tarde; mas, sabe-se, são concessões p/iniciativa privada, ou seja, quanto mais lotado maior o lucro.

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  7. Pois é Melissa, e o pior disso tudo, a grande maioria dos recursos do governo para mobilidade urbana são investidos para essa minoria que anda de carro.

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  8. E ainda tem gente que acha que o carro é o meio de transporte da maioria.

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